Amazônia Legal

Fumaça de queimadas na floresta ameaça recuperação de Covid-19 de comunidades da Amazônia

Um relatório da Aliança Global Climática divulgado na quarta-feira(16) recomenda que as autoridades sanitárias da Amazônia se planejem com antecedência para a piora dos sintomas graves de Covid-19 com as queimadas.

Por Redação Rondônia Já

quinta-feira, 17/06/2021 - 03:00
Fumaça de queimadas na floresta ameaça recuperação de Covid-19 de comunidades da Amazônia
Queimada na Amazônia - Foto: Divulgação

Antes da pandemia, quando a fumaça de incêndios da floresta amazônica chegava às comunidades indígenas de Nossa Senhora do Livramento, no Amazonas, as pessoas bebiam chá com ervas medicinais locais, que acalmavam os pulmões.

Porém, neste ano,  à medida que a “temporada de incêndios” já se faz presente, o líder comunitário Asterio Martins Tomas receia que, desta vez, o chá não será suficiente, pois muitos da sua comunidade, incluindo ele próprio, ainda sofrem com os efeitos da Covid-19.

Tomás, que tem 60 anos disse que, mesmo após 3 meses que pegou a doença, ainda se sente cansado, e com dor no peito ao respirar.

A fumaça, quando chegar, tornará a vida mais difícil, teme. “Afeta nossos pulmões, nossa saúde, E não há escapatória porque há fumaça em todo lugar.”

A piora das queimadas em florestas estão tendo um impacto maior e ainda não muito bem estudado em pessoas expostas a elas, segundo um relatório da Aliança Global Climática, um consórcio de organizações sanitárias ao redor do mundo.

Segundo Jeni Miller, diretora executiva da Global Climate and Health Alliance, em um comunicado,“cada vez mais pessoas correm o risco das consequências de longo prazo dos incêndios florestais e florestais”

O relatório, divulgado na quarta-feira(16), analisou populações de diversos locais afetadas por incêndios no Canadá, Austrália e Brasil. O estudo descobriu que a exposição à fumaça do incêndio florestal estava associada a mais visitas a pronto-socorros.

Em longo prazo, esta mesma exposição também levou a um aumento dos efeitos mais graves do COVID-19, segundo os pesquisadores.

A taxa de mortes por Covid-19 entre os indígenas na Amazônia é quase 250% maior do que na população geral, segundo o estudo do Ipam, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, realizado em junho deste ano.

Hospitais lotados

O relatório recomenda que autoridades sanitárias locais “planejem com antecedência para a volta de doenças induzidas por fumaça, enquanto serviços de saúde continuam a enfrentar a pandemia de Covid-19”.

Mas não há muito planejamento em andamento, disse Mario Vianna, presidente da união de médicos do Estado do Amazonas. “Uma queda de qualidade do ar na região norte durante uma pandemia de uma doença respiratória é uma combinação explosiva”, disse Vianna. “Eu ainda não vi protocolos ou orientações para nos prepararmos para esta possibilidade.”

Incêndios e desflorestamento na floresta amazônica cresceram desde que o presidente Jair Bolsonaro chegou ao poder em 2019, com um discurso anti-ambiental e favorável ao agronegócio, a garimpagem e o desmatamento.

Segundo Jerrimar Soares Montenegro, enfermeiro da Sinderon, uma associação de enfermeiros no Estado de Rondônia,”com a temporada de incêndios no Brasil começando para valer, os próximos meses serão críticos”.

Os hospitais de Porto Velho, ficam lotados todos os anos, de agosto até novembro, no auge da estação seca, por pacientes com problemas respiratórios causados pelos incêndios, disse Montenegro. “E agora, com a Covid, será praticamente incontrolável”.

Queimada em Porto Velho – Foto: Divulgação

Focos de queimada – INPE

De janeiro deste ano até quarta-feira (16) os satélites do INPE ( Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ) registrou em todo o país 17.702 focos de queimadas, sendo que 4.974 (28,1%) são incêndios florestais no bioma da Amazônia Legal.

Fonte: REUTERS e INPE