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Governo/RO reduz de 999 para 150 pessoas a lotação de eventos, mas, vai liberar aulas presenciais

O Governo de Rondônia anunciou a volta às aulas nas escolas públicas do estado, no próximo mês, mesmo sem os professores terem tomado a segunda dose da vacina.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 21/06/2021 - 20:50 • Atualizado 22/06/2021 - 17:50
Governo/RO reduz de 999 para 150 pessoas a lotação de eventos, mas, vai liberar aulas presenciais
Espaço alternativo em Porto Velho na pandemia - Foto: Marcelo Winter

Numa entrevista coletiva realizada no final da tarde desta segunda-feira (21), o staff do primeiro escalão do governador Marcos Rocha anunciou que foram feitas alterações no decreto estadual 26.134 que permitia a realização de eventos com até 999 pessoas.

O decreto, do jeito que estava redigido, foi publicado no mesmo dia em que Rondônia completava mais de 6 mil mortes por Covid-19, desde que iniciou a pandemia. A letra da música “Perfeição”, de Renato Russo, descreve bem a situação surreal:

“Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades”

Thanatos, em grego, é o mundo dos mortos. Persephone e Hades, são respectivamente, a rainha e o rei do além.

No dia seguinte à medida, o principal Pronto Socorro de Rondônia, o João Paulo II, estava com pacientes até no chão dos corredores. A situação só foi contornada após denúncia na imprensa.

A indignação foi geral entre autoridades e população. O MPF e o Ministério Público do Estado emitiram juntos uma recomendação para que o Governo retrocedesse quanto à flexibilização que só beneficiou os donos de botecos e se empenhasse para conter a Covid-19, com o objetivo de realizar a volta das aulas presenciais.

Na manhã de segunda-feira (21), o prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), publicou um decreto municipal limitando a lotação de eventos em 100 pessoas, quase dez vezes menos do que o Governo de Rondônia estava permitindo.

Poucas horas depois, o Coronel Marcos Rocha (PSL) anuncia a mudança principal da nova versão do decreto estadual.

Ao invés de 999 pessoas, passa a ser 150 o limite máximo de público nos eventos particulares. Um pouco mais do que o decreto do Hildon, para não parecer igual.

Com o novo documento publicado no diário oficial desta segunda-feira (21), ficam liberados eventos como jantares, casamentos, reuniões com até 150 pessoas, desde que não ultrapassem o limite da metade da capacidade dos estabelecimentos. Continua obrigatório o uso de máscaras e disponibilização de álcool 70%.

Retorno das aulas presenciais

Um detalhe chama a atenção nesta nova redação do decreto: a volta às aulas presenciais nas escolas públicas estaduais, anunciada para o mês de agosto ( que, segundo o dito popular, é o mês do desgosto).

Na atual etapa de vacinação, somente agora os trabalhadores da educação estão sendo vacinados, com a primeira dose.

Antes deles, foram as forças de segurança. No Japão, as vezes o Imperador reverencia os professores, a única profissão em que isto acontece naquele país. Mas, Rondônia faz parte do Brasil e por aqui, com o estado nas mãos de um Coronel reformado da PM, nada mais previsível do que as forças de segurança terem prioridade sobre os professores.

Porém, quando as aulas inciarem, os educadores estarão imunizados apenas parcialmente. Durante a coletiva, o procurador geral do estado, Maxwel Mota de Andrade, disse que “a primeira dose da vacina da  AstraZeneca tem 70% da eficácia, então eles já tem uma imunização parcial”

Na realidade, a eficácia é até maior, 76%. Só que, por falta de empenho do Governo Federal, do qual Marcos Rocha diz ser aliado, é que o Brasil foi um dos primeiros a ter cepas novas do coronavírus, mais resistentes à medicamentos e com maior índice de contaminação.

Na situação atual, nenhuma autoridade da saúde garante que a pessoa está bem imunizada com apenas uma dose da vacina.

No entanto, na entrevista coletiva foi explicado que serão implantados os dois sistemas de ensino, o presencial e à distância. A última opção é para os pais que não querem que os filhos assistam aulas de forma presencial.

Mas, nada disso foi discutido com quem mais se interessa sobre este assunto: os professores. Sem eles, com certeza, não haverá aula presencial.

De acordo com um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Educação ( Sintero),  Manoel Rodrigues, conhecido como Manoelzinho, os professores só vão voltar às aulas entre 15 e 20 dias depois da segunda dose da vacina.

Ou seja, é muito provável que mais uma vez o governador Coronel Marcos Rocha (PSL) terá que alterar o que publicou porque, mais uma vez, não soube ouvir todos os lados.

Outras liberações

O decreto com as mudanças, publicado nesta segunda-feira (21) também prevê outras mudanças:

Permissão aos hospitais privados para a realização de cirurgias eletivas, considerando a taxa de ocupação de leitos de UTI, estoque de medicamentos do “kit de intubação”, e coletando teste de Covid-19 nos pacientes em no máximo 48h antes da cirurgia, exceto para as cirurgias com anestesia local.

Permitissão aos hospitais públicos do retorno imediato das cirurgias eletivas que não necessitem de reserva de leito de UTI para o pós-operatório, procedimentos que não usem anestesia geral e materiais e medicamentos inclusos no “kit de intubação”.

Permissão das visitas em estabelecimentos penais estaduais e unidades socioeducativas. O Governo colocou a responsabilidade na Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e da Fundação Estadual de Atendimento Socioeducativo (Fease) em decidirem sobre os critérios e o retorno, ou não, das visitas.