Indígenas

Almir Suruí presta depoimento na Polícia Federal e entidades criticam atitude da Funai

Almir Naramayoga Suruí foi obrigado a prestar depoimento na delegacia da Polícia Federal em Ji-Paraná para esclarecer denúncia da Funai

Por Marcos Gomes - Rondônia Já

terça-feira, 04/05/2021 - 19:37 • Atualizado 15/06/2021 - 00:59
Almir Suruí presta depoimento na Polícia Federal e entidades criticam atitude da Funai

E o atual Governo Federal não tem medido forças para oprimir as representações indigenas mais relevantes e que são lideranças políticas e sociais no Brasil, na segunda-feira (03) após intimação Almir Naramayoga Suruí foi obrigado a prestar depoimento na delegacia da Polícia Federal no município de Ji-Paraná para esclarecer denúncia feita pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Suruí foi notificado de queixa-crime da entidade, que curiosamente deveria defender os interesses indígenas, por supostas declarações consideradas caluniosas e também de propagar notícias falsas em que apontou as falhas do órgão nesse período de pandemia da Covid-19.

Vale lembrar que em janeiro deste ano, Almir Suruí subscreveu, junto com o cacique kayapó Raoni, um pedido de investigação contra o presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional (TPI) por aumento da destruição na Amazônia e ataques aos direitos indígenas. Um dos pesos contrários que a Funai agora aponta como sendo um ato difamatório do lider indígena.

Almir não poupou críticas ao Governo Federal da condição dos povos indígenas ainda não receberem – em sua grande parte – as vacinas contra Covid-19 e, mais grave, omitir uma fiscalização apta e eficiente que não permita a ação de garimpagem clandestina em terras indígenas.

As denúncias pesaram e como flechas foram certeiras na Funai, que acionou a Polícia Federal para ouvir Almir. Até o momento a imprensa não teve acesso ao inquérito e depoimento do Suruí. A Polícia Federal apenas divulgou que está sob sigilo.

Pelo resto do país, entidades solidarizaram com Almir Suruí e condenaram a atitude virulenta da Funai, que está fugindo de sua diretriz básica, a defesa dos povos indígenas.

Uma dessas entidades, a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos reagiu à criminalização da luta indígena promovida pelo governo de Jair Bolsonaro, pela mobilização de intimidar um dos principais líderes indígenas do país, Almir Suruí, obrigado a prestar depoimento na Polícia Federal.

Em nota divulgada na imprensa a Comissão Arns criticou a atitude da Funai. Destaca em um trecho:

“(…) Papel constrangedor
A Funai, em vez de cumprir a sua missão institucional de proteger os direitos constitucionais dos povos indígenas, denunciando violações a esses direitos no contexto da pandemia, assim como combatendo as invasões cada vez mais catastróficas das terras indígenas, vem se prestando ao constrangedor papel de silenciar denúncias e intimidar indígenas – neste caso, com o auxílio inexcusável da PF.”