Covid-19

Vacinas contra Covid-19 não são recomendadas para gestantes sem uma orientação médica, segundo laboratórios

De acordo com as bulas dos laboratórios fabricantes das vacinas Coronavac, Oxford e Pfizer, as gestantes e lactantes devem seguir prescrição médica para serem imunizadas.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quinta-feira, 13/05/2021 - 08:00 • Atualizado 19/05/2021 - 23:05
Vacinas contra Covid-19 não são recomendadas para gestantes sem uma orientação médica, segundo laboratórios
Grávida sendo vacinada contra Covid-19 - Foto: Divulgação

A imunização de gestantes e puérperas com a vacina da Oxford/AstraZeneca/FioCruz foi suspensa pelo Ministério da Saúde, na terça-feira (11), para investigação de possíveis eventos adversos neste grupo, após recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitida pelo Comunicado GGMON 005/2021 . A vacinação, até nova determinação, será restrita às grávidas e puérperas que apresentem comorbidades (doenças pré-existentes), utilizando tão somente os imunizantes Coronavac e Pfizer. A pasta orientou que a imunização de grávidas e puérperas sem comorbidades sejam suspensas, independentemente de qual vacina contra Covid-19 for aplicada.

Em 15 de abril o Ministério da Saúde incluiu as gestantes com comorbidades no grupo prioritário para receber a vacina contra Covid-19 e em 26 de abril a pasta decidiu incluir todas as grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto), sendo atendidas somente na fase II.

A determinação é válida até que sejam concluídas as análises do caso da morte de uma gestante, no RJ, que pode ter ligação com o uso da vacina AstraZeneca.

O caso

A Promotora de Justiça Thaís Possati de Souza (35) morreu no Rio de Janeiro após dar entrada em um hospital particular no último dia 5 de abril com um quadro grave de trombose em uma veia do cérebro. Ela e o bebê morreram na segunda-feira (10).  Thaís estava grávida de 27 semanas e atuava na 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Araruama. O caso aconteceu após a promotora ser vacinada com o imunizante AstraZeneca, mas ainda não há provas do motivo do óbito.

O que diz o laboratório AstraZeneca

O laboratório  AstraZeneca manifestou-se através de nota, sobre o caso:

“Referente a suspensão do uso da vacina AstraZeneca/Fiocruz por parte da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a AstraZeneca esclarece que as mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos. Esta é uma precaução usual em ensaios clínicos. Os estudos em animais não indicam efeitos prejudiciais diretos ou indiretos no que diz respeito à gravidez ou ao desenvolvimento fetal.”

O que dizem as bulas das vacinas

O Brasil usa três vacinas contra a Covid-19: a CoronaVac, a vacina de Oxford/AstraZeneca/Fiocruz e a da Pfizer, em menor escala. As bulas das três vacinas alertam para a falta de estudos para a vacinação em grávidas, conforme trechos transcritos:

Bula da AstraZeneca

“Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe o seu profissional de saúde se você estiver grávida, amamentando, pensando engravidar ou planejando ter um bebê. Há dados limitados sobre o uso da vacina Covid-19 (recombinante) em mulheres grávidas ou que estejam amamentando. Seu profissional de saúde discutirá com você se você pode receber a vacina.”

Bula da CoronaVac

“Estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas ou lactantes. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.”

Bula da Pfizer

“Se você está grávida ou amamentando, acredita que pode estar grávida ou está planejando ter um bebê, consulte o seu médico ou farmacêutico antes de receber esta vacina. Esta vacina não deve ser usada por mulheres grávidas, ou que estejam amamentando, sem orientação médica.”

Medidas tomadas pelo Estado de Rondônia

O  Governo do Estado de Rondônia, através da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), orientou às regionais de saúde e secretarias municipais de saúde a interrupção temporária da vacinação em gestantes e puérperas com a vacina contra a Covid-19 AstraZeneca/Oxford e a suspensão temporária da imunização desse grupo sem comorbidades, até uma próxima orientação.

Medidas tomadas pela Prefeitura de Porto Velho

A Prefeitura do Município de Porto Velho, contrariando as orientações do Ministério da Saúde e Agevisa, divulgadas em 11 de maio, decidiu dar continuidade na vacinação de gestantes e puérperas com ou sem comorbidades, na quarta-feira (12). As recomendações sanitárias do MS serão colocadas em prática apenas a partir da quinta-feira (13).

Elizeth Gomes, gerente da divisão de imunização de Porto Velho, tem uma visão diferente da recomendação sanitária: “O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina Astra Zêneca nas gestantes e puérperas. Em Porto Velho, usamos apenas a Pfizer, então seguimos normalmente com a vacinação desse público”, explica.

Inclusive, a Prefeitura de Porto Velho antecipou a vacinação das gestantes e puérperas sem comorbidades, que, segundo a nota técnica 467/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS emitida pelo Ministério da Saúde, seria apenas na fase II, após a imunização desse grupo, com comorbidades, que pertence à fase I.