Covid-19

Ministério da Saúde admite ineficácia de medicamentos do Kit Covid

O Ministério da Saúde admitiu em nota a ineficácia dos medicamentos para a CPI da Pandemia.

Por Redação Rondônia Já

quarta-feira, 14/07/2021 - 14:39
Ministério da Saúde admite ineficácia de medicamentos do Kit Covid
Jair Bolsonaro e Cloroquina - Foto: Reuters/Adriano Machado

O Ministério da Saúde admitiu em documentos enviados à CPI da Covid nesta semana que os medicamentos que compõem o chamado “kit covid”, amplamente defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro, são ineficazes contra o coronavírus. O documento, ao qual o site Congresso em Foco, do UOL, teve acesso diz o seguinte:

“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”.

Duas notas técnicas foram entregues à comissão atendendo um pedido do integrante da Comissão, senador Humberto Costa (PT-PE).

Os medicamentos são os mesmos usados no chamado tratamento precoce. Eles são defendidos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e indicados pelo aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCov, em Manaus (AM) em janeiro, no auge da crise de oxigênio no estado. A plataforma saiu do ar após a pasta alegar invasão hacker.

Em Rondônia, estes mesmos medicamentos foram distribuídos em aldeias indígenas no ano passado e são entregues até hoje à população, quando o Governo Estadual realiza ações de testagem coletiva rápida de Covid-19 e os resultados dão positivo.

Reportagem do Valor Econômico, do grupo Globo, de fevereiro deste ano, mostra que só no ano passado os laboratórios faturaram R$ 500 milhões com a venda destes medicamentos sem eficácia durante a pandemia.

CPI da Pandemia – Foto: Agência Estado

O gabinete paralelo do Ministério da Saúde

A CPI da Pandemia no Senado investiga se a existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde influenciou o atraso na compra das vacinas, o favorecimento de laboratórios e a compra de medicamentos do “kit covid” sem eficácia para o tratamento da doença.

Uma primeira lista de testemunhas investigadas pela CPI por terem composto este gabinete e insistido no uso dos medicamentos são: o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ex-chefe da comunicação do governo, Fábio Wajngarten, as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi e o ex-chanceler Ernesto Araújo.

Também estão na lista de investigados: o ex-assessor do Ministério da Saúde Elcio Franco, o conselheiro do presidente Arthur Weintraub, o empresário Carlos Wizard, Franciele Fantinato, Helio Neto, Marcellus Campelo, Paulo Marinho Zanotto, Luciano Dias Azevedo e o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga.