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Sikera Jr perde anunciantes após campanha e fala homofóbica: “Raça desgraçada”

Sikera Jr já perdeu quatro anunciantes e o MPF também ajuizou ação pedindo R$ 10 milhões de indenização.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 29/06/2021 - 02:10 • Atualizado 30/06/2021 - 14:30
Sikera Jr perde anunciantes após campanha e fala homofóbica: “Raça desgraçada”
Sikêra Jr. - Foto: Divulgação

O Sleeping Giants Brasil lançou na segunda-feira (28) a campanha #DesmonetizaSikera para sensibilizar as empresas a deixar de anunciar no programa Alerta Nacional, do apresentador Sikêra Jr. da Rede TV.

O estopim para a campanha foi uma sequência de falas do apresentador de Manaus (AM), durante o programa da última sexta-feira (25). Segundo Sikêra Jr. as pessoas que integram o movimento LGBTQIA+ são uma “raça desgraçada que quer acabar com a sua família e com a família tradicional brasileira”. O apresentador ainda disse:

“A criançada está sendo usada. Um povo lacrador que não convence mais os adultos e agora vão usar as crianças. É uma lição de comunismo: vamos atacar a base, a base familiar, é isso que eles querem. Nós não vamos deixar”

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O discurso delirante foi por causa da propaganda do Burger King, em que crianças de diferentes idades são entrevistadas e explicam que é normal ver homens e mulheres do mesmo sexo juntos, Algumas tem pais gays. Veja o comercial abaixo:

Sikêra Jr. e a aula de preconceito

Sobre o comercial do Burger King, Sikêra Jr. ainda falou:

“Vocês são nojentos. A gente está calado, engolindo essa raça desgraçada, mas, vai chegar um momento que vamos ter que fazer um barulho maior. Deixa a criança crescer, brincar, descobrir por ela mesma. O comercial é podre, nojento. Isso não é conversa para criança.”

Em seguida, vociferou:

“Vocês não tem filhos, não procriam, não reproduzem. Eu cheguei a seguinte conclusão: vocês precisam de tratamento. Que tara é essa de pegar as crianças do Brasil? Se você quer dar esse rabo, dê, mas, não leve as crianças. Isso é pedofilia e abuso infantil. Preconceito existe e isso nunca vai ser normal para um homem de bem, um homem de família”.

Num programa anterior, Sikêra Jr. foi ainda mais fundo…do poço: “já pensou ter um filho viado e não poder matar?”

No ano passado, ao falar sobre a modelo transexual Viviany Beleboni, o apresentador bolsonarista disse: “isso é um lixo, uma bosta, uma raça desgraçada”.

Acostumado à enfrentar diversos processos e, no entanto, continuar com o respaldo dos donos da Rede TV, por causa da audiência popularesca que traz para a emissora, Sikêra Jr. seguiu até o momento em relativa tranquilidade, mesmo vomitando todo o tipo de aberração verbal, mas, a organização Sleeping Giants Brasil, especialista em desmonetizar personalidades e empresas que promovem o preconceito e atacam os direitos sociais e a democracia resolveu eleger Sikêra Jr. como alvo.

O CNPJ cancelado

O efeito da campanha foi rápido, desde sexta-feira (25), quando deu aula de preconceito ao vivo, o apresentador começou a ter o CNPJ cancelado.

A construtora MRV, que pertence a Rubens Menin, dono da CNN Brasil foi a primeira a abandonar o barco furado.  A segunda foi a HapVida, do ramo de planos de saúde. Em seguida foi a vez da operadora de telefonia TIM, que saiu do canal do Youtube do “apresentador”.  A Magazine Luiza seguiu o mesmo rumo e também tirou o comercial do canal de Youtube de Sikêra, emitindo o seguinte comunicado: “O Magalu é contra qualquer forma de LGBTfobia e nunca admitiremos isso”

E se depender da campanha, vem mais por aí. Veja abaixo o vídeo postado na segunda-feira (28) pela Sleeping Giants Brasil:

Ação do MPF/AM

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o apresentador Sikêra Júnior, da Rede TV, pela prática do crime de homofobia,

Na ação, o MPF pede que Rede TV! e Sikêra Jr sejam condenados ao pagamento de R$ 10 milhões a título de indenização por danos morais coletivos – valor a ser destinado à estruturação de centros de cidadania LGBTQIA+”.

Além da indenização, de acordo com o Ministério Público, a ação civil pública também requer a “exclusão da íntegra do programa objeto da presente ação que foi veiculado em 25 de junho de 2021 de seus sites e redes sociais e que tanto a emissora como seu apresentador sejam obrigados a publicar retratação pelos mesmos meios e mesmo tempo e em idêntico horário, especificando tratar-se de condenação judicial imposta nos autos da ação, devendo a referida postagem permanecer nos sites da empresa ré pelo prazo mínimo de um ano”.