Opinião

Sempre passa batido a importância dos negros na história de Rondônia

Rondônia deve muito ao povo afro-descendente. Quando falam da História local, poucos fazem referências específicas a eles, que sempre estiveram presentes na ocupação da Amazônia

Coluna do Júlio Olivar

quarta-feira, 26/05/2021 - 10:05
Sempre passa batido a importância dos negros na história de Rondônia
Trabalhadores negros da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré - Foto: Dana Merril

Treze de Maio de 2021 foi o dia dos 133 anos da assinatura da Lei Áurea. A data anda muito desprestigiada, inclusive pelos movimentos negros, pois representaria a abolição como um ato de “generosidade” da elite branca e transformaria a princesa Isabel na personagem principal da libertação dos escravizados.

Mas, seja como for — 13 de maio ou 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) — é importante sempre ressaltar os negros que, tantas décadas depois, ainda enfrentam incontáveis barreiras. Rondônia deve muito ao povo afro-descendente. Quando falam da História local, poucos fazem referências específicas a eles, que sempre estiveram presentes na ocupação da Amazônia.

Pensemos nas nossas raízes: os operários barbadianos que atuaram na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, os quilombolas do Vale do Guaporé, a heroína Tereza de Benguela morta na região do município do Cabixi, a Irmandade do Divino — que ainda hoje realiza a monumental procissão, uma tradição das mais remotas e significativas da Amazônia —, os caboclos e mamelucos que povoaram Rondônia desde os ciclos da borracha, os negros degredados que vieram do Rio de Janeiro e “jogados” nas barrancas do Madeira a mando do Governo Federal, os mateiros que acompanharam as muitas expedições, inclusive as protagonizadas por Marechal Rondon.

Tudo isso somos nós, apesar de tantos acharem que são “pioneiros” por terem composto a odisseia da ocupação mais intensa desde a abertura da BR-364, em 1960, se esquecendo de várias páginas da nossa cultura e da verdadeira “história de antes” — aqui não desmerecendo as mais recentes ondas migratórias, igualmente heróicas.

Pensemos também nos negros de hoje que — aos poucos e com muitas lutas — ocupam o merecido espaço e influência na sociedade, na academia, na economia, na política, na mídia. A eles, todos os vivas! Tantos, porém, ainda vivem à margem — basta citarmos que a maioria dos jovens encarcerados é negra e que poucos são os que conseguem chegar à universidade.

A segregação e o olhar de cima para baixo ainda existem, sim. E nos aviltam! Pensemos! Nos afetemos com isso! A única saída para a plena libertação dos negros das amarras todas do preconceito e do apartheid é a educação redentora. Educação para eles, os negros e negras, e para quem os oprime. Para todos!