Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia Legal bate recorde de 1.125 km² em maio, equivalente à área do município do RJ

Pará e Amazonas ficam no ranking de primeiro e segundo lugares, respectivamente, dos estados onde mais houveram desmatamento na Amazônia Legal.

Liebe Schmidt

quinta-feira, 17/06/2021 - 01:56 • Atualizado 22:55
Desmatamento na Amazônia Legal bate recorde de 1.125 km² em maio, equivalente à área do município do RJ
Queimadas na Amazônia Legal - Foto: Amazônia Latitude

Uma área de floresta quase do tamanho do município do Rio de Janeiro foi desmatada na Amazônia Legal apenas em maio de 2021. É a terceira vez consecutiva que a destruição deste bioma bate o recorde em uma década: março e abril também registraram os piores índices desde 2012. As informações são do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), ferramenta de monitoramento da Amazônia baseada em satélites, desenvolvida pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Em maio de 2021, o SAD detectou 1.125 km² de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento descomunal de 70% em relação a maio de 2020, quando a área desmatada somou 660 km². “Esse aumento expressivo em maio é muito preocupante porque estamos entrando na estação seca, que na maior parte da Amazônia Legal ocorre entre junho e setembro, quando historicamente são registrados os picos de desmatamento do ano”, comenta o pesquisador do Imazon, Antonio Fonseca.

Pará e Amazonas ficam no ranking de primeiro e segundo lugares, respectivamente, dos estados que mais desmataram na Amazônia Legal. Somados, os prejuízos equivalem a 688 km², cerca de 60% do total. O território de floresta destruído em solo paraense e amazonense é semelhante ao tamanho da cidade de Salvador (BA).

Desmatamento em Altamira, no Pará

Desmatamento em Altamira, no Pará – Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

No Pará,  os municípios de Altamira, São Félix do Xingu, Novo Progresso e Itaituba aparecem no ranking das dez cidades que mais desmataram em maio e que, frequentemente, estão entre as mais críticas. O Estado também teve seis, das dez unidades de conservação, e cinco, das dez terras indígenas onde houveram mais áreas desmatadas.

“Apesar do Pará retornar ao primeiro lugar do ranking dos Estados que mais desmataram na Amazônia Legal em maio, é possível perceber que o Amazonas segue em ritmo alto de desmatamento”, afirma Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

No estado do Amazonas, os três municípios que disputam o ranking das dez cidades onde foram detectadas as maiores destruições da floresta são: Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã. Além disso, seis dos dez assentamentos que mais registraram florestas desmatadas estão em solo amazonense.

Desmatamento em Lábrea, no Amazonas

Desmatamento em Lábrea, no Amazonas – Foto: Amazônia Latitude

Mato Grosso é responsável pela terceira colocação no desmatamento da Amazônia Legal, com 20%, seguido de Rondônia (12%), Acre (4%), Maranhão (3%) e Roraima (1%). Todos detectados em maio de 2021.

Já a análise do desmatamento por categoria do território indicou que 66% ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, 17% em assentamentos, 15% em unidades de conservação e 2% em terras indígenas.

ALÉM DO DESMATAMENTO, EXISTE A DEGRADAÇÃO

O Imazon classifica o desmatamento como o processo de realização do “corte raso”, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa mata é convertida em áreas de pasto. Já a degradação florestal é o empobrecimento gradual da floresta devido ao corte seletivo, o roubo de madeira. Os madeireiros vão retirando da floresta as árvores mais nobres. Com isso, desequilibram todo o ecossistema, tornando-a mais ressecada e suscetível a queimadas.

Degradação florestal na Amazônia Legal

Degradação florestal na Amazônia Legal – Foto: Ricardo Oliveira/AFP

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 39 km² em maio de 2021, o que representa um relevante aumento de 144% em relação a maio de 2020, quando a degradação detectada foi de 16 km². Em maio de 2021, a degradação florestal foi registrada no Mato Grosso, responsável por 85% e 15%, no estado do Pará.