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Preço da carne bovina vai aumentar em Rondônia

O aumento está previsto pela estimativa do crescimento nas exportações por causa do selo internacional de área livre sem vacinação.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 28/05/2021 - 07:00
Preço da carne bovina vai aumentar em Rondônia
Gado de Porto Velho -Foto: Marcelo Winter

Rondônia recebeu na manhã de quinta-feira (27) em Paris (França) o selo internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês). O Ministério da Agricultura e Pecuária já reconhecia o estado neste status desde abril do ano passado.

A última campanha de vacinação contra febre aftosa foi em novembro de 2019, segundo informações da Idaron, a Agência Agro-Silvo Pastoril de Rondônia. A primeira campanha foi em 1999, ano de criação da Agência. Durante 20 anos o estado realizou campanhas semestrais aqui e também nos limites com outros países e estados.

O resultado é que agora Rondônia integra um seleto grupo de estados e localidades em que o gado não precisa ser vacinado porque tem certificação internacional, como o Acre, o sul do Amazonas, uma parte do Mato Grosso e os estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

Atualmente, Rondônia tem quase 15 milhões de cabeças de gado. O monitoramento da sanidade é feito por campanhas de atualização cadastral, sempre nos meses de maio e novembro. Hoje, o estado é quinto lugar em exportação de carne bovina do Brasil.

Rondônia exporta carne para quase 60 países, sendo a China o maior comprador. Mas, com o selo internacional de livre sem vacinação, a carne rondoniense pode conquistar mercados mais exigentes como Japão, Coréia e União Européia.

Esta estimativa vem do pecuarista José Vidal, de Ji-Paraná, que também preside o Fundo de Apoio à Saúde Animal, uma parceria público/privada que tornou mais fácil esta certificação internacional. Hoje, aproximadamente 70 por cento da carne produzida no país é consumida no Brasil. Em Rondônia, de acordo com Vidal, a situação é inversa. Por aqui, apenas cerca de 20 por cento da carne produzida é consumida no estado. Aproximadamente 80 por cento da carne bovina rondoniense é exportada e a probabilidade deste número aumentar é real.

Carne bovina – Foto: Reprodução

A estimativa de aumento no preço

Caso a exportação de carne rondoniense aumente já no segundo semestre deste ano, ou no começo de 2022, o reflexo no preço é tido como certo, estimativa feita tanto por Vidal, como também pelo economista Sílvio Persivo, consultor da Fecomércio/RO.

Um exemplo claro de como a exportação da carne rondoniense influi diretamente no preço da mesma está no valor da arroba do boi no estado, em torno de R$ 290 e R$ 300, o dobro do valor praticado há dois anos, quando Rondônia ainda não tinha a autorização do Governo Federal para não vacinar mais. O bezerro desmamado é outro exemplo, em 2020 era vendido à R$ 1.200 e agora vale R$ 3.000, quase o triplo.

Segundo o economista Sílvio Persivo, o consumidor rondoniense pode preparar o bolso. O aumento no preço da carne virá, a dúvida é quando. A estimativa é no segundo semestre deste ano, ou início do próximo. Já para quem trabalha no setor pecuário, a boa notícia é que existe a possibilidade de reabertura de vários frigoríficos, por causa da previsão do aumento na demanda de exportações.

Para os produtores de gado e a Idaron, o selo internacional também é motivo de alegria. Coroação de um trabalho feito ao longo dos últimos 22 anos. Segundo Márcio Petró, coordenador do Programa de Febre Aftosa/RO, é necessário agora manter os rígidos controles sobre o rebanho, para que não entre gado de outros locais não certificados no estado.

Hoje, a carne bovina é o principal artigo exportado por Rondônia.