Amazônia Legal

ATAQUES NO AMAZONAS: 14 presos, pedido de Exército nas ruas, aulas suspensas e indústrias fechadas

Os ataques no Amazonas atingiram, além de Manaus, mais 4 municípios. A capital está parcialmente paralisada nesta segunda (7).

Rondônia Já com informações de Kátia Brasil, Cícero Pedrosa Neto e Leanderson Lima, da Amazônia Real

segunda-feira, 07/06/2021 - 03:44 • Atualizado 15/06/2021 - 00:06
ATAQUES NO AMAZONAS: 14 presos, pedido de Exército nas ruas, aulas suspensas e indústrias fechadas
Ataque à ônibus em Manaus - Foto: Edmar Barros//Futura Press/Estadão

Os ataques no Amazonas, feitos por traficantes da facção Comando Vermelho, segundo a  Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, atingiram um total de 05 cidades neste final de semana: Manaus, Manacapuru, Iranduba, Careiro Castanho e Parintins.

As retaliações são pela morte de um traficante ligado à facção carioca. O governador Wilson Lima (PSC) e o prefeito Davi Almeida (Avante) se pronunciaram no início da noite de domingo (6). Horas antes, durante a tarde, um monumento de uma praça e duas escolas públicas foram incendiadas na capital amazonense.

Um foguetório, com fogos de artifício, foi ouvido por moradores de ao menos 15 bairros, entre eles, Japiim, na zona centro-sul, onde criminosos incendiaram uma agência da Caixa Econômica Federal.

O prefeito de Manaus, David Almeida foi pessoalmente, na noite deste domingo, ao monumento “Bolas das Letras”, no bairro Dom Pedro, na zona oeste da cidade, no qual traficantes atearam fogo na praça.  De manhã, os marginais queimaram uma ambulância do Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) atacada pela manhã.

Rotatória Bola das Letras em Manaus queimando – Foto: Redes Sociais

Pedido de Exército nas ruas de Manaus

David Almeida, que é da base política do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), assim como Wilson Lima, disse que comunicou os ataques em Manaus ao Comando Militar da Amazônia (CMA), instituição do Exército brasileiro. “O Estado não pode recuar, tem que ter muita firmeza nesse momento. Já conversei com o Comandante Militar da Amazônia (general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira) e falei com o Wilson Lima. Se estão fazendo isso a luz do dia, durante a noite pode ser muito pior, delegacias estão sendo atacadas. Está mais do que na hora do Exército entrar nas ruas, não se pode deixar que os marginais tomem conta. Eu quero fazer um apelo à sociedade: ou ela toma uma atitude para acabar com as drogas, ou as drogas vão acabar com  a sociedade. E temos sim (que ter) a presença do Exército nas ruas para colocar esses bandidos no lugar deles”, disse o prefeito. Ele garantiu que a vacinação contra a Covid-19 será mantida nesta segunda-feira (7). Os postos já recebem apoio do Exército.

O prefeito também mencionou a convocação da GLO, que é o Adestramento Básico de Operações de Garantia da Lei e da Ordem, efetivo que realiza uma operação militar em área previamente estabelecida e por tempo limitado, com o objetivo da preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. O desenvolvimento destas atividades é das Forças Armadas. Seu emprego foi polêmico no Rio de Janeiro e classificado como uma intervenção por órgãos de direitos humanos, em 2018.

A assessoria de imprensa do Comando Militar da Amazônia comunicou que não recebeu um comunicado oficial do prefeito de Manaus sobre o emprego da operação militar GLO.

14 prisões realizadas no domingo

O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que a reação dos traficantes é por causa das operações que têm ocorrido no estado do Amazonas, nas quais, segundo ele, já foram apreendidas cerca 11 toneladas de drogas no período entre janeiro a maio deste ano, e cerca de 832 mil armas de fogo que estavam em posse de criminosos.

“Já identificamos possíveis mandantes. Quatorze pessoas já foram presas, entre elas um dos líderes desses ataques coordenados nas cidades de Manaus, no Município de Parintins e também no Careiro Castanho”, afirmou Lima. Os nomes dos acusados ainda não foram divulgados.

Durante o pronunciamento, Wilson Lima disse que informou a situação da segurança do estado aos ministros da Segurança Nacional, Anderson Gustavo Torres, e da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, e que aguardava reforço de tropas federais.

