Opinião

A História é um carro alegre, cheia de gente contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue

Eu cantaria: “HISTÓRIA É UM TANQUE ALEGRE, CHEIO DE TROPAS INCOERENTES, QUE ATIRA INDIFERENTE EM TODOS AQUELES QUE OS NEGUEM”. Chocante não?! Impatriótico, e, talvez, desafiador.

Dr. Marco Antônio Domingues Teixeira

segunda-feira, 16/08/2021 - 04:36 • Atualizado 18:44
A História é um carro alegre, cheia de gente contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue
Figura 01 - “Os Despejados” de Cândido Portinari - 1934

“É trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos”

Milton Nascimento

Gostaria de começar este artigo parafraseando e, de certa forma, me apropriando dos textos da fantástica música de Milton Nascimento. Creio ser muito propício para os dias de hoje rever essa letra musical, não apenas ao Brasil, mas a várias partes do mundo e principalmente de nosso país e de regiões consideradas prontas para uma colonização genocida.

Eu cantaria: “HISTÓRIA É UM TANQUE ALEGRE, CHEIO DE TROPAS INCOERENTES, QUE ATIRA INDIFERENTE, EM TODOS AQUELES QUE OS NEGUEM”. Chocante não?! Impatriótico, e, talvez, desafiador. Mas o que torna o historiador digno de seu título é a capacidade de ler entrelinhas onde a maioria não vê nada. Vivemos num mundo de quase nenhuma preocupação com os destinos da humanidade. A nórdica Dinamarca, concentra mais de 86% de suas riquezas nas mãos, mas sua riqueza só pode ser 4 vezes superior aos 20% mais pobre.

“As 26 pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza dos 3,8 bilhões mais pobres, que correspondem a 50% da humanidade. Os dados, referentes a 2018, fazem parte do relatório global da organização não governamental Oxfam, lançado hoje (21), às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que se inicia amanhã (22) em Davos, na Suíça. Os números indicam que a riqueza está ainda mais concentrada, pois, em 2017, os mais ricos somavam 43.” – Publicado em 21/01/2019 por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil  (SP).

No Brasil, a situação torna-se extremamente mais grave. Vivemos em uma bolha de desigualdade socioeconômica, que fixa difícil de dizer se estamos melhores agora ou sob a escravidão.

Injustiça Tributária, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com apoio da Oxfam Brasil, Christian Aid e Pão Para o Mundo: foram considerados os quesitos de sexo, rendimentos em salário mínimo e Unidades da Federação. O texto busca identificar o efeito concentrador de renda e riqueza, a partir das informações sobre os rendimentos e de bens e direitos informados à Receita Federal pelos declarantes de IR no período de 2008 a 2014, referentes às informações dos anos-calendário de 2007 a 2013.

Os dados da Receita Federal analisados para o estudo revelam, por exemplo, que do total de R$ 5,8 trilhões de patrimônio informados ao Fisco em 2013 (não se considera aqui a sonegação), 41,56% pertenciam a apenas 726.725 pessoas, com rendimentos acima de 40 salários mínimos. Isto é, 0,36% da população brasileira detém um patrimônio equivalente a 45,54% do PIB do Brasil e com baixíssima tributação. Considera-se, ainda, que essa concentração de renda e patrimônio está praticamente em cinco estados da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, agravando ainda mais as desigualdades regionais do país.

O estudo aponta ainda que os contribuintes com rendas acima de 40 salários mínimos representam apenas 2,74% dos declarantes de IR, mas se apropriaram de 30,37% do montante dos rendimentos informados à Receita Federal em 2013. Além disso, dos R$ 623,17 bilhões de rendimentos isentos de Imposto de Renda em 2013, R$ 287,29 bilhões eram de lucros e dividendos recebidos pelos acionistas – se submetidos à alíquota máxima da atual tabela progressiva do Imposto de Renda (27,5%), esses recursos gerariam uma arrecadação tributária extra de R$ 79 bilhões ao Brasil.

O Brasil não é mais um país jovem que costumávamos acreditar há 3 décadas atrás. Austrália, Canadá, EUA e mesmo os países reconstruídos após a Segunda Guerra Mundial como a Coréia e o Japão, e de outros que fecharam-se em si mesmos e mantiveram seu futuro longe dos olhos alheios, como o caso da China, mudaram seus padrões de riqueza e pobre, sem, no entanto, deixarem para trás a letra da música de Milton Nascimento.

