Covid-19

Dia dos pais triste: pai lembra que filho morreu por recusar a vacina contra a Covid-19

O pai de Itanel , com 75 anos e vacinado, conta que seu filho achava que não iria adoecer e que vacina era bobagem.

Por Redação Rondônia Já

domingo, 08/08/2021 - 18:20 • Atualizado 19:57
Dia dos pais triste: pai lembra que filho morreu por recusar a vacina contra a Covid-19
Da esquerda para a direita, José, o filho Itanel, a esposa e as filhas - Foto: arquivo pessoal

Nesse Dia dos Pais, para José dos Santos, 75 anos, morador da zona rural de Acorizal (74 km de Cuiabá), não são muitos os motivos para comemorar. Em julho, ele perdeu o filho, Itanel de Oliveira dos Santos, 50 anos, morador de Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá) para o vírus da Covid-19.

O seu caso ilustra a história de muitas famílias que perderam parentes sem terem sido vacinados. Uma diferença, porém, acende um alerta: Itanel escolheu não se vacinar.

“Ele falou assim ‘eu vou morrer por bobeira’, mas o que que ia fazer. Falou quando ele já estava com sintoma grave … eu falei pra ele tomar, mas não tinha mais tempo”, compartilha o pai ao Portal Olhar Direto (MT) sobre a confissão, que recebeu por telefone, do filho nas vésperas da sua morte, conforme seu quadro avançava negativamente no hospital.

Trabalhando como caminhoneiro, Itanel foi diagnosticado no início da primeira quinzena de julho e demorou a procurar atendimento médico. Em sua casa, foram infectados ele e a esposa, Cleusa Peres, ambos sem terem sido vacinados, por escolha. Cleusa sobreviveu, porém, ele não teve a mesma chance e faleceu no dia 13 de julho.

“Quando ele deu os sintomas ele foi arruinando. Com 4, 5 dias ele entubou e não teve jeito. Ele morreu com 8 ou 10 dias [após ter sido internado] . Ele achava que ele e a mulher não ia adoecer”, conta o pai.

Filho tinha medo da vacina

Ele falou assim ‘eu vou morrer por bobeira’, mas o que que ia fazer. Falou quando ele já estava com sintoma grave … eu falei pra ele tomar, mas não tinha mais tempo

Na família de José, apenas Itanel não havia se vacinado. Ele, a esposa e as duas filhas já haviam sido imunizados. Com isso, apesar de terem sido infectadas em outra ocasião, as filhas, por exemplo, não tiveram complicações graves da doença.

O filho Itanel demorou a procurar atendimento após diagnóstico

O filho Itanel demorou a procurar atendimento após diagnóstico – Foto: Rogério Fiorentino

Quando fala sobre o episódio trágico atravessado com o filho, ele relembra o medo que Itanel tinha da vacina. “Parece que ele tinha medo, dizia que ia ser pior. Ele achava que não precisava, que isso aí era bobagem”.

Conforme se aproxima a data que celebra a relação entre pais e filhos, o pai fala da dor e da superação que atualmente envolve a perda precoce do filho. Uma doença que poderia não ter o matado, caso ele tivesse decido se vacinar.

“Eu entreguei nas mãos de Deus, orei. Ele era o único filho de homem. A gente sente, mas com força, com vigor, estamos vencendo”, diz. “Foi rápido, eu fiquei até admirado de ver”.

Nesse Dia dos Pais, sem muito o que comemorar, ele diz que não deve se reunir com o restante da família, e se apega a religião para superar a perda do primogênito. “Eu tenho muitos parentes, muitas pessoas que estão chamando [para celebrar a data], [mas] eu tô evitando … mas eu vou vencer se Deus quiser”.

Pai incentiva a vacinação

Da morte de Itanel até este domingo (8), data que se celebra a data, passaram-se cerca de um mês. Tendo atravessado o luto, José utiliza a história do filho para deixar uma mensagem de incentio a adesão da população à vacinação.

