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Após volta às aulas presenciais, Manaus tem 18 escolas com casos de Covid

As aulas presenciais, em Manaus, voltaram no dia 31 de maio. Menos de um mês depois, a situação já é alarmante.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 22/06/2021 - 01:46 • Atualizado 03:45
Após volta às aulas presenciais, Manaus tem 18 escolas com casos de Covid
Aula presencial em Manaus - Foto: Divulgação

Em Manaus, 18 escolas das redes estadual e municipal de ensino têm casos confirmados ou suspeitos de Covid-19 entre os trabalhadores da educação. O Sindicato da categoria no Amazonas (Sinteam) esteve em seis delas na manhã de segunda-feira (21) e confirmou casos positivos em cinco delas. Na sexta unidade, o funcionário não confirmou por exame o diagnóstico mas está afastado de suas atividades.

A presidente do sindicato, Ana Cristina Rodrigues, afirmou:

“A vida não só dos trabalhadores, mas também dos alunos e de suas famílias continua em risco. Semana passada um gestor de escola faleceu em decorrência da Covid-19. A gestora da escola Rubens Sverner está intubada e outros servidores estão adoecendo depois do retorno das aulas presenciais”.

As aulas em escolas municipais de Manaus foram retomadas no dia 31 de maio. Nas escolas estaduais, o retorno foi em primeiro de junho. Nos dois casos, ocorreu de forma híbrida: enquanto 50% dos alunos assistem às aulas em casa, outros 50% vão para as escolas. Já as creches da rede municipal retomaram as atividades presenciais em Manaus, no dia 14 de junho.

No dia 15, um grupo de professores fez uma manifestação contra o retorno de aulas presenciais durante a pandemia, no Amazonas. Segundo os manifestantes, o retorno das aulas presenciais só deveria acontecer após uma imunização completa da categoria. Os professores e trabalhadores de escolas começaram a receber a vacina, porém receberam apenas uma dose.

Em algumas escolas, mesmo quase um mês após o retorno às aulas presenciais, até agora ainda não foram instaladas pias e nem tapetes sanitizantes. É o que acontece na Escola Municipal Sara Barroso Cordeiro, que tem um caso suspeito de Covid-19 entre o quadro de funcionários. A escola atende crianças do 1º ao 5º ano.

Os casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, nas escolas estaduais e municipais em Manaus são os seguintes

1. EM Nossa Senhora do Rosário – Um caso confirmado. O termômetro foi adquirido semana passada, mas continua sem pia, tem sala sem ar funcionando e nem todos os professores fizeram o teste de covid;

2. EM Marly Garganta – 3 casos confirmados;

3. Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) – 01 Professora com caso confirmado;

4. Escola Municipal Magalhães Cordeiro – Casos confirmados;

5. CMPM V – Professora com caso a confirmar;

6. CETI Petrônio Portela – Alunos com sintomas de Covid-19;

7. Escola Estadual Professor Júlio Cesar de Moraes Passos – 2 Casos no Noturno e não sanitizaram – a confirmar;

8. Escola Municipal Prof Sérgio Augusto Pará – 1 caso confirmado;

9. Escola Municipal Prof. Álvaro Valle – 2 casos de Covid-19 na escola e um caso suspeito;

10. Escola Municipal Francisca Mendes – Pedagoga com covid e outros servidores com sintomas;

11. Escola Estadual de Tempo Integral Helena Araújo –  A escola está cumprindo os protocolos para o retorno presencial mas a pedagoga da escola está com Covid e ainda não foi agendada uma desinfecção na escola. Os servidores estão há dois dias indo para a escola e sendo expostos a contaminação;

12. Escola Municipal Professora Gelcy Sena Abrantes – foi registrado um caso de covid confirmado de uma professora. Todos os outros funcionários, tiveram que fazer a testagem e sanitização da escola que também está há uma semana sem água por causa da bomba que queimou. Segundo os servidores, o diretor da escola não quis avisar aos pais o motivo da paralisação e teria usado apenas o argumento da bomba.  O retorno às aulas presenciais foi na segunda-feira (21) com outra professora com sintomas e com semana avaliativa;

13. Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) – No dia 16, uma Professora trouxe o atestado com Covid. E no dia seguinte (17) teve aula normal na escola. Não houve sanitização. Apenas falaram aos servidores que deveriam procurar uma unidade de saúde se sentissem algum sintoma;

14. Escola Municipal Rubens Sverner – Gestora intubada e outros dois casos;

15. CMPM8 – 2 casos confirmados de professoras;

16. Escola Municipal São Vicente de Paula na Compensa –  3 professores com casos confirmados;

17.Escola Municipal Sara Barroso/Santa Etelvina- 1 caso de covid, e;

18. Escola Municipal João Goulart – 2 alunos do turno noturno testaram positivo e um administrativo com caso suspeito de Covid-19.

Professores protestando em Manaus – Foto Divulgação

A volta das aulas presenciais em 2020

No dia 10 de agosto de 2020 as aulas presenciais voltaram em Manaus. Mais de106 mil alunos do Ensino Médio da rede estadual de ensino do Amazonas retornaram às escolas. Menos de duas semanas depois, o governo fez testes em 1.064 professores que estavam trabalhando. Os 342 resultados positivos para a Covid-19, quase um terço do total, fizeram com que o governador Wilson Lima (PSC) desistisse do plano de retorno do Ensino Fundamental. Mas, pelo que parece, a péssima experiência foi esquecida.

Rondônia pode ficar parecida com Manaus

Um deputado estadual de Rondônia, Sargento Eyder Brasil (PSL), contraiu Covid-19 pela segunda vez e precisou ser internado no início de junho. O parlamentar, num estado muito delicado, teve que usar ventilação mecânica, o último recurso antes da intubação. Mas, quando se recuperou e voltou para a Assembléia Legislativa de Rondônia, um dos primeiros atos foi dar celeridade ao projeto para a volta das aulas presenciais no estado, apresentado antes da internação.

O deputado é aliado de primeira mão do governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha. Ambos comungam os mesmos ideais do presidente Jair Bolsonaro ( sem partido). Não é a toa que na segunda-feira (21) o governador anunciou, através de seu primeiro escalão do governo, o retorno das aulas presenciais para agosto, em data ainda indefinida.

Os professores só foram vacinados com a primeira dose no último fim de semana, mas, mesmo assim, o Governo acha que é suficiente.

O sindicato da categoria (Sintero), através de um de seus diretores, já se posicionou contrário e afirmou que a volta às aulas presenciais só será feita entre 15 e 20 dias após a segunda dose.

Caso vença esta briga, o Governo pode transformar Rondônia em uma Manaus, à nível estadual.

Fonte: 18horas.com.br