Indígenas

Na contramão do Brasil, o vizinho Peru demarca terra de indígenas isolados

Desde 1993 a Terra Indígena Kakataibo esperava a demarcação do governo do Peru.

Por Redação Rondônia Já

terça-feira, 27/07/2021 - 23:28 • Atualizado 28/07/2021 - 19:17
Na contramão do Brasil, o vizinho Peru demarca terra de indígenas isolados
Malocas de indígenas isolados no Peru - Foto: Minc Peru

O governo peruano, após anos de campanha, finalmente demarcou a terra do povo indígena isolado Kakataibo.

A Reserva Indígena Kakataibo cobre quase 150.000 hectares e teve sua demarcação formalmente solicitada em 1993, pela organização indígena peruana AIDESEP.

As organizações indígenas locais FENACOKA (Federação Nativa de Comunidades Kakataibo), ORPIO e ORAU, junto com a AIDESEP e apoiadores da Survival de todo o mundo, pressionaram o governo peruano para finalmente demarcar a terra indígena, o que é vital para proteger as vidas dos Kakataibo e sua floresta. Apoiadores da Survival enviaram cerca de 7.000 e-mails ao governo peruano.

A notícia chega poucos meses após a demarcação de outra terra de indígenas isolados, conhecida como Yavari-Tapiche, no norte do país.

Povos isolados do Peru – Foto: Survival

O Peru é o segundo país que mais tem povos indígenas isolados no mundo, atrás apenas do Brasil. Outras quatro terras indígenas de povos isolados ainda aguardam proteção legal. Em toda a fronteira isolada amazônica, violência, invasões de terras, extração de madeira e garimpo ilegal estão aumentando a um ritmo alarmante, principalmente no Brasil, após Jair Bolsonaro assumir a presidência.

Há poucas semanas, no Peru, a organização indígena ORPIO denunciou a presença contínua de empresas madeireiras dentro da recém-criada Terra Indígena Yavari-Tapiche.

Teresa Mayo, pesquisadora da campanha da Survival no Peru, disse hoje: “Esta é uma grande vitória para o movimento indígena peruano e seus apoiadores em todo o mundo. O território Kakataibo já havia sido cortado ao meio por uma rodovia, e a invasão e a destruição de sua floresta tropical estavam se intensificando.”

“Este é um ato fundamental para evitar que os Kakataibo sejam dizimados: mas agora o governo precisa proteger permanentemente a terra indígena e remover todos os invasores do território. A demarcação é apenas o primeiro passo – suas fronteiras devem ser devidamente protegidas e as concessões para a extração de madeira dentro da terra devem ser canceladas.”

Herlin Odicio, presidente da Fenacoka – Foto: Ivan Brehaut

Fonte: Survival