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Portuários confirmam que carga de balsa naufragada no Rio Madeira foi saqueada

Trabalhadores do Porto Cai N’Água de Porto Velho desmentem versão de moradores ribeirinhos de que a carga teria sido doada pela tripulação da balsa.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quarta-feira, 11/08/2021 - 16:23 • Atualizado 12/08/2021 - 10:34
Portuários confirmam que carga de balsa naufragada no Rio Madeira foi saqueada
Naufrágio em Calama, no Rio Madeira - Foto: Reprodução

Na manhã de segunda-feira (9) uma balsa carregada de mantimentos naufragou próxima ao distrito ribeirinho de Calama, que pertence a Porto Velho (RO).

Não demorou para uma multidão de ribeirinhos pegar a carga em barcos, conforme mostra o vídeo abaixo:

Saque

As imagens mostram a população levando todos os mantimentos que puderam do local. Apesar do registro em vídeo mostrar o que seria um pretenso saque, os moradores da localidade negaram com veemência o fato, dizendo em várias mensagens postadas em redes sociais que a tripulação havia doado a carga naufragada para os ribeirinhos que foram até o local do naufrágio.

Um importante site de notícias de Rondônia chegou a publicar uma reportagem dando a versão dos moradores, como se fosse verdadeira.

Mas, o Rondônia Já foi até o Porto do Cai N’Água conversar com os trabalhadores que tiveram contato com moradores da localidade e também com tripulantes de embarcações que passaram pelo local na hora do naufrágio.

Um agenciador de passagens de uma empresa que faz transporte de passageiros de Porto Velho para Manaus, que preferiu não se identificar, disse à nossa equipe que conversou com alguns moradores da localidade de Calama.

Todos foram unânimes em dizer que as pessoas foram se aproximando da balsa e levaram a mercadoria sem pedir licença, o que configura o saque.

De acordo com o relato destes moradores que conversaram com o agenciador, a tripulação, assustada com a quantidade de gente, nada pôde fazer para impedir.

Um comandante de uma embarcação, que também preferiu manter-se no anonimato, conversou com tripulantes de embarcações que passaram pelo local no momento do naufrágio e confirmou também a mesma versão de que a tripulação da balsa, amedrontada com a quantidade de pessoas saqueando a mercadoria, preferiu evitar qualquer confronto, apenas se preocupando com a preservação do que restou da embarcação.

Este mesmo comandante disse que o código de navegação comercial não permite, em hipótese nenhuma, que a tripulação doe mercadorias, conforme dito pelos moradores ribeirinhos.

O comandante confirmou que a tripulação da balsa era composta por quatro homens e que a carga estava no seguro, como é de praxe no transporte fluvial interestadual. A empresa responsável pelo transporte da carga, segundo o comandante, é de Manaus, capital do estado do Amazonas.

Balsa vira em naufrágio – Foto: Reprodução

O acidente

O site Rondonia Já conversou pessoalmente com o Capitão Marcelo Barbosa, Delegado Fluvial de Porto Velho. Ele disse que o inquérito para apurar as causas do acidente estão em andamento e que será concluído no prazo de até 90 dias.

Sobre a questão do saque, disse que não cabe à Marinha e sim à Polícia Civil investigar o fato.

Um dos trabalhadores do Porto Cai N’Água, nos disse que um ribeirinho, que conversou com a tripulação da balsa informou que a embarcação bateu numa pedra submersa em localidade ainda próxima do perímetro urbano de Porto Velho, mas, só após 4 horas navegando, os tripulantes perceberam que havia água entrando no compartimento interno da balsa e em seguida ela virou, derrubando a carga no Rio Madeira.

Ele enfatizou que em nenhum momento a tripulação autorizou que moradores levassem a mercadoria.