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Governo Federal avisa onde vai ter fiscalização ambiental na Amazônia, incluindo RO

É a segunda vez, neste ano, que o Governo Federal avisa antecipadamente as localidades onde haverá fiscalização ambiental.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 02/07/2021 - 02:37 • Atualizado 02:57
Governo Federal avisa onde vai ter fiscalização ambiental na Amazônia, incluindo RO
Governo Federal envia Forças Armadas à Amazônia - Foto: Divulgação

O governo federal publicou nesta semana o decreto que retoma a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia. Ao contrário da GLO anterior, que durou quase um ano e terminou em abril, a atual manterá os homens das Forças Armadas na floresta somente por dois meses.

Não é apenas o prazo curtíssimo que chama a atenção. O decreto avisa em quais municípios será feita a fiscalização.

No decreto constam 26 municípios em que serão realizadas operações para combater crimes ambientais: cinco são em Rondônia, sete no Amazonas, oito em Mato Grosso e seis no Pará. Os militares ficam nesses locais apenas até 31 de agosto. A distribuição ficou da seguinte forma:

  • Estado de Rondônia: Candeias do Jamari; Cujubim; Itapuã do Oeste; Machadinho D’Oeste; e Porto Velho;
  • Estado do Amazonas: Apuí; Boca do Acre; Canutama; Humaitá; Lábrea; Manicoré; e Novo Aripuanã;
  • Estado do Mato Grosso: Apiacás; Aripuanã; Colniza; Cotriguaçú; Marcelândia; Nova Bandeirantes; Peixoto de Azevedo; Paranaíta, e:
  • Estado do Pará: Altamira; Itaituba; Jacareacanga; Novo Progresso; São Félix do Xingu; e Trairão.

Na página do Governo Federal, sobre a publicação do Decreto GLO tem a meta da Operação:

“A nova Operação de GLO terá como objetivo coibir os delitos ambientais, com ênfase para o desmatamento ilegal. Este objetivo está em consonância com a importância dedicada à Amazônia pelo Governo Brasileiro, que considera apropriada e necessária uma ação imediata das Forças Armadas de forma preventiva e repressiva, seja alertando, fiscalizando e, ainda, com a efetividade da lei contra crimes e delitos ambientais.”

Realmente alertou. E não é a primeira vez.

Leia mais sobre a vez anterior que Governo também avisou

Governo Federal manda Forças Armadas combater crimes ambientais na Amazônia – Foto: Divulgação

Governo Federal avisa pela segunda vez

As ONGs ambientais alegam que o Ibama sempre fez operação onde tem desmatamento, mas, até o governo anterior, jamais avisava antes. Isto até Ricardo Salles se tornar ministro do Meio Ambiente.

Em 11 de maio deste ano, o agora ex-ministro publicou portaria anunciando a transferência temporária dos titulares dos órgãos de fiscalização para 5 cidades no Pará, num claro aviso de operação para flagrar crimes ambientais.

O ministro mudou, mas, quem manda nele, ainda permanece no poder, portanto, mais uma vez, os infratores ambientais estão sabendo, com antecipação, quando será feita a Operação.

O envio das Forças Armadas à Amazônia é uma tentativa de reação do governo às taxas recordes de desmatamento registradas na floresta neste ano. Segundo dados divulgados pelo Instituto Sócio Ambiental (ISA) com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia registra as maiores altas em 12 anos.

A devastação vem avançando aceleradamente em terras indígenas (45% de alta no biênio 2019-2020) e cresceu 534% nas 20 terras com maior histórico de pressões e conflitos com garimpeiros, grileiros e madeireiros.

Na Cúpula do Clima realizada pelo presidente americano Joe Biden, em abril deste ano, o presidente Jair Bolsonaro manteve o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.

Mas o vice-presidente general Hamilton Mourão, que também preside o Conselho da Amazônia, disse que sem a colaboração dos ministérios envolvidos na questão ambiental, o esforço não terá resultado.

Por isso, as entidades de proteção ambiental e estudiosos consideram que esta operação não tem condições de obter bons resultados. “É um exercício de enxugar gelo. Enquanto as tropas vão para a floresta, no Planalto se sabota a proteção ambiental.” E assim segue a Amazônia, perdendo cada vez mais a cobertura florestal, para a “boiada passar”.