A exceção é o Brasil e uma enorme parte da América Latina, além de Países Africanos e alguns Asiáticos. Fica claro que, com excepcionalidades, da Índia e outros dos países asiáticos, chamados amarelos, há, obviamente, componentes que extrapolam a economia e parte para o estigma racial para definir os lugares da inferiorização. Quem já ouviu falar do povo Malgaxe? Ou do povo Hinuit? Ou o antiguíssimo povo Saman? Não são povos brancos. E dentre os povos colonizados por ingleses, mais da metade vive em condições miseráveis e de extrema exploração. Não é a raça, a etnia ou a colonização que determinam o sucesso ou o fracasso do povo como Nação.

O Brasil já era uma terra densamente povoada por povos pré-colombianos, que viviam aos milhões e não padeciam dos males do capitalismo. Pobreza, exclusão e forma não faziam parte de seu dia a dia. Isso é uma invenção do mercantilismo/capitalismo, de enorme serventia para o sistema.

Figura 02 – “Recolhendo Carvão” – Nicolai Kasatkin, pintor russo (1859-1930)

Pobres degradam a paisagem, mas podem ser transformados em obras de arte melancólicas e até mesmo românticas, como os quadros de Kasatkin.

Nos outdoors que levavam a shoppings no Recife, ou com pedras debaixo de viadutos em São Paulo, como o fez o prefeito Bruno Covas, ou com muros que escondiam o mercado de escravos no porto do Rio de Janeiro. Nunca foram agradáveis de se ver ou de tocar ou de sentir. Ouvi, muitas vezes, que janelas precisavam ser abertas, em repartições públicas depois que pobre ia-se embora. Ouvi dizer que eram limpinhos e que podíamos aceitar o cafezinho que ofereciam.

A pobreza é, acima de tudo, a distância entre as duas bases do abismo sua profundidade pode ser agravada com condições que ampliem o conceito de pobreza, como cor, trabalho, ociosidade, sexualidade. identidade sexual, religião. Mas a pobreza está lá. Dividindo, erguendo muros, separando famílias, falando em liberdade quando cria jaulas, sedando crianças que jamais poderão ser normais, impondo responsabilidade adulta àqueles que deveriam estar na escola ou se divertindo.

Esta é uma coluna, que não podemos chamar de artigo, pois, propositalmente, não sigo as normas técnicas necessárias à academia, mas procuro tornar a leitura mais fácil e agradável ao grande público.

Fogo e destruição sempre foram palavras em moda quando se fala de purgar e arejar ambientes, descontaminando-os da impregnação do mal que silenciosamente se impõe e justamente o que começamos a assistir com a derrubada das estátuas de líderes políticos, traficantes de escravos, rainhas colonialistas e invasor de terras indígenas, em como diversos outros tipos de opressão. Se, em vida passaram incólumes, a Historia parece ter encontrado um meio de puni-los, ao menos, simbolicamente, pelas monstruosidades e crimes contra o meio ambiente, contra os povos originais de todos os continentes e contra os pobre em geral.

Há uma série de segmentos sociais, pessoas de diversas classes e até entre os mais pobres que discordam e condenam isso. Mas a esses eu digo: o ódio público e as grandes mudanças não começam com atirar flores e soltar balões em passeatas que cantam e rezam unidas. Ele se expressa de forma legítima, altamente prejudicial e intimidatória. Essa é a linguagem que, costumeiramente os poderes e os poderosos costumam escutar, e não muitas vezes, torna-se um excelente remédio contra todo tipo de apatia.

Isso quer dizer que apoio a destruição da arte pública, construída com o dinheiro do povo, para homenagear os que o oprimem, sistematicamente? Em parte sim e em parte não. Creio ser ofensivo cultuarmos a Madeira Mamoré como nosso grande patrimônio histórico. Mas, veja bem, não sou contra ela ser o patrimônio histórico que ela representa. Nem quero que seus últimos trilhos e barracões terminem da mesma forma que muitos terminaram quando o governo federal do Regime de 1964 ordenou que grande parte de seu patrimônio fosse vendido como sucata ou simplesmente soterrado como a Bucyrus ou jogado nas águas do Madeira. Devem haver museus, fechados e abertos, prontos a abrigar e oferecer explicações esclarecidas e inteligíveis ao povo que a lê, a fim de que como fizemos, 100 anos depois da EFMM, não façamos outra desastrosa intervenção sobre os nossos rios e suas margens, espalhando pobreza, miséria e desagregando comunidades, para dizer o mínimo.

“A recente onda de protestos contra a violência policial e o racismo que eclodiram depois que George Floyd morreu nas mãos da polícia, em Minneapolis, incluiu uma série de ataques a monumentos associados por manifestantes à escravidão e ao colonialismo.

