Opinião

Aumento do gás e gasolina tem culpado e se chama Jair Bolsonaro – SAIBA POR QUE

De uma vez, gás e gasolina aumentaram 7,2%, mas em um ano, a alta acumulada é de 62% na gasolina e 48% no gás. Presidente não quer conter preço na “canetada”.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sábado, 09/10/2021 - 21:41 • Atualizado 11/10/2021 - 22:06
Aumento do gás e gasolina tem culpado e se chama Jair Bolsonaro – SAIBA POR QUE
Pres. Jair Bolsonaro - Foto: Evaristo Sá/AFP

Em um discurso na 1ª Feira Brasileira do Nióbio, na sexta-feira (8), em Campinas/SP, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não vai congelar preços de combustíveis “na canetada”. A frase completa está abaixo:

“Reclamam no Brasil do aumento de preço de mantimentos, de combustível. Ninguém faz isso porque quer. Eu não tenho poder sobre a Petrobras. Eu não vou na canetada congelar o preço do combustível. Muitos querem. Nós já tivemos uma experiência de congelamento no passado”.

Ao dizer isto, Bolsonaro finalmente admitiu que prefere deixar o valor ser definido pelo “mercado” e nada faz para conter os preços dos combustíveis e gás de cozinha, estabelecidos pela Petrobrás, uma empresa estatal cujo maior acionista é o Governo Federal, que pode, sim, interferir.

Quando fala de experiência de congelamento no passado, Bolsonaro se refere à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que estabeleceu uma política de contenção de preço dos combustíveis durante o tempo em que esteve comandando o País.

Na época, revistas conservadoras como Exame criticaram a medida alegando que trazia prejuízo à economia.

Na prática, as ações da Petrobras sofriam revés nas bolsas, prejudicando os acionistas, mas, a população brasileira se beneficiava com um preço justo, e mesmo assim, tinha quem reclamasse.

Após o impeachment de Dilma, Michel Temer decidiu adotar a atual política de preço dos combustíveis, que acompanha a variação internacional do dólar e da cotação do barril de petróleo. Algo muito bom para a estatal, como empresa, e para os acionistas também, mas péssimo para o cidadão comum, que se vê refém dos valores flutuantes do mercado.

O impacto, na época, só não foi imediato ao bolso do consumidor entre 2016 e 2018, porque o ex-presidente emedebista tinha 380 bilhões de dólares (R$ 2 trilhões hoje) em reservas internacionais, deixadas pelo governo de Dilma Rousseff, o que serviu para segurar a alta do dólar.

Quando Bolsonaro assumiu, largou a gestão econômica nas mãos do banqueiro ministro Paulo Guedes, que nada fez e nada faz para conter a alta do dólar, o principal vilão do alto valor cobrado pelos combustíveis e gás.

Na semana passada, uma série de reportagens investigativas sobre o escândalo do Panama Papers revelou que Paulo Guedes lucrou R$ 14 milhões com offshore, por causa da alta do dólar.

Com a moeda americana nas alturas, por causa da gestão econômica atual, os preços de todos os derivados do petróleo, como gasolina, diesel e GLP acompanham esta tendência e aumentam com uma constância extraordinária.

A prova de que estes são os fatores do aumento dos derivados do petróleo está no fato de que o ICMS, que Bolsonaro tenta sempre culpar, tem os mesmos percentuais de períodos muito anteriores aos do atual presidente.

Sem contenção de preços dos combustíveis e nenhum controle sobre a alta do dólar, é certo que novos aumentos virão.

Combustíveis – Foto: Divulgação

O mais recente aumento sufocante

A Petrobras anunciou, na sexta-feira (8), um reajuste de 7,2% no preço da gasolina e do gás de cozinha, que passa a valer a partir deste sábado (9). No acumulado do ano, a alta no preço do litro da gasolina na refinaria chega a 62%. No gás, o aumento alcança 48%.

De acordo com o professor Edmar Almeida, da UFRJ e PUC-Rio, o presidente Jair Bolsonaro dissemina desinformação para evitar que a causa do problema seja evidenciada:

“Isso é cortina de fumaça. Não houve aumento de ICMS durante pandemia, então você não pode atribuir o aumento a isso. A gasolina poderia estar em um preço bem inferior se o dólar estivesse na faixa de R$ 3,50 a R$ 4. O Brasil está perdendo uma energia enorme nesta discussão. Tivemos uma desvalorização média de 30% do real frente ao dólar nos últimos anos. Isso tudo teve a ver com a política econômica adotada”.