Polícia

Mais de 70% de abusos sexuais contra crianças são praticados em casa, no Mato Grosso

Existem outros índices alarmantes que envolvem grau de parentesco dos suspeitos, idade e gênero das crianças.

Por Redação Rondônia Já

sábado, 26/06/2021 - 01:44
Mais de 70% de abusos sexuais contra crianças são praticados em casa, no Mato Grosso
A maioria dos abusos sexuais cometidos contra crianças é feita em casa - Foto: divulgação

Entre os meses de janeiro a abril deste ano, foram registradas 320 ocorrências de abuso sexual envolvendo crianças de até 12 anos, em Mato Grosso. A observação é da Superintendência do Observatório de Segurança Pública, vinculada à Adjunta de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Se o número de casos preocupa, também chama atenção o fato de que a maioria deles foi cometido em casa: 72%, ou seja, 229 abusos. “Outro local” foi apontado em 41 ocorrências (13%); via pública em 24 (8%); pela internet em 11 registros (3%); propriedade rural foi o local de 6 casos (2%); em comércio foram três, enquanto escola (pública e privada), veículo e clube social foram os locais com dois registros cada.

A maior quantidade de ocorrências é de estupro de vulnerável, com 253 casos nos primeiros 4 meses deste ano e 281 no ano de 2020, seguido de importunação sexual que saltou de 9 registros no ano passado para 22 até agora. A atitude criminosa de “aliciar, assediar, instigar ou constranger por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso” foi responsável por 15 ocorrências, contra 11 em 2020.

O assédio sexual é responsável por 10 casos até o momento, um a mais que em 2020, quando 9 registros vieram à tona. O restante do total apontou a partir de cinco ocorrências, em cada natureza criminal. Segundo o Observatório, o grande número de registros espelha, também, a confiança da população nas forças de segurança.

Quanto à faixa etária, os abusos sexuais ocorreram majoritariamente contra crianças de 9 a 12 anos de idade (51% ou 164 casos), em seguida entre 5 e 8 anos (93 ocorrências), e zero a 4 anos com 63 registros. O levantamento apontou ainda que as meninas são vítimas com maior frequência. Das 320 ocorrências, 257 meninas (80%) e 63 meninos (20%) foram vítimas de abuso sexual nos primeiros 4 meses de 2021.

Quanto aos suspeitos, o estudo mostrou que 247 deles eram conhecidos da vítima (77%), 43 eram desconhecidos (14%) e 30 não informaram (9%) os suspeitos. Referente ao grau de parentesco, 18% foram identificados como madrasta/padrasto; 13% eram desconhecidos; 12% eram pai/mãe; 11% amigo/amiga; 7% vizinho(a); 7% outro parente; 7% tio/tia; e 7% eram namorados(as), e outras especificações em menores números de registros.

O gênero da maioria dos suspeitos é masculino (76%), enquanto o feminino foi constatado em 3% dos casos, e em 21% não houve identificação. Quanto à faixa etária das pessoas suspeitas, 99 deles não informaram, 92 têm entre 35 e 64 anos de idade, 32 possuem entre 12 e 17 anos, 29 têm entre 25 e 29 anos; e outras em menor escala.

O horário noturno foi o mais usado para práticas de abuso sexual contra crianças, com 90 casos; seguido do período vespertino, com 83 registros; o matutino com 64 ocorrências e a madrugada com 22 casos. O horário não foi informado em 61 ocorrências.