O movimento também chegou à Europa. No Reino Unido, manifestantes derrubaram uma estátua do traficante de escravos britânico, Edward Colston, na cidade inglesa de Bristol. Na Bélgica, monumentos a Leopoldo II, o rei do século 19, cujo regime contribuiu para a morte de milhões de pessoas na África, também foram danificados ou removidos.

À medida que isso acontece, no entanto, inevitavelmente surgem perguntas sobre os limites entre o que é aceitável e o que não é quando o assunto são obras públicas em homenagem a alguém. Neste caso, as estátuas derrubadas também lançam a pergunta: quanto ganha ou perde o movimento com estes gestos?” –  por Geraldo Lissary – BBC Mundo/NY em 25/07/2020.

Gostaria de responder ao Senhor Lissardy, que sim, derrubar todos os monumentos que impliquem em exploração, racismo e morte não irá mudar o passado, mas serve como sinalizador das insatisfações do presente. Serve para alertar que o mundo construído por personagens como esse é um mundo injusto, desigual, autodestrutivo e incapaz de oferecer dignidade. Serve para nos lembrar que o capital ainda é a força que comanda guerras e extermínios e que heróis e bandidos são construções ideológicas de vencedores.

Figura 03 – Derrubada da Estátua de Lênin na Ucrânia.

Analisemos a história recente, a chamada Primavera Árabe, quando os EUA e sua agência de intervenções colonialistas CIA, incendiou o Médio Oriente, que não é, nem mesmo em Israel, nenhum exemplo de Sociedade de Bem Estar Social ou de Democracia Burguesa e deu início a grandes rebeliões ditas “populares”. Foi uma ótima estratégia para que países da OTAN e do próprio lado russo vendessem toneladas de armamento da guerra fria, que de outra forma ficariam encalhados e superados até mesmo pelas lanças dos exércitos terceiro munditas. Mas o que ocorreu com a primavera árabe? Podemos enumerar diversas situações desde a queda e enforcamento de Sadam Hussein. Os fatos não mentem, a leitura da história pode ser distorcida, mas o fato está lá, à espera de uma leitura crítica e crível, bem como suas consequências:

  • A Estátua de Sadam Hussein foi destruída no centro de Bagdá e a destruição foi feita pelos próprios americanos;
  • Bagdá, antes uma cidade regida pelo medo, mas ordenada e organizada, é hoje uma cidade regida pelo horror e por todo tipo de incertezas. Nada funciona a contento e a miséria se espalha. A violência de grupos reacionários de todas as matizes também;
  • Na Síria, um outro exemplo importante. O ditador Bashar al-Assad viu o país mergulhar no mais intenso caos e suas cidades e povos serem destruídos. Muitos preferem, ainda hoje, o risco de morte nas águas geladas do Mediterrâneo a ter que existir, incertamente, a cada dia em seu país ou no que está sobrando dele após cada bombardeio;
  • O Afeganistão dispensa comentários. A desastrosa ação norte americana foi, agora, interrompida e, sem mais nem menos, sem nenhuma vitória contra o tão propalado e temível Talibã, os EUA abandonam o país, após décadas de guerra e o deixa abandonado nas mãos dos próprios afegãos, que destruídos, terão que lidar por conta própria com o Talibã;
  • No Líbano a situação não é diferente. Os EUA recolhem tropas e deixam avenidas e mares de destruição. O Líbano sofreu o mesmo com a morte degradante do não menos degradante Muammar al-Gaddafi. Hoje o país é rota de contrabando de órgãos humanos e pessoas e a Europa, que colonizou e se apossou de cada riqueza de cada um desses países, juntamente com os EUA, recebe os migrantes congelados, que sobrevivem aos naufrágios, em campos de concentração como Lampedusa, ilha ao sul da Itália, com uma aura tão apavorante como Auchwitz.
  • O mesmo aconteceu no Saara, onde o Cairo foi destroçado. Suas antiguidades de valor inestimável abastecem, como no caso do Museu de Bagdá, os mercados capitalistas de traficantes de antiguidades, incluindo-se aí governos e seus agentes do Ocidente;
  • A liberal Turquia voltou a ser uma ditadura, cada vez mais teocrática, e recebe dos governos europeus, em euros, para conter os refugiados de guerras e dos desastre praticados em nome do capital em suas terras. Não é preciso muito esforço de imaginação para calcular como essas populações estão vivendo;
  • Há 5 séculos atrás, a Europa começou o maior saque organizado contra o resto do mundo. Deu a isto o nome de colonialismo mercantilista e drenou para si riquezas que não eram suas. Com as independências políticas feitas de forma precária e com as abolições da escravatura feitas de forma ainda mais precária, começaram a surgir os grandes desequilíbrios sociais, culturais, políticos. raciais, econômicos e ambientais que hoje ameaçam a sociedade ocidental.