“A vacina é coisa básica, nós temos que acompanhar a medicina… ele [Itanel] não queria. [Mas] a pessoa tem que ter coragem, acreditar que aquela vacina, [que ela] vai ser boa”.

Imunizado com as duas doses, o pai enlutado faz questão de falar que caso haja a possibilidade de uma terceira dose de reforço, ele não deve hesitar em aceitar se vacinar novamente. Com a perda do filho, os motivos se tornaram ainda maiores.

“Eu vacinei, vou acompanhar, [talvez] tá chegando a outra, se eu levar, [se] alguém perguntar ‘você vai vacinar?’, eu vacino de novo porque é o bem estar para mim”.

Vacinação é segura e deve ser estratégia coletiva

De acordo com Danyenne Rejane de Assis, médica infectologista do Hospital Universitário Júlio Muller, a imunização contra a Covid-19 é importante por dois pontos de vista. O primeiro deles é a proteção individual, que confere ao vacinado a maior segurança de não desenvolver casos graves da doença.

O filho Itanel era caminhoneiro

O filho Itanel era caminhoneiro – Foto: Reuters

“Apesar da gente saber que a maioria dos indivíduos jovens vai evoluir bem, a gente não tem como afirmar quem vai ficar grave.

Apesar de ter probabilidades maiores para aqueles que possuem comorbidades, doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, problemas pulmonares, existe também essa probabilidade para pessoas sem problemas de saúde”, explica a médica sobre a importância individual.

Outro ponto, este o principal segundo ela, é o epidemiológico, que está relacionado a proteção coletiva. Isto porque quanto mais pessoas vacinadas, menos circulação do vírus deve haver e mais pessoas protegidas de possíveis infecções e casos graves. Um impacto disso é, por exemplo, a queda na curva de casos e óbitos.

“Indivíduos jovens que falam pra mim, ‘ah não vou vacinar porque sou jovem, porque vou ficar bem’. [Eu] falo não. A probabilidade de que vai ficar bem, se estiver doente, é alta mesmo, mas tem que vacinar pelos seus pais, pelos seus avós, pelos pais dos seus amigos, os avós dos seus amigos [que podem ter casos graves]”, destaca Rejane.

Um benefício adicional mencionado pela infectologista é ainda a prevenção contra o surgimento de mutações e novas cepas do vírus do Sars-Cov-2.

Isso ocorre porque quanto maior a livre circulação do vírus, maior também deve ser o risco de alterações na sua estrutura genética. “Quanto menos vírus a gente tem rodando em uma população, menos chance de criar novas variantes nós vamos ter”.

Maior parte dos óbitos são de pessoas não vacinadas

Após o início da vacinação em 2021, 94% das mortes causadas pelo novo coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso foram de pessoas que não estavam imunizadas, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), com base nas informações oficiais do sistema IndicaSUS, mantido pelo Ministério da Saúde.

O percentual reforça que a vacinação é o meio mais eficaz de prevenir mortes pela Covid-19.

“No momento, não há meio mais efetivo de se prevenir a Covid-19. Por isso, alertamos à população sobre a importância da vacina na contenção da pandemia.

Precisamos do empenho de toda a sociedade, pois a imunização é uma estratégia coletiva e não individual”, diz o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

Para o secretário adjunto de Vigilância e Atenção à Saúde, Juliano Melo, o levantamento, que considerou as notificações feitas de janeiro a julho de 2021. aponta que está sendo comprovada a eficácia esperada dos imunizantes.

“Mais de 94% das pessoas que vieram a óbito em Mato Grosso não tomaram a primeira ou segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Já se percebe que a proteção aos casos graves e óbitos, entre as pessoas que tomaram uma ou duas doses da vacina, é extremamente maior do que naqueles que não tomaram. Isso corrobora com pesquisas que são desenvolvidas sobre a eficácia das vacinas, independentemente do tipo do imunizante”, pontua.

Fonte: de Michael Esquer do Olhar Direto (MT)