Meio Ambiente

Floresta Nacional em Rondônia foi loteada por grupo de invasores preso pela Polícia Civil

Floresta Nacional de Jacundá está entre as invasões comandadas por grupo criminoso preso na sexta-feira (11) pela Operação Canaã, da Polícia Civil de Rondônia.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sábado, 12/06/2021 - 00:58 • Atualizado 13/06/2021 - 01:10
Floresta Nacional em Rondônia foi loteada por grupo de invasores preso pela Polícia Civil
Invasores na FLONA Jacundá em Rondônia - Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Rondônia prendeu 17 pessoas na sexta-feira (11) durante a Operação Canaã. Mais 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Porto Velho, Ji-Paraná, Seringueiras, Mirante da Serra, São Miguel do Guaporé, todas em Rondônia e na cidade de Várzea Grande-MT.

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha invadiu terras particulares, principalmente na região de São Francisco do Guaporé.

Para fazer as ações criminosas, os invasores mapeavam os lotes da área e depois invadiam a propriedade privada utilizando armamento de alta letalidade e ofereciam cotas aos camponeses e investidores mediante pagamento de dinheiro, veículos e armas, prometendo a legalização da posse após a tomada do local, se referindo à Canaã, a terra prometida. Abaixo está o vídeo da Operação realizada pela Polícia Civil:

Grupo também invadiu Floresta Nacional

O site Rondoniaja.com conversou com fontes ligadas ao Governo Federal que confirmaram a ligação do mesmo grupo com outra invasão, a da Floresta Nacional do Jacundá, no município de Candeias do Jamari, próximo à Porto Velho, capital de Rondônia.

O grupo invadiu Jacundá, segundo as investigações que estão em curso, no dia 15 de fevereiro deste ano. São cerca de 300 invasores. O grupo seria chefiado por um advogado que também coordena invasões em outras Unidades de Conservação.

Leia aqui sobre outras invasões em Rondônia

Os invasores, bem organizados, montaram um grupo no WhatsApp,  Jacundá, a Terra Prometida e também criaram um canal no Youtube, com vídeos chamando pessoas para invadir a área.

No Youtube, os vídeos foram retirados após o grupo ser exposto nacionalmente em duas reportagens, uma no jornal  O Globo e outro na Folha de São Paulo.

No grupo de WhatsApp, o visitante que entrava por um link de convite, era recebido com a seguinte mensagem:

Jacundá, a Terra Prometida – Foto: WhatsApp

Jacundá, a Terra Prometida continuação – Fonte: WhatsApp

Único vídeo que restou

No grupo de WhatsApp, todos os vídeos, que eram provas contra o grupo foram apagados, só restando um, de Humberto Pereira, um dos líderes da invasão:

Investigações em curso

Um dos 17 presos pela Polícia Civil, na Operação Canaã, na sexta-feira (11), conhecido como Cristiano, era um dos organizadores da invasão da Flona Jacundá, como está evidenciado na troca de mensagens abaixo:

Mensagem do grupo Jacundá – Fonte: WhatsApp

Na reportagem de O Globo, Cristiano Dias é apontado como chefe do assentamento ilegal da Flona do Jacundá e contou para a equipe que decidiu liderar a invasão depois de ver reportagens nas quais o presidente Jair Bolsonaro e  o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diziam que revisariam a situação das unidades de conservação na Amazônia.

 

Cristiano Dias – Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Na realidade, a comunidade invasora é muito diferente do Movimento Sem Terra (MST), de origem socialista.

A equipe de O Globo, que foi até o local e entrevistou várias pessoas, viu que organizam cultos religiosos e oram pelo presidente Bolsonaro, configurando um novo modelo, o de invasores de terra de extrema-direita.

O caso foi denunciado ao Ministério Público Federal e também para a Polícia Federal que estão investigando a organização.

Em 03 de maio deste ano, um corpo foi encontrado queimado nos arredores da Flona Jacundá.  Ainda não há nenhuma evidência concreta de ligação do crime com o grupo, mas, o caso está sob investigação.

Corpo encontrado no entorno da Flona Jacundá – Foto: Polícia Militar RO