Opinião

Comunidade ribeirinha pode ser destruída por usina

MPF diz que Rondônia não precisa de mais hidrelétricas; governo federal fala em geração de 30 mil empregos

Coluna do Júlio Olivar

terça-feira, 04/05/2021 - 16:24 • Atualizado 15/06/2021 - 01:00
Comunidade ribeirinha pode ser destruída por usina
Cachoeira 2 de Novembro em Machadinho do Oeste - foto Portal Amazônia

Coluna do Júlio Olivar

| Atualizado 

A comunidade de Tabajara fica no município de Machadinho do Oeste, 300 km de Porto Velho. Tem mais de um século sua existência, ainda conserva postes do telégrafo dos tempos da Comissão Rondon e, principalmente, resquícios da história da povoação do Vale do Rio Machado.

Tabajara surgiu em função da extração do látex. Hoje com cerca de 100 habitantes, a vila de pescadores, extrativistas e pequenos agricultores mantém viva a memória dos soldados da borracha que atuaram naquelas terras durante a 2ª Guerra Mundial.

Além dos moradores identificados como descendentes dos arigós, existem também indígenas — inclusive, os de etnia desconhecidas — que não são quantificados.

Tudo pode pode ir por água abaixo em nome do “progresso”. A construção da barragem da Usina Hidrelétrica Tabajara na Cachoeira 2 de Novembro pretende gerar 350 megawatts e prevê a inundação de parte da área onde estão os remanescentes dos seringais e os povos tradicionais e indígenas, com forte impacto ambiental. O que, de pronto, gera animosidades jurídicas e acadêmicas.

O Ministério Público Federal e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia estão questionando dados apresentados no estudo e relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) para a obtenção de licenciamento prévio, apresentado pelas Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte).

Rondônia já tem a usina Samuel e duas usinas do Madeira (Santo Antônio e Jirau). Em entrevista ao G1, a  pesquisadora da UNIR Madalena Cavalcante afirma: “não se justifica mais uma hidrelétrica no estado, principalmente quando a gente observa que nem todo o estado é servido de energia, embora tenha todo o potencial de geração. Mesmo com a construção da usina, comunidades da região podem não ser beneficiadas”.

Por outro lado, o Governo Federal anuncia a usina como um “grande benefício para o Brasil” e que sua construção deve gerar pelo menos 10 mil empregos diretos e 20 mil indiretos.

Além da Tabajara, estão na pauta do governo as construções da usinas Castanheira (140 MW), no Mato Grosso; Bem Querer (650 MW), em Roraima; Telêmaco Borba (118 MW), no Paraná.

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