Justiça

Ministério Público Federal e Estadual do Acre acionam Bolsonaro por provocar aglomeração na Ponte do Abunã

O Ministério Público Estadual e Federal do Acre entraram com representação contra o presidente da República por crimes contra a saúde pública na inauguração da Ponte do Abunã.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quinta-feira, 03/06/2021 - 14:45 • Atualizado 04/06/2021 - 01:03
Ministério Público Federal e Estadual do Acre acionam Bolsonaro por provocar aglomeração na Ponte do Abunã
Aglomeração de Bolsonaro na Ponte do Abunã - Foto: ac24horas

O Ministério Público Estadual (MP-AC) e o Ministério Público Federal (MPF-AC) do Acre entraram juntos com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR), pedindo ao procurador-geral Augusto Aras a responsabilização do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) e comitiva, por crimes contra a saúde pública.

Na representação, os procuradores estaduais e federais acreanos alegam que Bolsonaro nada fez para evitar aglomeração e ignorou o uso de máscara durante a inauguração da Ponte do Abunã sobre o Rio Madeira, no dia 6 de maio, em Porto Velho (RO), na divisa de Rondônia com o Acre.

Leia mais sobre a inauguração da Ponte

Dias antes da inauguração, os órgãos encaminharam uma recomendação às autoridades pedindo o uso de máscara e cuidados para evitar aglomerações. Nada disto foi observado no evento, onde foi montado até palanque com direito à discursos e muita gente aglomerada, a maioria seguindo o exemplo de Bolsonaro, que não colocou máscara um minuto sequer, num completo desprezo as recomendações sanitárias do próprio Ministério da Saúde para evitar a contaminação por Covid-19.

Os órgãos citam que todos os desrespeitos aos protocolos de saúde foram divulgados e registrados tanto pela assessoria do presidente como pelo governo do Acre.

A representação foi assinada pelos procuradores da República Lucas Costa Almeida Dias e Humberto Aguiar Júnior, pelo procurador de Justiça Sammy Barbosa Lopes e pelo promotor de Saúde do MP-AC, Glaucio Ney Shiroma Oshiro.

Aglomeração de Bolsonaro na Ponte do Abunã – Foto Ac24h

A inauguração

A Ponte do Abunã sobre o Rio Madeira, iniciada em 2014 por Dilma Rousseff  (PT) através de uma emenda da então senadora Fátima Cleide (PT), foi inaugurada por Bolsonaro em 06 de maio.

Na realidade, o presidente veio inaugurar os 15% que faltavam para concluir a obra e continuou o protocolo adotado por ele em todas as inaugurações anteriores de obras, a maioria quase concluídas por governos anteriores. Ou seja, o tempo todo estimulou a aglomeração de pessoas, andando no meio da multidão sem máscara.

No discurso, repetiu diversas vezes as palavras “meu exército, minha marinha, minha aeronáutica”, como se estas instituições pertencessem à um indivíduo, ao invés do Estado Maior. O não uso de máscara continuou até o fim do discurso, bem como a aglomeração da multidão.

Alheio ao imenso panorama de tragédias que se transformou o País, por causa da falta de políticas públicas para conter a pandemia, Jair Bolsonaro, após a solenidade de inauguração fez um último ato de escárnio às leis. Montou em uma moto, com Luciano Hang de carona e dirigiu sem capacete pela Ponte do Abunã.

Bolsonaro e Luciano Hang na Ponte do Abunã – Foto: Redes sociais

Fonte: Assessoria MPF/AC