Indígenas

Polícia Federal arquiva inquérito contra cacique rondoniense Almir Suruí

O arquivamento foi feito pelo delegado Jorge Florêncio de Oliveira, da PF de Ji-Paraná, que não encontrou indícios de difamação contra a Funai numa campanha realizada pela liderança indígena.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quinta-feira, 06/05/2021 - 18:00 • Atualizado 15/06/2021 - 00:53
Polícia Federal arquiva inquérito contra cacique rondoniense Almir Suruí
Almir Suruí - Redes sociais

A Polícia Federal arquivou na quarta-feira (5), o inquérito  contra o cacique Almir Suruí, aberto em Rondônia através de uma representação da Funai de Brasília alegando que a liderança indígena, uma das principais do país, teria difamado a entidade. O pedido foi feito pelo presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier, que também é delegado do Polícia Federal. Segundo reportagem da BBC, o presidente da Funai é alvo de uma investigação por supostamente ter dado um soco no rosto do próprio pai.

O inquérito contra Almir Narayamoga Suruí foi aberto para investigar duas associações indígenas relacionadas ao líder indígena.  Segundo o relatório final do delegado Jorge Florêncio de Oliveira, da PF de Ji-Paraná (RO),  “não restou evidenciado o dolo de difamar no caso em tela, isso porque o crime em voga requer dolo de dano, consistente na vontade de ofender a honra da vítima”. O documento cita que “os representantes do Instituto Wãwã Ixotih e Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí promoveram campanha com a finalidade de arrecadação de mantimentos para famílias que habitam nas aldeias da Terra Indígena Sete de Setembro, sem a pretensão de macular a reputação da Funai, isto é, o bom conceito que ela desfruta na coletividade”.

Esta é a segunda vez, na mesma semana, que a Funai é derrotada na “perseguição às lideranças indígenas do país”, termo usado pelas ONGs indigenistas. Na quarta-feira (5), a Justiça Federal do DF determinou o trancamento do outro inquérito que investigava, em Brasília, a líder indígena Sonia Guajajara e a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). A decisão judicial também apontou ausência de elementos mínimos para dar sequência a uma investigação.

Segundo a Funai, Almir Suruí teria difamado a Fundação na campanha “Povos da floresta contra a Covid-19”, veiculada na internet em setembro do ano passado, para arrecadar insumos aos indígenas.

Antes do inquérito ser arquivado por falta de provas que comprovem a acusação, Almir Suruí fez o seguinte desabado nas redes sociais:

Post de Almir Surui nas redes sociais