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Polícia Federal prende trio suspeito de tráfico internacional de diamantes

Dois estrangeiros e um brasileiro foram presos em flagrante no aeroporto de Cacoal, interior de Rondônia, quando tentavam embarcar em uma aeronave.

Marcelo Winter

sexta-feira, 23/04/2021 - 14:36 • Atualizado 24/04/2021 - 22:40
Polícia Federal prende trio suspeito de tráfico internacional de diamantes
Diamantes e valores apreendidos pela PF - Foto: Assessoria PF/RO

A Polícia Federal prendeu em flagrante um trio suspeito de pertencer a uma quadrilha especializada no tráfico de diamantes. As pedras preciosas foram supostamente adquiridas na Terra Indígena Roosevelt, da etnia Cinta Larga. A prisão foi na madrugada de sexta-feira(23) no aeroporto de Cacoal, município distante 480 Km de Porto Velho.

Dois suspeitos presos são estrangeiros, um dos Estados Unidos e outro do Paraguai, o terceiro envolvido é brasileiro. Os três tentavam embarcar em um jato com prefixo estrangeiro estacionado no pátio do aeroporto, quando foram abordados pelos policiais e confessaram a posse dos diamantes, apreendidos em seguida. Com os suspeitos também foram apreendidos 5 mil dólares, mais de 43 mil guaranies paraguaios e 20 reais.

Segundo a Polícia Federal, a aeronave pousou na última terça-feira(20) e tinha como destino de retorno a cidade de Assunção, capital do Paraguai. O avião foi apreendido por usurpação, crime previsto no Código Penal quando algo é usado para coisas indevidas por organizações criminosas.

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As embaixadas dos países dos suspeitos estrangeiros presos serão comunicadas e a Polícia Federal também investiga a extensão deste crime e o possível envolvimento de mais pessoas.

O trio vai responder inicialmente por usurpação de diamantes, crime que prevê detenção de um a cinco anos e multa.

O garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena dos Cinta Larga

A Terra Indígena Roosevelt é famosa mundialmente por ser palco de repetidos massacres de garimpeiros por indígenas da etnia Cinta Larga. O primeiro em maio de 2002, quando a Polícia Federal encontrou 12 ossadas na local. Em outubro de 2003 as Polícias Civil e Militar de Espigão do Oeste e a Funai resgataram mais cinco corpos. Em abril de 2004  foram resgatados 29 corpos dentro da Reserva, o maior massacre de garimpeiros em uma Terra Indígena.

Desde agosto de 2000 existe o garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena Roosevelt, que em determinado período contava até com pista ilegal de aeronaves dinamitada pela PF. A extração ilegal de pedras preciosas é feita no Igarapé Lajes, afluente do Rio Roosevelt, dentro da Reserva que fica próxima a Espigão do Oeste, município distante 540 Km de Porto Velho. A jazida fica na divisa de Rondônia e Mato Grosso.

Nas várias apreensões de diamantes feitas pela Polícia Federal ao longo dos anos foi constatado o envolvimento de grandes empresários, políticos e organizações internacionais de tráfico internacional de diamantes. A Polícia Federal mantém bases de fiscalização permanente nas proximidades da Terra Indígena.

Projeto para liberar garimpo em terras indígenas

A mina de diamantes das Terras Indígenas Cinta Larga é considerada uma das maiores do planeta. A etnia pediu formalmente ao Governo Federal o direito de explorar a jazida, mas, não conseguiu autorização. Enquanto isso, tramita no Congresso o Projeto de Lei 191/20 do Governo Federal, que prevê a regulamentação da exploração de recursos minerais em reservas indígenas, dando o direito das etnias receberem metade do valor arrecadado com a exploração desde que concordem com ela, mas até agora não foi votado por encontrar forte resistência entre parlamentares do Congresso, entidades ambientalistas e organizações indígenas, por causa do alto impacto ambiental.