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Pastor líder da IEAD proíbe fiéis de se filiarem a partidos de esquerda – VÍDEO

No vídeo, o pastor Elias Cardoso fala em expulsar os fiéis esquerdistas E diz que “o PC do B, Partido Comunista Brasileiro, detesta crente, enforca e mata crente nos outros países.”

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 12/07/2021 - 02:43 • Atualizado 21:27
Pastor líder da IEAD proíbe fiéis de se filiarem a partidos de esquerda – VÍDEO
Pastor Elias Cardoso - Foto: Redes sociais

O vídeo do Pastor Elias Cardoso, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus (IEAD), dando aula de intolerância, foi gravado durante uma convenção realizada entre sexta-feira (9) e domingo (11) em São Paulo, no evento Escola Bíblica Fraternal de Obreiros (EBFO).

O Pastor Elias Cardoso, que também é presidente da Convenção Nacional das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus Ministério de Perus no Brasil e Igrejas Filiadas, na gravação do vídeo, afirma sem nenhum pudor que os fiéis que se filiam a partidos de esquerda devem ser expulsos, por fazer aliança com os “ímpios” (desumanos):

“É proibido, hein. É proibido crente se filiar a partido de esquerda. Perde baixa do Ministério, perde baixa de membro da igreja. PT, que mais? PSOL, PC do B. Você já pensou o crente filiado ao PC do B ? Partido Comunista Brasileiro, que detesta crente? Enforca e mata o crente nos outros países? Enforca. E os demais partidos que detesta o crente, aí o crente vai lá e se abraça com o ímpio, faz uma aliança com o ímpio e quer trazer para dentro da igreja. Não senhor meu caro. Pode ir para onde o senhor quiser, mas, fora da igreja. Pode ir para onde você quiser, mas, fora da igreja.”

Veja o vídeo abaixo:

Pastor dá aula de desconhecimento histórico

Com certeza, o Pastor Elias Cardoso não sabe, mas, o comunismo, como conceito, é uma invenção judaica, assim como a Bíblia.

No final dos anos 1800, uma leva de judeus do sul da Rússia, perseguida pelo Tzar ( imperador da Rússia ) se estabeleceu na Palestina e criou uma comunidade que foi pioneira do movimento denominado “kibutz”.

Em 1910, os kibutz judaico-palestinos eram comunidades com as seguintes características:

  • atividades agrícolas feitas em comunidade;
  • propriedades coletivas;
  • igualdade social;
  • meios de produção próprios;
  • distribuição da produção para a comunidade, e;
  • prioridade à educação das crianças.

Lembram algo? Pois foi a partir desta experiência que as primeiras idéias socialistas, de igualdade, foram desenvolvidas por Moses Hess, franco-judeu, filho de rabino e filósofo. O pensamento de Moses influenciou outros judeus mais famosos, um tal de Karl Marx e Friederich Engels, os criadores do Manifesto Comunista, livro que deu origem ao comunismo como corrente econômica.

Já o fascismo, ou nazi-fascismo, é o oposto do comunismo e foi responsável pela morte de 6 milhões de judeus ( o povo de Deus bíblico ) na 2ª Guerra Mundial. Esta corrente política, que teve como expoentes, no século XX, os ditadores Adolph Hitler e Mussolini, é também conhecida como extrema-direita. Justamente a linha na qual o atual presidente Jair Bolsonaro se enquadra politicamente.

Independente das preferências políticas de cada um, Jesus Cristo, criador do cristianismo, foi crucificado pelos judeus e pelo Império Romano por pregar a paz, o amor, o perdão e a tolerância entre as pessoas, ao invés da Lei do Talião (Código Hamurábico, olho por olho, dente por dente) vigente na época.

O apoio e a oposição evangélica a Bolsonaro

É de amplo conhecimento que várias lideranças religiosas, principalmente evangélicas, se aliaram a Jair Bolsonaro e ainda mantém apoio, mesmo com as mais de 500 mil mortes por Covid-19 e as denúncias recentes de corrupção na compra da vacina Covaxin, que implicam diretamente o presidente.

Mas, mesmo sendo ainda minoria, vem crescendo os evangélicos que se reconhecem na esquerda política. O jornal Folha de São Paulo fez uma reportagem especial sobre o assunto no começo deste mês que mostra movimentos evangélicos progressistas se reunindo para combater o bolsonarismo.

Movimentos como os Cristãos Contra o Fascismo, Evangélicas pela Igualdade de Gênero, entre outros, que estão conseguindo incomodar as alas conservadoras, que formam a maioria dos pastores e fiéis crentes.

Post de Samuel Costa insatisfeito com vídeo de pastor – Foto: Rede Social

Jornalista se sentiu expulso após vídeo

O jornalista de Porto Velho, Samuel Costa, publicou em sua rede social um desabafo, após assistir o vídeo. Sentindo-se enquadrado pelas palavras do Pastor Elias Cardoso, se declarou expulso da igreja Assembléia de Deus, onde frequentava desde os 12 anos de idade.

Samuel Costa, que também é ex-oficial da PM de Rondônia, foi candidato à Prefeitura de Porto Velho pelo PC do B, justamente o partido que o Pastor diz que “enforca e mata crente nos outros países”.

Segundo Samuel, que é formado em direito e também é professor, a Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Porto Velho e de Rondônia ainda não se pronunciou sobre a fala preconceituosa do Pastor Elias, mas, Samuel lembra que “o silêncio é uma forma de consentimento” e decidiu sair por acreditar que a dignidade não tem preço.

Nossa produção ainda não conseguiu falar com a direção da IEAD de Porto Velho e de Rondônia e nem com o Pastor Elias Cardoso.

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