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Após 02 meses de buscas, adolescentes desaparecidos em floresta do Amapá não foram localizados.

A mãe de um dos adolescentes gasta R$ 800, por semana, para manter as buscas no município de Calçoene, local do ocorrido.

Liebe Schmidt

domingo, 13/06/2021 - 12:00 • Atualizado 14/06/2021 - 23:37
Após 02 meses de buscas, adolescentes desaparecidos em floresta do Amapá não foram localizados.
Adolescentes desaparecidos em floresta do Amapá - Foto: divulgação

O desaparecimento dos adolescentes de 13 e 14 anos, em uma floresta no norte do Amapá, completou 02 meses na terça-feira (8). A mãe de um dos rapazes gasta R$ 800, por semana, para manter as buscas no município de Calçoene, local do ocorrido.

Renato Siqueira de Jesus (13) e Fabrício Barbosa (14) não foram mais vistos depois que saíram para apanhar açaí, prática comum na região. Renato não conhecia a área, segundo a mãe Edneide Siqueira de Jesus (32). Ela conta que a família recebe doações para comprar alimentos, combustível e equipamentos, e assim, manter as buscas realizadas por mateiros, moradores da região. A floresta é de difícil acesso para quem não conhece a área.

De acordo com Edineide, o número de mateiros responsáveis pelas buscas, diminuiu de 30 para 15, devido aos altos custos. O grupo passa de 3 a 5 dias dentro da mata, antes de voltar para a base do acampamento, localizado em área de assentamento rural. A mãe de Renato se desloca da sede de Calçoene até o acampamento, de 3 em 3 dias, para receber notícias das buscas.

No sábado (5), um dos mateiros relatou que foram encontradas pegadas na floresta. Esse tipo de achado já foi relatado, anteriormente, durante as buscas. “Eles voltaram a achar pegadas, só que ainda não é muita coisa pra gente. A gente precisa de muito mais. A gente está correndo atrás da possibilidade de achar eles”, relatou.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), que retomou a operação de buscas pela terceira vez, no dia 15 de maio e ainda permanece com equipe no local, a floresta densa é um dos fatores que dificultam a ação das equipes, por conta das grandes áreas de mata fechada, pouca habitação, pontos alagados e diversos rios.

Corpo de bombeiros auxiliando no resgate dos adolescentes desaparecidos

Corpo de bombeiros auxiliando no resgate dos adolescentes desaparecidos – Foto: divulgação

Edineide afirmou que não pensa em paralisar as buscas e acredita que os adolescentes logo serão encontrados para felicidade da família e das pessoas que apoiam com doações.

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No dia 27 de maio, um grupo de 27 indígenas reuniu-se ao grupo para auxiliar nas buscas. O desaparecimento é investigado pela Polícia Civil, que aguarda novidades. O órgão pontuou que, por enquanto, não há indícios de crime.

O DESAPARECIMENTO DOS ADOLESCENTES

Com cerca de 11 mil habitantes, Calçoene é uma pequena cidade do norte do Amapá com acesso pela BR-156. Localizada em meio à floresta amazônica, o município fica a 374 quilômetros da capital Macapá. Antes de desaparecerem, os adolescentes estavam acampados com suas famílias em uma área de assentamento rural para trabalhadores temporários.

Município de Calçoene em Amapá

Município de Calçoene em Amapá, onde desapareceram os adolescentes – Foto: divulgação

As buscas oficiais por terra, rios e ar iniciaram dois dias após o sumiço, e, ao longo de 16 dias mobilizou mais de 50 homens das forças de segurança. Entre elas: Bombeiros, Guarda Florestal, Polícia Militar, Polícia Civil, Companhia de Operações Especiais (COE), Exército Brasileiro e Grupamento Tático Aéreo (GTA).  Sem sucesso, a operação foi paralisada em 26 de abril.

Acionadas pela Polícia Civil, as equipes do Corpo de Bombeiros voltaram ao local em 8 de maio após receberem informações e pistas. Porém, quatro dias após, o trabalho foi novamente suspenso e retomado no dia 15 de maio, motivado por novos indícios do paradeiro dos adolescentes.