Opinião

Homenagem à ornitóloga Emilie Snethlage na semana do meio ambiente, por Júlio Olivar

O corpo de Emilie Snethlage está sepultado em Porto Velho. A ave Tiriba-do-madeira tem seu nome científico Pyrrhura snethlageae em sua homenagem.

Coluna do Júlio Olivar

domingo, 06/06/2021 - 02:06 • Atualizado 15/06/2021 - 00:31
Homenagem à ornitóloga Emilie Snethlage na semana do meio ambiente, por Júlio Olivar
Foto histórica de Emilie Snethlage - Foto: acervo de Júlio Olivar

Hoje, lembro-me de Emilie Snethlage, uma personagem pouco citada na História de Rondônia, e que está sepultada desde 1929 em Porto Velho, no Cemitério dos Inocentes. A cruz sob sua lápide desapareceu.

Trata-se de uma renomada cientista e ornitóloga alemã, que realizou importantes pesquisas e estudos com pássaros e aves da Amazõnia. Pioneira no Brasil na liderança de diversas expedições no período de 1905 a 1929, Henriette Mathilde Maria Elizabeth Emilie Snethlage foi a primeira mulher admitida na Academia Brasileira de Ciências e na Internacional Society of Woman Geographers.

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Emilie foi diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, entre 1914 e 1922, uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo de direção em uma instituição científica na América Latina. Escreveu o Catálogo das Aves Amazônicas (1914) onde, trabalhando com as coleções de aves da região amazônica do Museu Goeldi e com informações taxonômicas, biogeográficas e biológicas, ordenou todas as informações sobre o assunto às quais teve acesso até 1913, apresentando 1.117 espécies de aves amazônicas. A ave Tiriba-do-madeira, tem no nome científico, Pyrrhura snethlageae, uma homenagem à cientista.

Busto de Emilie Snethlage – Foto: Júlio Olivar

Arrogância não permitiu que busto fosse colocado no lugar certo

Eu queria ter colocado o busto que mandei fazer — às minhas custas — em homenagem a ela na praça em frente o Palácio Rio Madeira para que tivesse visibilidade maior e as crianças, sobretudo, pudessem ter mais acesso e interesse ao trabalho científico e a biografia de Emilie. Tudo a ver até com o nome do palácio, considerando que o trabalho da cientista na região de Porto Velho ocorreu justamente no Vale do Rio Madeira. Agregaria valor histórico-cultural à sede do governo. Mas, à época, o fogo amigo, a perseguição ao meu trabalho e a ignorância de alguns “palacianos” não permitiram a instalação do busto, preferindo uma onça de fibra de vidro e gosto duvidoso.

Mas, instalei o busto no espaço do Memorial Rondon, que era por mim e minha equipe dirigido. E espero que esteja sendo bem cuidado. Ao local, levei diversos historiadores, biólogos e até o embaixador da Alemanha, Georg Witsche, que, pasmem, pouco conhecia sobre sua ilustre compatriota.