Na manhã de domingo, a Secretaria de Segurança Pública disse que os ataques aconteceram nas cidades de Manaus, no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, Careiro Castanho e Parintins, entre a madrugada de sábado (5) e domingo (6). Os responsáveis são traficantes da facção Comando Vermelho. Eles atearam fogo em 21 veículos e depredação de prédios públicos. Os crimes seriam uma retaliação à morte do traficante e líder do Comando Vermelho, Erick Batista Costa, o “Dadinho”. Ele morreu em uma troca de tiros com militares da Rocam (Rondas Ostensivas Cândido Mariano) da Polícia Militar, na noite de sábado.

No início da tarde de domingo (6), os ataques continuaram. Os traficantes incendiaram agências também dos bancos Bradesco, Banco do Brasil e Santander, em Manaus. Vejam abaixo vídeo dos ataques:

 

Reforço policial no Amazonas

O secretário coronel Bonates disse que foram determinadas algumas ações: “os policiais que estão de folga estão sendo convocados a voltarem para suas unidades, estamos reforçando o policiamento e novas prisões estão sendo feitas nesse momento”, disse.

Com mais de 2 milhões de habitantes, parte da população de Manaus sofreu com as fake news (mentiras).  Muitas fotos e supostos recados dos traficantes do Comando Vermelho circularam nas redes sociais dos moradores da cidade. Um dos posts dizia que “o CV está de luto, e quem for pego na rua será executado”, levando terror à população. O fato é que agora a noite muitos moradores enviaram informações nas redes sociais dizendo que “todos fiquem em casa e suspendam pedidos de delivery essa noite. Shopping fechados e escolas não abrem amanhã!”, diz a mensagem.

Ataques em Manacapuru

Em Manacapuru, distante 103 quilômetros de Manaus, dois prédios públicos foram atacados por criminosos: o Centro de Referência da Assistência Social, no bairro da União, o Cras-União. De acordo com uma testemunha, o ataque foi por volta da meia noite e meia, e começou com uma onda de tiros disparados contra o prédio. Em seguida, o local teve uma das salas invadida e incendiada.

Ainda em Manacapuru, os criminosos atearam fogo em um micro-ônibus, que ficou parcialmente destruído, no estacionamento do Imtrans, localizado na avenida Manoel Urbano, ao lado do quartel do 9º BPM.

De acordo com a prefeitura, desde os primeiros momentos após os ataques, uma força tarefa envolvendo policiais civis e militares está nas ruas de Manacapuru tentando identificar os autores da ação criminosa, e ainda no intuito de evitar que outros ataques ocorram.

Viatura queimada em Manacapuru – Foto: Redes Sociais

Indústrias paradas

Em reunião com os sindicatos patronais, o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal) suspendeu na noite de domingo (6), o terceiro turno dos trabalhadores do distrito industrial, uma vez que o principal alvo dos ataques em Manaus, são os ônibus. A maioria dos trabalhadores se locomove pelo transporte coletivo ao Polo Industrial de Manaus (PIM).

Um acordo com os sindicatos patronais foi feito para suspender o terceiro turno e na segunda-feira (07) começar mais tarde.

Os shoppings da capital amazonense fecharam suas portas mais cedo no domingo, às 19h, por conta dos ataques. A maior parte dos estabelecimentos estava funcionando aos domingos até às 21h.

Escolas de Manaus fechadas

A  Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), informou que, por medidas de segurança, todas as escolas da rede municipal de ensino estarão fechadas nesta segunda-feira (7). “A Semed informa, ainda, que o atendimento presencial nas sedes administrativas da secretaria também estará suspenso nesta segunda-feira. Os servidores executarão suas atividades via teletrabalho (home office)”.

Transporte coletivo suspenso em Manaus

O Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Manaus informou que, em decorrência dos ataques de criminosos, as empresas decidiram recolher esta noite todos os coletivos para suas respectivas garagens. Também disse que a frota de ônibus estará suspensa nesta segunda-feira (7).

O setor do comércio não se pronunciou. A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) soltou uma nota informando que suspendeu as atividades presenciais, na segunda-feira, para resguardar a integridade dos servidores públicos.

Leia mais sobre: , , , ,