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CAOS NO JP II – Pacientes no chão, macas escondidas e recusa de atendimento

Direção do Hospital João Paulo II (JP II) e Secretaria de Saúde de RO foram denunciadas ao Ministério Público e Conselho Estadual de Saúde de Rondônia.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quinta-feira, 05/08/2021 - 17:01 • Atualizado 06/08/2021 - 14:01
CAOS NO JP II – Pacientes no chão, macas escondidas e recusa de atendimento
Paciente no chão do JP II - Foto: Reprodução WhatsApp

A direção do Hospital João Paulo II (JP II) e a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau/RO) foram denunciadas ao Ministério Público do Estado de Rondônia (MPER), o Conselho Estadual de Saúde, o Conselho Regional de Medicina ( Cremero) e o Sindicato dos Médicos de RO por diversas suspeitas de irregularidades na gestão da saúde pública em unidades do Estado em Porto Velho.

A denúncia foi feita por um servidor do Hospital João Paulo II, principal unidade pública de urgência e emergência de Rondônia.

Entre as provas apresentadas está um documento do Governo de Rondônia, do dia 03 deste mês, endereçado à Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho (Semusa) dizendo que os pacientes classificados como azul e verde não serão atendidos pelo João Paulo II. O documento está abaixo, na íntegra:

Documento do Hospital João Paulo II – Foto: Reprodução

Destaque do documento do Hospital João Paulo II – Foto: Reprodução

Recusa de atendimento

O SUS proíbe a recusa de atendimento, mas, na prática, é o que estaria acontecendo atualmente no Hospital João Paulo II. Segundo servidores, quando as ambulâncias vão até a unidade, os enfermeiros, antes de permitir a entrada dos pacientes, fazem uma avaliação e se a classificação não for de emergência, a ambulância é despachada e o paciente não dá entrada. As ambulâncias são obrigadas a levar os pacientes para outras unidades públicas de saúde.

Superlotação no João Paulo II

De acordo com a denúncia feita, além de negligenciar o atendimento aos pacientes, outro fato grave é que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau/RO) teria retirado várias macas do Hospital João Paulo II e guardado elas escondidas dos olhos dos servidores da saúde, no depósito da Sesau, que fica próximo ao Hospital de Base, para que não fossem colocadas no corredor do João Paulo II.

O resultado desta medida é que, mesmo com a unidade recusando pacientes, a superlotação ainda é uma realidade distante de ser resolvida e os pacientes são obrigados a deitar no chão do Hospital, muitas vezes, apenas com um lençol e, quando tem sorte, em colchões fornecidos pelos servidores mais piedosos. Outros pacientes permanecem sentados em cadeiras, as vezes por dias, conforme mostram as imagens mais recentes feitas na unidade no final da tarde de quarta-feira (4):

Esta é a sétima vez, em pouco mais de um mês, que pacientes são filmados no chão da unidade.

Outras unidades com leitos

De acordo com a denúncia feita, os pacientes estariam no chão do Hospital João Paulo II por opção da Secretaria Estadual de Saúde ( Sesau/RO). Segundo um integrante do Sindicato de Enfermagem de Rondônia, existem leitos disponíveis em outras unidade, sem haver necessidade de contratar leitos na Rede Particular.

Um dos exemplos citados é o Hospital de Campanha (antigo Regina Pacis) que estaria com apenas 11 leitos ocupados. Já o Centro de Reabilitação de Rondônia (CERO), no bairro Mariana, zona leste de Porto Velho, que antes havia leitos disponibilizados para atendimento de Covid-19, foi desativado, segundo áudio que o Rondoniaja.com teve acesso.

A última vez que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau/RO) fez transferência em massa de pacientes do João Paulo II foi em 16 de julho, com ampla divulgação, através de vídeo feito pelo secretário de Saúde Fernando Máximo e veiculado por todas as emissoras de televisão.

Após esta operação de transferência, segundo a denúncia, a Secretaria de Saúde procurou resolver o problema colocando em prática uma medida antiga, comum do período em que Ivo Cassol era governador: a restrição do atendimento, despachando os pacientes que não são de urgência.

Ruim para quem tá fora e para quem tá dentro

Se para quem precisa de atendimento e se depara com a negligência, está ruim. Para quem está internado no chão, com fortes dores, precisando de cirurgia, a situação também está longe de ser boa.

Há quase uma semana, um paciente com pancreatite espera sentado numa cadeira, com fortes dores, a vez de ser operado. Nas redes sociais, amigos e parentes denunciaram o caso:

Post de familiar de paciente grave – Foto: Reprodução Facebook

Post de amiga de paciente grave – Foto: Reprodução Facebook

O Rondoniaja.com entrou em contado com a familiar do paciente, Elana Tavares. Ela nos informou que o parente está com a cirurgia agendada para esta quinta-feira (5), quase uma semana após a primeira vez que procurou a unidade.

O Rondoniaja.com também encaminhou esta reportagem para a assessoria da Sesau/RO e aguarda resposta.