Figura 04 – derrubada da Estátua do Ditador Sadam Hussein em Bagdá, pelas tropas americanas que estavam “reescrevendo a história”.

No (nem tão tranquilo e modelar) Canadá foram encontrados diversos cemitérios para crianças indígenas, em escolas destinadas ao seu etnocídio cultural. Pagas pelo erário público eram administradas por piedosas instituições religiosas, dentre elas a Igreja Católica. Hoje já se sabe das terríveis condições às quais as crianças eram submetidas, desde abusos sexuais, até trabalho escravo. Somente na escola missionária de St. Eugênio, foram encontrados túmulos de mais de 170 crianças que deveriam, sob a proteção do governo racista anglo/canadense e das piedosas igrejas cristãs terem se tornados canadenses indígenas, prontos a destruir o que sobraria de seus próprios antepassados.

“Foi encontrado um terceiro cemitério em escolas para crianças indígenas no Canadá. São 182 campas não identificadas de crianças que teriam entre os 7 e os 15 anos, na antiga Escola St. Eugene’s Mission, perto de Cranbrook, na Columbia Britânica, avança a AFP.

Esta nova descoberta acontece depois de terem sido encontrados, em maio, os corpos de 215 crianças em sepulturas sem identificação, na antiga Escola Residencial Indígena de Marieval, em Saskatchewan. A comunidade indígena de Lower Kootenay disse, no ano passado, que tinha iniciado buscas nos terrenos de Cranbrook, onde a Igreja Católica teve uma escola em nome do governo federal entre 1912 e o início da década de 1970.

Alguns dos túmulos, segundo o relatório, estavam a apenas um metro de profundidade. Acredita-se que os corpos são de membros de vários grupos da nação Ktunaxa, que inclui a Lower Kootenay e outras comunidades indígenas vizinhas.

Até à década de 1990, cerca de 150 mil jovens indígenas e mestiços foram matriculados à força em 139 dessas escolas, onde os estudantes eram abusados física e sexualmente por diretores e professores que os separavam da sua cultura e idioma. Mais de quatro mil morreram vítimas de doença e negligência nesses internatos, segundo uma comissão de investigação que concluiu que o Canadá cometeu um genocídio cultura.” – por Cátia Carmo em 30 Junho de 2021.

Se buscarmos mais e mais exemplos pelo mundo, encontraremos todo tipo de situação onde o ódio à opressão, que não cessa nunca, um dia deságua em insatisfações simbólicas como as citadas e outras que ainda precisamos conversar. No Brasil, o último e notório caso de ataque ao patrimônio cultural foi o incêndio simbólico, recheado de humilhações e insatisfações das camadas mais pobres, obrigadas a viver nas ruas, em favelas ou áreas de risco contra o nada heróico Borba Gato. O ato, supostamente criminoso, levou à prisão do ativista Paulo Galo, que, hoje sendo solto por determinação do STF, teve sua prisão redecretada, imediatamente, como prisão preventiva, mostrando como nossa justiça é célere e seletiva.

Símbolos como bandeirantes, missionários, senhores e traficantes de escravos, ditadores e torturadores, empreendimentos genocidas, deveriam ser removidos de todo e qualquer espaço público. Sua triste memória deveria ser tomada de cuidados para inspirar as novas gerações a não aceitar a submissão e a escravização ou o genocídio. Mas pelo que vemos, algumas autoridades devem pensar em erigir monumentos à direção da San Marco e da Vale do Rio Doce ou aos incendiários da Amazônia e do Pantanal. Os monumentos e obras que homenageiam tais aberrações são frutos de uma continuidade histórica, não de um momento histórico e isso só pode ser mudado pela força e o medo de ações populares, como bem vemos na fala do atual Primeiro Ministro do Canadá. O primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, pediu desculpas, na sexta-feira, pelas “políticas governamentais tóxicas de apropriação indígena” e não descartou uma investigação criminal.

Figura 05 – Incêndio na Estátua de Ferro do Bandeirante Borba Gato, em São Paulo. “Ganhei o ano”, Mano Brown celebra o incêndio da estátua de Borba Gato – Rap Forte.

