Notícia

Bolsonaro não cumpre promessas e líder de caminhoneiros ameaça greve nacional

Os caminhoneiros acusam o Governo Federal de não cumprir a promessa de vacinar a categoria e disponibilizar linha de crédito.

Por Redação Rondônia Já

quinta-feira, 17/06/2021 - 19:07 • Atualizado 18/06/2021 - 15:11
Bolsonaro não cumpre promessas e líder de caminhoneiros ameaça greve nacional
Greve dos caminhoneiros em 2018 - Foto: Divulgação

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores ( Abrava), Wallace Landim, também conhecido como “Chorão”, disse numa entrevista ao portal UOL que existe a possibilidade de uma greve nacional dos caminhoneiros por causa  promessas não cumpridas pelo governo de Jair Bolsonaro.

Landim também acusou o governo de fazer marketing em cima dos caminhoneiros e falou que a categoria está no limite e que a paralisação seria o remédio que pode salvar os motoristas profissionais .

Em janeiro deste ano, um grupo de caminhoneiros que fazia uma série de reivindicações tentou mobilizar a categoria para uma paralisação nacional prevista para o dia 1º de fevereiro, porém o governo de Bolsonaro anunciou, com rapidez, um pacote de medidas para tentar evitar a greve. A principal das medidas foi dizer que os caminhoneiros iriam ser incluídos no grupo de prioridade na vacinação contra a covid-19, junto com profissionais de saúde, forças de segurança e indígenas.

Mas, cinco meses depois, a promessa não foi cumprida pelo governo, de acordo com Landim, que também falou:

“A gente vem participando de muitas reuniões no governo e nada. Nós temos várias situações, uma delas é referente à vacina. A gente está no grupo prioritário desde janeiro, mas até agora a gente não foi imunizado”

Crédito do BNDES não cumprido

A categoria também diz que uma linha de crédito anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 500 milhões para caminhoneiros autônomos manterem seus veículos, na prática, não foi usada pelos motoristas e a vigência já terminou.

Na época, o governo afirmou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal ficariam responsáveis, inicialmente, por oferecerem os empréstimos, disse Landim.

“Eu pedi, mandei ofício para Ministério da Economia. E o Ministério da Economia nem sequer me retornou. Conversamos com vários setores financeiros, e esse plano nunca existiu. Estão fazendo marketing em cima da categoria”.

Diante de mais essa pressão dos caminhoneiros, os ministérios da Economia e da Infraestrutura fecharam, ainda em maio, os detalhes de um pacote de benefícios para a categoria que seriam divulgados por etapas.

Além de um voucher para amenizar os efeitos dos reajustes do diesel, o governo estuda linhas de crédito e até um programa de renovação de frota.

Batizado pelos assessores do Governo de “Gigantes do asfalto”, o pacotaço foi um pedido expresso de Jair Bolsonaro que, segundo interlocutores, não quer ficar refém da categoria.

Greve de caminhoneiros em 2018 – Foto: Divulgação

Sucessivas perdas

Desde fevereiro, os motoristas sinalizam que os reajustes sucessivos dos combustíveis afetaram seus ganhos, o que causa temores no governo sobre uma paralisação nos moldes da que aconteceu em 2018. Hoje, 87% do transporte de cargas no país é feito pelas estradas.

Na última paralisação nacional, era comum ver caminhões com faixas pedindo “Intervenção Militar Já”. Segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), 6.157 militares ocupam diversos cargos no Governo Jair Bolsonaro, mais do que o dobro do total empregado pelo presidente anterior Michel Temer. Por este número, se percebe que o pedido dos caminhoneiros foi atendido. Em compensação, a categoria recebeu de volta, somente neste ano, oito aumentos do Diesel e muitas promessas não atendidas.

Fonte: UOL