Amazônia Legal

São Luis (MA) é a primeira capital a vacinar pessoas a partir de 28 anos sem comorbidades

São Luis (MA) se tornou exemplo para o Brasil graças aos mutirões de vacinação. Doses a mais foram disponibilizadas por causa do risco da cepa indiana.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 14/06/2021 - 02:28 • Atualizado 17:01
São Luis (MA) é a primeira capital a vacinar pessoas a partir de 28 anos sem comorbidades
São Luis, capital do Maranhão - Foto: Divulgação

São Luís se tornou na sexta-feira (11), a primeira capital do país a vacinar pessoas abaixo dos 30 anos, sem comorbidades, contra a Covid-19.

A vacinação deste público-alvo foi pelo sistema drive-thru, em um Shopping de São Luis. Um mutirão de imunização que, somente no domingo (13) vacinou quase 16 mil pessoas em um só dia. Foram 41 horas seguidas de vacinação.

Além de São Luís, a vacinação também abrangeu a população dos outros três municípios da Grande Ilha (São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa).

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos) afirmou que nesta semana que inicia, pessoas a partir de 25 anos sem comorbidades, já serão vacinadas. Na segunda-feira, o público alvo será pessoas a partir de 28 anos sem comorbidades. Menos da metade da idade média que a maioria das capitais da Amazônia Legal estão vacinando.

A população vacinada compreende também os municípios que fazem parte da área metropolitana de São Luis.

Numa comparação com outras capitais, abaixo, está a faixa-etária de vacinação contra a Covid-19 nas 26 capitais e no Distrito Federal:

  • Rio Branco (AC) – 60 anos
    Maceió (AL) – 52 anos
    Manaus (AM) – 50 anos
    Macapá (AP) – 55 anos
    Salvador (BA) – 51 anos
    Fortaleza (CE) – 41 anos
    Brasília (DF) – 58 anos
    Vitória (ES) – 50 anos
    Goiânia (GO) – 52 anos
    São Luís (MA) – 28 anos
    Cuiabá (MT) – 55 anos
    Campo Grande (MS) – 50 anos
    Belo Horizonte (BH) – 56 anos
    Belém (PA) – 57 anos
    João Pessoa (PB) – 50 anos
    Curitiba (PR) – 56 anos
    Recife (PE) – 43 anos
    Teresina (PI) 55 anos
    Rio de Janeiro (RJ) – 54 anos
    Natal (RN) – 57 anos
    Porto Alegre (RS) – 55 anos
    Porto Velho (RO) – 60 anos
    Boa Vista (RR) – 60 anos
    Florianópolis (SC) – 53 anos
    São Paulo (SP) – 60 anos
    Aracaju (SE) – 55 anos
    Palmas (TO) – 60 anos

São Luis, Maranhão – Foto: Divulgação

Comparativo de população vacinada

Em termos de percentual de vacinação, São Luis também está bem. Os números são os seguintes:

São Luis (MA) – vacinação até domingo (13)

1ª dose:  365.009 pessoas (32,91% da população)

2ª dose:  114.522 pessoas (10.32% da população)

 

Numa comparação com outra capital da Amazônia Legal, Porto Velho, em Rondônia, a situação é a seguinte:

Porto Velho (RO) – vacinação até domingo (13)

1ª dose:  107.966 pessoas  (19.99% da população)

2ª dose: 45.979 pessoas   ( 8,51% da população )

 

Outro detalhe que chama a atenção em São Luis é que mesmo com o navio chinês MV Shandong da Zhi que teve 6 casos confirmados da variante indiana e permanece ancorado no porto da capital, São Luis, contrariando todas as expectativas, não registrou nenhuma transmissão desta variante.

Ou seja, a cepa indiana da Covid-19 não entrou no Brasil pelo Maranhão, graças aos mutirões de vacinação que são feitos constantemente desde maio.

Até o momento, o município possui nove locais de vacinação espalhados em toda a capital.

Maranhão e os demais estados

No panorama nacional, entre os 26 estados mais Distrito Federal, o Maranhão está na 14ª colocação na vacinação de primeira dose, com 23,64% da população vacinada.

Já quando se trata da Amazônia Legal, da qual Maranhão é um dos 9 estados que fazem parte, ele está em primeiro lugar e o Amazonas em segundo, com 21,36% da população vacinada.

Rondônia, que também faz parte da Amazônia Legal e tem como governador o bolsonarista Coronel Marcos Rocha (PSL) está com 18,92%, ficando em quinto lugar, no ranking inverso, o de estados que menos vacinaram no país.

Na primeira dose, Rondônia é o terceiro pior estado do país, com apenas 7,78% da população vacinada.

Neste ponto, Maranhão quase se iguala, ficando em quarto lugar, entre os estados que menos aplicaram a primeira dose, com 7,91% da população vacinada. Mas, o governador Flávio Dino (PC do B-MA) anunciou que chega nesta segunda-feira(14) um lote de 90 mil doses da vacina Jansen, de aplicação única.

O lote faz parte das medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, para evitar a disseminação da cepa indiana no Brasil. Anteriormente, o Maranhão recebeu 300 mil doses da vacina AstraZeneca com esta mesma finalidade.

Ambos os lotes são destinados à São Luis, onde o navio chinês com tripulantes contaminados pela cepa da Índia continua ancorado.

Vacinação contra Covid-19 – Foto Divulgação

Os estados que mais vacinaram

Os estados do Brasil que mais aplicaram a primeira dose são:

  • Mato Grosso do Sul, com 35,89% da população vacinada;
  • Espírito Santo, com 30,54% da população vacinada e;
  • São Paulo, com 28,9% da população vacinada.

Na Amazônia Legal, o ranking da primeira dose é o seguinte:

  • Amazonas, com 21,36% da população vacinada;
  • Maranhão, com 23,64% da população vacinada e;
  • Mato Grosso, com 20,66% da população vacinada.

Na segunda dose, os estados que mais vacinaram são:

  • Rio Grande do Sul, com 14,23% da população vacinada;
  • Mato Grosso do Sul, com 13,84% da população vacinada, e:
  • São Paulo, com 12,86% da população vacinada.

Na Amazônia Legal, os estados que mais se destacaram na aplicação da segunda dose são:

  • Amazonas, com 11,82% da população vacinada;
  • Roraima, com 9,99% da população vacinada, e:
  • Pará, com 9,12% da população vacinada.

Brasil poderia ter 50% a mais de vacinados

Esta é a conclusão que os senadores da CPI da Covid chegaram. Se o Brasil tivesse comprado as vacinas quando elas foram ofertadas pela primeira vez, teria 50% a mais do que tem hoje. Ou seja, quase 150 milhões de doses em vez das 100 milhões atuais. Isso seria suficiente para vacinar praticamente todos os brasileiros dos grupos prioritários, que somam quase 80 milhões de pessoas. 95 mil pessoas poderiam ter sido poupadas da morte, se o Governo Federal tivesse se preocupado com a imunização do povo brasileiro. A compra de vacinas só aconteceu 6 meses depois da primeira oferta e, mesmo assim, por pressão do aumento desenfreado das mortes.

O Ministério da Saúde estima atualmente que a vacinação dessa parcela da população só seja concluída em setembro ou outubro.

Fonte: Secretarias municipais de Saúde e Secretarias estaduais de Saúde do país