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Aviões militares da FAB são usados para fazer tráfico internacional de cocaína, diz PF

A investigação começou em 2019, com a apreensão de 39 kg de cocaína com tripulante de avião presidencial.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

quinta-feira, 23/09/2021 - 02:44 • Atualizado 25/09/2021 - 14:08
Aviões militares da FAB são usados para fazer tráfico internacional de cocaína, diz PF
Avião da FAB - Foto: Divulgação FAB

A Polícia Federal cumpriu na quarta-feira (22) três mandados de busca e apreensão, no Distrito Federal, em uma operação contra tráfico internacional de cocaína em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

As medidas foram cumpridas na terceira etapa da operação Quinta Coluna, aberta em 2019 após a prisão de um sargento da Aeronáutica que era tripulante do voo que transportava a equipe que dava apoio à comitiva do presidente Jair Bolsonaro com 39 quilos de cocaína.

Segundo o jornal O Globo, inicialmente não havia mandados de prisão, mas um dos alvos da operação de quarta foi preso em flagrante por posse de drogas. A Polícia encontrou com o suspeito, que é civil, além das drogas, uma balança de precisão e R$ 80 mil em espécie.

Tráfico militar

A Polícia Federal investiga a atuação de uma associação criminosa formada para remeter drogas para a Europa a partir de aeronaves da Força Aérea Brasileira.

Um dos outros dois mandados teria sido cumprido em Taguatinga, cidade satélite a 23 quilômetros de Brasília.

Apreensão de 39 quilos de cocaína em avião da FAB na Sevilha – Foto: Divulgação Polícia da Espanha

Cocaína com militar de missão presidencial

Em junho de 2019, o segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, foi preso no aeroporto em Sevilha por portar 39 quilos de cocaína em sua bagagem. Ele viajara com a droga em um avião da FAB a serviço de uma missão presidencial – a viagem do presidente Jair Bolsonaro para o Japão.

O avião dava suporte à missão presidencial, e fazia uma escala na Espanha. Rodrigues atuava como comissário de bordo em voos oficiais da Aeronáutica. Como segundo-sargento, ele recebia um salário bruto de R$ 7,2 mil.

No ano passado, o militar foi condenado por um tribunal de Sevilha. Inicialmente, a pena pedida pelo Ministério Público era de oito anos de prisão, além de uma multa de quatro milhões de euros. Mas, em acordo com a promotoria espanhola, aceitou uma sentença de seis anos e um dia de prisão, além de uma multa de dois milhões de euros (cerca de R$ 9,5 milhões). Na oportunidade, ele confessou o crime e afirmou estar “profundamente arrependido”.

Foi apurado, no inquérito policial, que o militar traficou cocaína em aviões da FAB pelo menos sete vezes anteriores à viagem no qual foi preso.

Sargento Manoel Silva Rodrigues – Foto: Reprodução redes sociais

Quadrilha militar

Na segunda etapa da operação, quatro suspeitos de participar do esquema foram detidos em 18 de março deste ano. Policiais federais prenderam três militares e a mulher de Rodrigues:

Tenente-coronel Alexandre Augusto Piovesan;

Sargento Márcio Gonçalves de Almeida;

Sargento Jorge Luis da Cruz Silva;

Wikelaine Nonato Rodrigues.

A investida anterior contra o esquema ocorreu no dia 2 de fevereiro, quando a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da operação Quinta Coluna. Os agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão e duas medidas cautelares que impedem os investigados de deixar a capital.

Com informações de O Globo e G1 nacional