Covid-19

Cabeleireira de Porto Velho morre menos de 2 meses após a segunda dose de vacina contra Covid-19

Geny Moreira(75), cabeleireira pioneira em cortes afro em Porto Velho, morreu num hospital em Campo Grande(MS) onde estava intubada por Covid-19.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 08/06/2021 - 03:24 • Atualizado 09/06/2021 - 20:16
Cabeleireira de Porto Velho morre menos de 2 meses após a segunda dose de vacina contra Covid-19
Geny Moreira - Foto: Redes Sociais

A cabeleireira Geny Moreira da Silva(75) morreu na segunda-feira(7) em um hospital de Campo Grande(MS) onde estava internada na UTI por Covid-19.

Dona Geny, como era conhecida pelos amigos, tomou as duas doses da vacina Coronavac neste ano, mas, 40 dias após a segunda dose, se infectou com coronavírus e precisou ser intubada. No hospital, não resistiu. O sepultamento será na tarde desta terça-feira(8) em Campo Grande(MS).

Pioneira em cortes afro na capital

Geny Moreira foi a primeira cabeleireira de Porto Velho especialista em cabelo afro. Os filhos dela, Natã e Eliabe Moreira seguiram os passos da mãe e criaram o conhecido salão de beleza Black & White na capital.

Natã Moreira, quando a mãe estava ainda internada na UTI fez um vídeo para alertar as pessoas que, mesmo com a segunda dose de vacina, a pessoa pode contrair e desenvolver sintomas graves de Covid-19 ao se infectar.

Eficácia das vacinas contra Covid-19

Quando as vacinas contra Covid-19 foram desenvolvidas, o mundo atravessava a primeira onda de coronavírus. A primeira vacina a ser disponibilizada foi a chinesa Coronavac na época em que as novas cepas da doença ainda não existiam. Ela tem eficácia geral de 50,38% após duas doses, segundo o Instituto Butantan, que produz a vacina no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada por cientista da Universidade Federal de Brasília(UnB), ela tem 50% de eficácia contra a variante do Amazonas, responsável por grande parte das mortes por Covid-19 neste ano.

A vacina AstraZeneca, também conhecida como vacina de Oxford, produzida no Brasil pela Fiocruz apresentou nos testes uma eficácia geral de 70% após as duas doses. No entanto, ela não é recomendada para gestantes e puérperas por causa das reações.  Pesquisa feita pela médica brasileira Sue Ann Costa Clemens para a Saúde Global da Universidade de Siena, na Itália, aponta eficácia da vacina AstraZeneca contra a cepa de Manaus entre 70 e 100% .

Já a vacina Pfizer, de acordo com o Centro de Controle e prevenção de Doenças dos Estados Unidos(CDC), tem eficácia geral de 94%.  Quanto à variante de Manaus, um estudo conduzido por cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, mostrou que a Pfizer mostrou eficácia “robusta” contra a cepa brasileira, mas, não divulgou percentual.

A necessidade de se vacinar contra a Covid-19

Os estudos realizados ao redor do mundo mostram que nenhuma das vacinas produzidas até agora garantem que as pessoas imunizadas não vão contrair a Covid-19, mas, mostram que a vacinação faz diminuir, e muito, a mortalidade pela doença.

A prova disto é a situação recente de Manaus, quando a nova cepa amazonense provocou a superlotação dos leitos de UTI, a falta de oxigênio nos hospitais e a abertura de covas coletivas em cemitérios por causa do alto índice de mortalidade. Situação que só foi controlada com a vacinação. Quando a capital do Amazonas atingiu o índice de 10% da população vacinada com duas doses, os índices começaram a cair até ficar em níveis não alarmantes.

Ou seja, vacinar é preciso, mas, não é garantia absoluta de que a pessoa não será infectada. Enquanto a vacinação não alcançar mais de 50% da população no geral, é bom, mesmo vacinado, não abandonar o uso da máscara, pois ainda falta longos passos no Brasil para alcançar a  chamada “imunidade de rebanho”.

Lembrando que a CPI da Covid mostrou que esta imunidade de rebanho já poderia ser a realidade do Brasil se o Governo Federal vacinasse grande parte da população ainda em 2020, conforme queriam os laboratórios, nas onze vezes em que ofertaram vacinas e foram ignorados pelo Ministério da Saúde.