Polícia

Bares abertos após 23h são interditados no cumprimento do decreto de RO que é um engodo

Dois estabelecimentos foram interditados em Porto Velho pela Operação.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 31/05/2021 - 01:28
Bares abertos após 23h são interditados no cumprimento do decreto de RO que é um engodo
Fiscalização de botecos em Porto Velho - Fonte: Assessoria Governo RO

A Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), fez fiscalização em bares, restaurantes e pubs no perímetro urbano de Porto Velho, com a “Operação Prevenção”, que tem como objetivo garantir o cumprimento do Decreto nº 26.038, de 23 de abril de 2021. No sábado (29), aconteceu a 17ª edição da “Operação Prevenção”, onde as equipes se deslocaram pelas quatro regiões de Porto Velho para verificar o cumprimento do decreto nos estabelecimentos comerciais da cidade.

A operação, coordenada pelos Bombeiros, tem como objetivo garantir que os estabelecimentos não fiquem abertos após as 23h, horário limite estabelecido pelo Decreto.

Flagrantes

Na zona Leste, houve flagrante de aglomeração intensa em frente a um estabelecimento comercial após às 23h, onde a maioria das pessoas estavam em grupos, sem máscara e sem distanciamento. Já dentro do local, houve a fiscalização inopinada, com orientação junto aos proprietários e funcionários acerca do decreto e a verificação do alvará de funcionamento.Em um estabelecimento localizado na zona Norte de Porto Velho, o proprietário se mostrou bastante alterado após a chegada de uma das equipes da “Operação Prevenção”. No local, várias mesas estavam próximas, sem o distanciamento necessário, entretanto, após muito diálogo, houve a orientação por parte dos agentes de fiscalização a respeito do decreto vigente.

Um estabelecimento na região Central recebeu notificação e foi interditado. Na zona Sul, um comércio que já havia sido visitado e orientado, foi fechado e interditado após denúncia e retorno da fiscalização.

Durante mais de cinco horas de fiscalização, foram visitados 32 estabelecimentos comerciais, com 36 ações realizadas:

  • estabelecimentos sem funcionamento – 10;
  • estavam em condições de funcionamento de acordo com o decreto estadual – 9;
  • receberam orientações – 8;
  • foram notificados – 4;
  • com aglomeração de pessoas, ultrapassando a capacidade de 30% – 2;
  • foram interditados, por desrespeitar as normas estabelecidas no decreto estadual – 2 e
  • autuado – 1.

A “eficiência” do Decreto Estadual

Restringir horário até as 23h , na prática, em nada contribui para diminuir os impactos do coronavírus. Restrição de pessoas então se torna apenas mais um dos vários itens descumpridos no afã do vil metal.

Em várias ocasiões em que decretos mais restritivos foram publicados o governador Marcos Rocha (PSL) se mostrou “sensível” à grupos diminutos de empresários donos de butequim. Conclusão, no mesmo dia, na maioria das vezes, Marcos Rocha”afrouxou” os decretos. O mais recente  é fruto deste tipo de “intervenção”,  publicado dias antes da vinda de Bolsonaro à Rondônia. Na vez anterior, o governador se deparou com um protesto barulhento liderado por meia dúzia de donos de botecos. Não se passaram dez minutos e  o governador desceu até eles para atender ao estapafúrdio pedido de reabertura de estabelecimentos com bebidas. Para um governador que se diz “conservador” e ligado à grupos evangélicos, este ato pode ser configurado como uma elegia à “cachaçada”. Viva o Deus Baco e suas bacantes.

Qualquer pessoa, e não é preciso ter muita inteligência, basta apenas abrir os olhos, pode enxergar o óbvio. Quando alguém está sem máscara bebendo pode ser contaminado. O problema da contaminação é que a pessoa muitas vezes convive com os pais e avós, e é aí que mora o perigo.

A esmagadora maioria das vítimas fatais da Covid-19 são idosos. Se não fosse a campanha de vacinação, o número de vítimas da terceira idade do coronavírus seria estratosférico. Campanha  de vacinação que o Governo Federal, apoiado por Marcos Rocha, demorou para começar, apenas em fevereiro deste ano. Desde meados do ano passado o Ministério da Saúde vinha recebendo, dos laboratórios, ofertas para compra. Por 11 vezes o Governo Federal recusou estas ofertas, segundo dados apurados pela CPI da Covid.

A quantidade das remessas de vacinas para Rondônia é pequena a ponto do Ministério Público Federal recomendar, na semana passada, ao Ministério da Saúde que aumente a quantidade para atender a demanda no estado.

Ou seja, ninguém está seguro ainda a ponto de comer e beber em locais públicos sem máscara, independente do horário.