Covid-19

Suspensa aplicação da 2ª dose em Porto Velho por falta da vacina Coronavac

O Ministério da Saúde está tendo dificuldades em fornecer para aplicação da segunda dose da vacina Coronavac nos municípios brasileiros

Por Marcos Gomes - Rondônia Já

terça-feira, 27/04/2021 - 20:30
Suspensa aplicação da 2ª dose em Porto Velho por falta da vacina Coronavac

As consequências e reflexos da recusa do governo de Jair Bolsonaro após ter recebido três ofertas do Instituto Butantan para comprar a Coronavac, a vacina produzida em parceira com a farmacêutica chinesa Sinovac no ano passado pode ser sentida agora, em Abril de 2021, quando muitos Estados e municípios não tem mais como receber a vacina que deveria ser fornecida pelo Governo Federal.

No caso de Porto Velho o site institucional da Prefeitura divulgou uma matéria preocupante, mas clara de que o Ministério da Saúde (MS) está tendo dificuldades em fornecer vacinas para aplicação da segunda dose da vacina Coronavac nos municípios brasileiros, o resultado é que a imunização que deveria ocorrer nesta quarta-feira (28) e na quinta-feira (29) foi suspensa.

A Semusa (Secretaria Municipal de Saúde) esclareceu que a dificuldade em relação a 2ª dose se deve a garantia precipitada de que o Brasil havia atingido capacidade de produção da vacina Coronavac. O que foi um erro grave, pois o próprio atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu ainda na segunda-feira (26), que não existe quantitativo para garantir o reforço da imunização a todos, em razão dos atrasos na importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA).

Relembrando que esse efeito de imunização retardada no Brasil poderia ter sido evitada no ano passado mesmo, quando o Instituto Butantan através de ofícios técnicos se dirigiu ao Ministério da Saúde oferecendo as ofertas de Coronovac para produção no país, o que garantiria a vacinação antecipada em relação a muitos países que sofrem com a pandemia.

Ainda pela prefeitura de Porto Velho a informação é que o Ministério da Saúde voltou atrás e pediu para que estados e municípios guardem a segunda dose em razão da dificuldade no fornecimento das vacina Coronavac.

Porém vale lembrar que há um mês, o próprio Ministério havia orientado e autorizado que todas as vacinas armazenadas pelos estados e municípios, para garantir a segunda dose, fossem utilizadas imediatamente como primeira dose.

Diante dessa orientação equivocada a prefeitura de Porto Velho não armazenou as vacinas Coronavac recebida nos 8°, 9° e 10° lotes – com um total de cerca de 17 mil doses – e com isso comprometeu o reforço no fechamento do ciclo de proteção contra a Covid-19 com as doses de vacinas que seriam aplicadas essa semana.

OFERTAS RECUSADAS PELO GOVERNO FEDERAL

A Coronovac virou um conflito político no ano passado quando o governador do Estado de São Paulo, João Dória, anunciou que o Instituto Butantan poderia trabalhar com a vacina chinesa, o que contrariou o presidente Jair Bolsonaro, que para agradar correligionários e interesses próprios, recusou qualquer tipo de imunizante que viesse da China.

A insistência de se criar um plano de imunização para o País partiu do próprio instituto que tinha a capacidade e interesse em trabalhar com a Coronovac, produzindo milhões de doses da vacina, porém bateu de frente com o Ministério da Saúde que recusou ou evitou os ofícios encaminhados com essas ofertas.

Ofício Butantan

Esse ofícios foram emitidos e ignorados pelo Ministério da Saúde em ofertas ocorridas em meses distintos, a primeira foi feita no dia 30 de julho de 2020, através do ofício 160/2020, quando o instituto Butantan informava que tinha condições de fornecer – segundo o documento – “60 milhões de doses de vacina a partir do último trimestre de 2020”.

Esse ofício foi de responsabilidade do diretor do instituto, Dimas Covas, e encaminhado para o então ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, que não respondeu a correspondência oficial.

Segue ofício do Butantan par o MS

No dia18 de agosto, o instituto insistiu enviando um segundo ofício sob o número 177/2020, reafirmando a proposta, com a promessa de fornecer 45 milhões de doses em dezembro e 15 milhões no primeiro trimestre de 2021, ao custo de 21,50 reais a dose. O ofício terminava com o seguinte recado: “tomar no devido tempo as providências necessárias para as entregas”, assinada novamente pelo diretor da instituição, Dimas Fonseca.

Para variar, o Ministério da Saúde ignorou novamente.

No dia 7 de outubro, o Butantan insistiu novamente e enviou outro ofício ao Ministério da Saúde, agora mais duro em sua mensagem, pois o tempo passava e o Brasil precisava de um plano de vacinação urgente.

Ofício incisivo do Butantan sobre a vacina

O documento alertou o Ministério da Saúde que as ofertas não haviam sido respondidas e ressaltou com ênfase que era grande a demanda pela Coronavac no mercado mundial e, também, entre estados e municípios brasileiros.

Esclarecia que a vacina estava “em estágio mais avançado para a administração na população e com cronograma de entrega de grandes volumes já a partir de janeiro de 2021”.

Querendo uma resposta imediata do Governo Federal, o próprio Dimas Covas entregou o terceiro ofício em mãos ao general Pazuello, que recebeu o documento, mas não disse nada.

Depois de quase duas semanas o Ministério da Saúde percebeu da necessidade da vacinação e enviou uma carta ao Butantan tratando da intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac, mas daí veio o revés do presidente Bolsonaro, que acabou criando uma crise com o próprio Ministério, pois deu ordens para suspender tudo e, publicamente, em uma de suas interações com a imprensa no portão do palácio e em live garantiu que não compraria nenhuma dose da “vacina chinesa do Doria”.

CHEGADA DA VACINA EM PORTO VELHO

De acordo com a Divisão de Imunização da Secretaria Municipal da Saúde (Semusa), em Porto Velho, havia a expectativa de receber um novo lote da vacina Coronavac no início desta semana, porém o Ministério da Saúde já avisou que nova remessa do imunizante somente daqui a 10 dias para os municípios.

Com isso quem seria imunizado nesta semana com a vacina Coronavac, tão logo o município receba um nova remessa, a Semusa deve fazer uma nova convocação para a aplicação da segunda dose.