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Estudantes protestam contra 600 mil mortes em evento com presença de Bolsonaro

Após ouvir manifestação dos estudantes, chefe do Executivo reagiu: ‘Saiam daqui’.

Rondônia Já, com informações de Sérgio Roxo/O Globo

sexta-feira, 08/10/2021 - 17:34
Estudantes protestam contra 600 mil mortes em evento com presença de Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - Foto: Evaristo Sa/AFP

Um grupo de seis estudantes entrou na tarde desta sexta-feira num evento do presidente Jair Bolsonaro, em Campinas, para protestar contra as 600 mil mortes causadas pela pandemia de Covid-19 e por cortes na educação superior.

Bolsonaro reagiu e mandou os jovens saírem do local. Eles deixaram a cerimônia espontaneamente e de forma pacífica.

Quando a palavra foi passada ao presidente, uma jovem que estava na plateia se levantou e disse:

— Seiscentas mil mortes por Covid, contra o corte de verbas para ciência e tecnologia, pela universidade pública, fora Bolsonaro!

Houve pouca reação na plateia. O presidente, já no púlpito, mostrou irritação:

— Estão saindo daqui para não responder quanto é 7 x 8, raiz quadrada de 4. Saiam agora daqui — disse o presidente, em seguida.

Mais adiante em seu discurso, Bolsonaro falou que os manifestantes eram “dignos de pena”.

Bolsonaro participou da 1ª Feira Brasileira do Nióbio,realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

O evento ocorre apenas nesta sexta-feira e tem acesso restrito a convidados. Antes de discursar, o presidente percorreu os estandes e conversou com fabricantes de produtos desenvolvidos com o uso do nióbio.

Desde antes de ser candidato a presidente, Bolsonaro faz propaganda do nióbio e do grafeno e cita os minerais como caminho para o Brasil se desenvolver.

600.000 mortes

O Brasil chegou a 600.077 mortos pela Covid, divulgou o consórcio de veículos de imprensa em boletim extra na tarde desta sexta-feira (8). Em casos confirmados, são 21.533.752.

A marca foi atingida num momento em que a pandemia está em desaceleração no país. A média de mortes diárias está em 438, o menor número desde novembro do ano passado, e em queda.

Essa desaceleração se expressa também no tempo que a doença levou para tomar mais 100 mil vidas ao Brasil desde que atingimos a trágica marca de 500 mil mortes: foram 111 dias, o dobro dos 51 dias que o país levou para passar de 400 mil para 500 mil óbitos.

Naquele o momento, morriam em média 2 mil brasileiros por dia – mais de quatro vezes a média atual. Em abril deste ano, pior momento da pandemia, a média passou de 3 mil mortos por dia.

Para a CPI da Pandemia, as 11 vezes que o Governo Federal recusou ofertas de vacinas por parte dos laboratórios e a insistência em tratar a doença com remédios ineficazes são os causadores deste alto número de mortes pela doença.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) já confirmou que pelo menos 50 pessoas serão citadas no relatório final para posterior indiciamento, incluindo Jair Bolsonaro.