É notável ainda, um argumento, que todos os que defendem o passado histórico com seus símbolos de mando e opressão, não se manifestem. Quem reclamou da derrubada das estátuas de Lenin, Stalin, e outros líderes do mundo socialista? Será que não fazem parte do passado histórico?

Figura 06 – Incêndios criminosos na Floresta Amazônica se repetem desde a década de 1970. Este também é um Patrimônio Cultural, Histórico e Natural e não parece receber maiores preocupações com o que lhe infligem. Os Poderes Públicos nunca nos apresentam os incendiários.

Aqui, na Amazônia, continuamos homenageando os “destemidos pioneiros em sua sede de pilhagem, não por sua vontade propagar a civilização e a diplomacia”. Não vemos homenagens públicas aos indígenas que dão nome a muitas regiões, mas, em Rondônia vemos homenagem urbana ao GADO, que tem se mostrado decisivo em nossa vida política. Não há homenagens a negros, nem mesmo se lhes conhecem as histórias. Gays ainda são vistos como uma espécie de praga, embora já tenhamos tido, até mesmo, governantes homossexuais. Camponeses que lutam pela terra são considerados e tratados como terroristas, mas os grileiros que assambarcam o “ager publicus” são agraciados com a PEC da Grilagem.

Sim, a História tem sido tratada como um carro alegre, cheio de gente contente e indiferente, que vive a mediocridade de cada dia sem pensar que somos um povo e uma nação. Mas os ventos sopram e estamos em tempos de escancarada mudança climática.

Figura 07 – O gado em Rondônia – maior responsável pelo desflorestamento da região amazônica, o gado chegou com os migrantes e trouxe riquezas, prosperidades, mas também desflorestamento, perda de povos inteiros e transformação da cultura regional em uma cultura sulista. A estátua em questão fica na entrada do Município de São Francisco do Guaporé, onde ainda vivem 15 etnias indígenas e 09 comunidades quilombolas. Fonte: Acervo do GEPIAA.

Antes que eu termine essa coluna, quero dizer que estou devendo o fim da coluna passada sobre as religiões de matriz africana em Porto Velho e de outra, sobre os Povos Indígenas Amazônicos. A necessidade do momento me fez parar para escrever sobre esse tema, que eu termino falando que, se a justiça fosse tão severa com outros crimes, quanto está sendo com o ativista Paulo Galo, não teríamos recebido de Charles de Gaulle (1962) a frase irônica de que “o Brasil não é um país sério”.

Onde conhecer mais este assunto:

CARMO, Cátia, 30 Junho, 2021 Mais um cemitério de crianças indígenas encontrado em escola no Canadá
Esta descoberta acontece depois de terem sido encontrados, em maio, os corpos de 215 crianças em sepulturas sem identificação, na antiga Escola Residencial Indígena de Marieval, em Saskatchewan. Disponível em: https://www.tsf.pt/mundo/novo-cemiterio-de-criancas-indigenas-encontrado-em-escola-no-canada-13892817.html#:~:text=Foi%20encontrado%20um%20terceiro%20cemit%C3%A9rio,Columbia%20Brit%C3%A2nica%2C%20avan%C3%A7a%20a%20AFP.
MIDIA NINJA: Derrubar estátuas, reescrever a História. Defender estátuas de colonizadores é uma atitude em queda. DISPONÍVEL EM: https://domtotal.com/super-dom/1001/2020/06/derrubar-estatuas-reescrever-a-historia/
OXFAM BRASIL. 0,5% dos brasileiros concentram quase 45% do PIB. Estudo analisa tributação, desigualdade e concentração de renda e patrimônio. 03/01/2017. Disponível em: https://www.oxfam.org.br/noticias/05-dos-brasileiros-concentram-quase-45-do-pib/?gclid=CjwKCAjwgb6IBhAREiwAgMYKRuCqIi1vxshJH02GyHjHjjczWySYCraey7Fe2twHFO-G0uXYsO1lbhoCdV0QAvD_BwE
DE ARTE EM ARTE: Pinturas com pessoas pobres – Portinari e outros artistas. DISPONÍVEL EM: https://deniseludwig.blogspot.com/2014/04/pinturas-com-pessoas-pobres-portinari-e.html
SOUZA, : Pedro Herculano Guimarães Ferreira de. A desigualdade vista do topo: a concentração de renda entre os ricos no Brasil, 1926-2013. Brasilia: UNB, Tese de Doutorado em Sociologia, 2016.

Dr. Marco Antônio Domingues Teixeira, professor do Departamento de História/PPGAm e dos Mestrado em História e Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça/DHJUS da Universidade Federal de Rondônia/UNIR
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