Covid-19

Um ano e meio após começo da pandemia, MS lança programa-piloto de testagem em massa

Após a testagem, Queiroga comeu pastel numa lanchonete, onde houve aglomeração. Cotado ao Senado para as eleições/2022, aproveitou para tirar fotos e conversar com a população.

O Globo/Redação Rondônia Já

sábado, 14/08/2021 - 17:14 • Atualizado 15/08/2021 - 04:18
Um ano e meio após começo da pandemia, MS lança programa-piloto de testagem em massa
Queiroga em lançamento de evento piloto de testagem em massa - Foto: MS/divulgação

O Ministério da Saúde iniciou neste sábado um programa-piloto de testagem em massa, que planeja aplicar mensalmente até 26 milhões de testes rápidos da Covid-19. O local escolhido para começar os trabalhos foi a Feira dos Importados, em Brasília, mas a ideia da pasta é expandir para todo o país.

O ministro Marcelo Queiroga não deu previsão, contudo, de quando a ação se estenderá a outros estados. Segundo o cardiologista, a pasta aguarda a chegada de cerca de 4 milhões de testes da fundação. Mas o plano é alcançar 60 milhões de exames. O número, continua, dependerá do cenário em que se encontra a pandemia no país.

— Aqui em Brasília é um piloto do que será feito no Brasil. A nossa meta é ampliar a testagem em pacientes assintomáticos, porque poderemos detectar os casos que são positivos e fazer o devido isolamento bem como os seus contactantes — declarou o cardiologista.

Desde o início da pandemia, não há programa de testagem em massa no Brasil — a realização de exames era de responsabilidade de estados e municípios. A estratégia foi anunciada em maio, mas seguia no papel desde então.

— A tecnologia evoluiu ao longo dessa pandemia. No início, o que se dispunha era o teste RT-PCR, que, ainda hoje, é o padrão ouro. A oferta dessas testes não era grande e havia um retardo entre a realização do exame e o resultado. Hoje, com o teste rápido de antígeno, o resultado é quase que imediato e as decisões sanitárias podem ser tomadas com maior celeridade — continuou.

Testagem em massa na Feira dos Importados, em Brasília

Testagem em massa na Feira dos Importados, em Brasília – Foto: MS/divulgação

Com o programa, o governo planeja analisar a disposição dos cidadãos em realizar testes rápidos, o perfil epidemiológico dos voluntários e a quantidade de casos positivos, entre sintomáticos ou não. Junto ao avanço da vacinação contra a Covid-19 e a antecipação da segunda dose da Pfizer a partir de setembro, o programa de testagem pode ajudar a barrar o avanço da variante Delta no Brasil.

Os interessados passam por uma triagem, da qual são encaminhados para o exame, com teste de antígeno nasal. O resultado demora de 15 a 20 minutos. Depois disso, é possível pegar um comprovante do exame e, se necessário, um atestado. Ao todo, são cerca de 200 voluntários. O trabalho, que começou de manhã, deve continuar até as 14h.

Ao lado de Queiroga, estavam a ministra-chefe da Secretaria de Governo, Flavia Arruda, e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz. Após o evento de lançamento, os três comeram pastel numa lanchonete do local, onde houve aglomeração. O ministro, cotado para disputar o Senado nas eleições de 2022, aproveitou a ocasião para tirar fotos e conversar com a população.

Também estavam presentes a secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Melo, o secretário de Saúde do Distrito Federal, Osnei Okumoto, e a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Socorro Gross.

Como o GLOBO mostrou no último domingo, Queiroga acumula uma série de promessas não cumpridas à frente do ministério, desde que assumiu o cargo, em março. A mais emblemática delas era, justamente, o programa de testagem em massa. Segundo o projeto anunciado em 21 de maio, incluiria de 20 a 26 milhões de testes de antígeno — com menor sensibilidade que o RT-PCR — por mês em todo o país.

À época, a estratégia era testar semanalmente profissionais com alto risco de exposição ao coronavírus, como os de saúde, educação e segurança. Primeiro, haveria ampla testagem para casos sintomáticos. Depois, realizaria busca ativa em assintomáticos, pré-sintomáticos ou suspeitos. Por último, chegaria a vez da testagem por amostra da população, a fim de monitorar o contágio ao longo do tempo.

Entre outras promessas não cumpridas pelo ministério, está a divulgação de protocolo sanitário para transporte coletivo. A diretriz, anunciada em abril, ainda não foi publicada e é considerada essencial para frear o avanço da variante Delta.

Fonte: por Melissa Duarte em O Globo