Indígenas

Indígena Yanomami morre ao ser atropelado por avião de garimpeiros

O indígena morto tinha apenas 25 anos. Um outro avião que pousou no local foi apreendido logo em seguida.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 30/07/2021 - 21:33 • Atualizado 31/07/2021 - 20:18
Indígena Yanomami morre ao ser atropelado por avião de garimpeiros
Pista onde Yanomami foi atropelado por avião - Foto: Reprodução

Um jovem indígena de 25 anos morreu ao ser atropelado por um avião de garimpeiros em uma pista na comunidade Homoxi, localizada dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Edgar Yanomami foi atropelado pela aeronave na quarta-feira (28) e morreu na hora, mas, o caso só foi divulgado na tarde desta sexta-feira (30), por conta do isolamento da área. Logo após o acidente, pousou na mesma pista um segundo avião que foi imediatamente apreendido pelos indígenas.

Homoxi é uma comunidade cercada pelo garimpo ilegal na região, que concentra mais de 20 mil garimpeiros. Os indígenas vivem no meio dos invasores.

Segundo relatos dos indígenas, os próprios garimpeiros levaram o corpo de Edgar para a comunidade Yamasipiu, região de Haxiu, distante cerca de 15 Km de onde ocorreu o atropelamento. A pista onde houve o atropelamento existe desde a década de 1980.

Avião apreendido por Yanomamis – Foto: Junior Hekurari Yanomami

Morte de indígena denunciada

A morte do jovem foi denunciada à Polícia Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Civil, Ministério Público Federal, Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.

A Polícia Civil de Roraima afirmou não ter registrado boletim de ocorrência e nem acionado o Instituto Médico Legal (IML) para remover o corpo até o fim da tarde de sexta-feira.

Os indígenas Yanomami relataram que os garimpeiros tentaram suborná-los com ouro para que eles não divulgassem nada. No local, a movimentação de aviões e helicópteros é intensa.

Na comunidade Homoxi vivem cerca de 254 Yanomamis. A localidade é uma das três citadas na denúncia de que servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, vacinaram garimpeiros em troca de ouro. O caso está sob investigação do Ministério da Saúde e o Ministério Público Federal (MPF).

A Terra Yanomami com quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, e parte da Venezuela, é a maior reserva indígena do Brasil. Aproximadamente 27 mil indígenas vivem na região em mais de 360 comunidades. Quase a mesma quantidade de garimpeiros também está na Terra Indígena extraindo ilegalmente ouro, sob as benções de políticos e autoridades que pouco, ou nada fazem para resolver a situação de forma definitiva.

Por ordem expressa do STF, o Governo Federal realiza desde 29 de junho a Operação Omama na região. A Polícia Federal, as Forças Armadas e outras forças estão retirando garimpeiros e destruindo os maquinários, mas, a a quantidade de garimpeiros é muito maior do que o efetivo policial. Quando os policiais saem de determinada localidade, tudo volta a ser como antes, com os garimpeiros dominando uma Terra que pertence à União e ao povo Yanomami.

Garimpo na Terra Yanomam – Foto: Divulgação

A área é alvo do garimpo ilegal de ouro desde a década de 1980. Nos últimos anos, principalmente desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, a presença dos invasores em busca do minério se intensificou, causando  conflitos armados, a degradação da floresta e ameaça a saúde dos indígenas.

A invasão garimpeira provocou a contaminação dos rios e destruição da floresta, impactando diretamente a saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.

O número de casos de Covid entre indígenas que habitam a Reserva, aumentou 250% em razão da presença de garimpeiros.

Fonte: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)