Amazônia Legal

Torres de transmissão da UHE Belmonte (PA) podem cair por causa de garimpo ilegal

O garimpo ilegal avança em quatro municípios do Pará, ao longo das torres de transmissão de energia da UHE Belmonte.

Por Redação Rondônia Já

quinta-feira, 08/07/2021 - 01:43
Torres de transmissão da UHE Belmonte (PA) podem cair por causa de garimpo ilegal
Garimpo ameaça linhas da UHE Belmonte - Foto: Divulgação

Em 2020, o Governo Federal recebeu uma série de denúncias sobre o avanço ilegal do garimpo embaixo da linha de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Um ano depois, e a situação permanece a mesma. Os garimpeiros avançando cada vez mais e colocando em risco uma das principais redes de energia do País.

O garimpo ilegal está concentrado em Marabá, Parauapebas, Curionópolis e Pacajá, todos no Pará, nas imediações da usina e do linhão. As máquinas de grande porte derrubam os morros em busca de ouro e fragiliza a estabilidade do solo, podendo levar à queda das torres que sustentam a linha.

Em junho deste ano, a Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE) concessionária que controla a rede e que pertence à chinesa State Grid e à Eletrobrás, recorreu mais uma vez à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para alertar sobre o problema. Num ofício, no qual o jornal O Estado de São Paulo teve acesso, a companhia declarou:

“Informamos que durante as inspeções aéreas realizadas pela BMTE nos dias 05 e 06 de junho de 2021, constatamos novamente intensa atividade de exploração mineral e reforçamos que tais atividades vêm potencializando os fatores de risco ao empreendimento”.

O risco que empresa se refere é o fato de que a água usada pelos garimpeiros para “lavar” a terra em busca de ouro pode se acumular nas bases das torres, trazendo a possibilidade de desestabilizar as estruturas e elas caírem. Com o fim das chuvas na região, alerta a empresa, as ações ilegais tendem a crescer.

Garimpo ilegal ameaçando as linhas de transmissão da UHE Belmonte – Foto: O Globo

O garimpo e os apagões

Em maio deste ano, “falhas técnicas” paralisaram o linhão de Belo Monte e provocaram apagões em boa parte do País.

Em março de 2018, pouco tempo depois do linhão entrar em operação no Sistema Interligado Nacional (SIN), uma pane provocou o desligamento da linha e causou um apagão que atingiu 13 Estados, deixando 70 milhões de pessoas sem luz. Por questões de segurança, a concessionária suspendeu as inspeções terrestres que eram feitas pelas equipes de campo na região de extração de minério.

O linhão de Belo Monte foi inaugurado em dezembro de 2017 e é um dos projetos mais caros e modernos do mundo na área de transmissão de energia, tendo custado R$ 5 bilhões. Seus 2.076 km de extensão saem do Pará e cruzam Tocantins, Goiás e Minas Gerais, até chegar à fronteira com São Paulo.

O risco do desabamento de torres, por causa do garimpo ilegal, já foi comunicado aos ministérios públicos federal e estadual, Polícia Civil, Polícia Federal e Aneel. Forças Policiais realizaram operações na região em abril deste ano, mas, como sempre acontece, após a saída dos policiais, os garimpeiros voltam.

Procurada pela reportagem, a BMTE não se manifestou sobre o assunto. Já o Ministério de Minas e Energia declarou, por meio de nota, disse o seguinte:

“Os reportes dos eventos, denunciados pelo concessionário, têm sido recepcionados e entregues aos órgãos de inteligência e segurança pública, que junto com a agência reguladora competente, tem atuado para coibir a mineração irregular, mitigando riscos às infraestruturas das torres de transmissão de energia elétrica em alta tensão”.

“Ao Ministério de Minas e Energia (MME) tem cabido o papel de subsidiar tais instituições com informações, quando demandado. O desligamento do bipolo Xingu-Estreito não provocaria corte de energia, já que os limites de transferência de energia entre os subsistemas utilizados na operação do SIN são definidos de modo que a perda de qualquer bipolo não provoque o corte de carga”.

Mas, os apagões em diversas regiões do País são decorrentes de paralisações do linhão da UHE Belo Monte, como aponta a reportagem, e a conexão destas paralisações com o garimpo, apesar do MME não admitir, é a suspeita que paira no ar.

Com informações de O Estado de São Paulo