Indígenas

Brasil registrou 101 suicídios de indígenas em 2020

No Oeste do Paraná, apenas neste ano, foram registrados ao menos 14 suicídios de jovens indígenas – três deles apenas em julho passado.

O Globo/Rondônia Já

sexta-feira, 13/08/2021 - 16:10 • Atualizado 17:00
Brasil registrou 101 suicídios de indígenas em 2020
Aldeia Ara Porã em Santa Helena, no Paraná - Foto: O Globo

O problema do suicídio indígena, que eclodiu neste ano no Paraná, tem sido recorrente no Brasil. O Relatório de Violência contra os Povos Indígenas, a ser ainda divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou 101 suicídios de indígenas no país em 2020. Os maiores números ocorreram no Amazonas (39 casos), Mato Grosso do Sul (32 casos) e Roraima (10).

Enquanto no Mato Grosso do Sul as mortes são vinculadas à falta de terras, com povos vivendo em espaços minúsculos, no Amazonas as vítimas são principalmente do povo Ticuna, que vive no Alto Solimões e Alto Rio Negro. Em Roraima, área dos ianomamis, os dados não são disponibilizados por povos.

No Amazonas as cidades estão encostando nas terras indígenas. Enormes aldeias do povo Ticuna, por exemplo, estão virando cidades. Tem ainda o racismo, o preconceito e a presença do tráfico no estado, aumentando os conflitos. As religiões, que eram poucas, agora são muitas. É um contexto difícil de lidar — afirma a antropóloga Lúcia Helena Rangel, uma das responsáveis pelo relatório.

Segundo ela, embora as terras no Amazonas sejam grandes, quando os indígenas precisam de serviços médicos, por exemplo, precisam buscá-los nas cidades. Em Roraima, há também a presença dos garimpeiros dentro dos territórios indígenas, com conflitos cada vez maiores.

Casos explodem no Sul

O suicídio de jovens indígenas tem chamado a atenção no Sul do país, onde há cerca de 5 mil indígenas sem-terra, segundo levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Eles vivem em 57 acampamentos à beira de rodovias. A maioria mora em barracos de lona ou de madeira tipo compensado em terras sob disputa, com ameaça constante de reintegração de posse.

No Oeste do Paraná, apenas neste ano, foram registrados ao menos 14 suicídios de jovens indígenas – três deles apenas em julho passado. Nos sete primeiros meses de 2021 houve ainda 22 tentativas de suicídio. A idade média das vítimas não passa de 19 anos.

Paralisação de estudos para demarcação de territórios, insegurança jurídica das terras indígenas já ocupadas e o abandono são alguns temas de pano de fundo para a tragédia que se abate no Paraná.

Fonte: Por Cleide Carvalho em O Globo

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