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Indígenas fecham Funai em Guajará-Mirim (RO) em protesto contra irregularidades

Segundo os manifestantes, o atual coordenador da Funai de Guajará-Mirim não tem feito nada para impedir a invasão das terras indígenas por madeireiros, entre outras irregularidades.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 13/07/2021 - 16:08 • Atualizado 21:00
Indígenas fecham Funai em Guajará-Mirim (RO) em protesto contra irregularidades
Indígenas fecham Funai em Guajará-Mirim - Foto: Clarice Canoe

Um grupo de indígenas fechou nesta terça-feira (13) a Coordenação Regional da Funai, em Guajará-Mirim, município de Rondônia, que fica na fronteira entre Brasil e Bolívia.

Na região, existem 6 terras indígenas com 32 aldeias e quase cinco mil indígenas.

O protesto pede a exoneração do recém-nomeado coordenador regional Euro Ferreira Guedes, que segundo os manifestantes, não tem feito nenhum esforço para impedir invasões aos territórios indígenas e negou incentivo e assistência ao escoamento da produção e também dificultou o acesso de equipes para manutenção de rede elétrica e de internet.

Protesto indígena na Funai de Guajará-Mirim – Foto: Clarice Canoe

As denúncias indígenas

Segundo a liderança indígena Morotin Clarice Canoe, todas as etnias da região acima de 18 anos estão imunizadas contra a Covid-19 e, mesmo assim, a Coordenação da Funai não permite a entrada de equipes para fazer a manutenção da rede elétrica e instalar internet para o ensino à distância.

A denúncia mais grave é a de que servidores da Funai de Guajará-Mirim, responsáveis pela fiscalização, estariam permitindo a entrada de madeireiros para a extração ilegal de madeira nas terras indígenas da região. Eles pedem também a exoneração destes servidores.

Os manifestantes também alegam que uma das aldeias recebeu uma voadeira com motor novo, de uma deputada federal, no entanto, a embarcação que a Funai entregou era usada e o motor estava desmontado.

A manifestação é pacífica. Os indígenas disseram que quando chegaram ao local, os servidores não estavam trabalhando. Os manifestantes desconfiam que já estavam sabendo antecipadamente da movimentação desta terça-feira (13) através de vazamento de informações. O prédio deve permanecer ocupado, segundo os indígenas, até o Coordenador ser exonerado.