Polícia

PF/RO prende ex-coordenador da Funai após apreensão de 184 diamantes da Reserva Roosevelt

A operação teve como ponto de partida a apreensão de 184 pedras de diamantes em 2020.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 02/07/2021 - 16:48 • Atualizado 03/07/2021 - 03:01
PF/RO prende ex-coordenador da Funai após apreensão de 184 diamantes da Reserva Roosevelt
Extração ilegal de diamantes na Reserva Roosevelt em RO - Foto: Divulgação

A Polícia Federal realizou na manhã dessa sexta-feira (01) a Operação Escavadores em Rondônia e Mato Grosso.
A ação é para combater um grupo criminoso envolvido com a extração e comercialização ilegal de diamantes da Reserva indígena Roosevelt, que fica na divisa entre RO e MT.

A PF cumpriu 4 Mandados de Busca e Apreensão e 2 Mandados de Prisão Preventiva, nas cidades de Cacoal/RO e Sorriso/MT, expedidos pela Justiça Federal de Vilhena.

A investigação começou em novembro de 2020, após a Polícia Federal apreender 184 pedras de diamantes extraídos da Reserva Indígena Roosevelt em posse de um dos investigados preso em flagrante.

Leia mais sobre o garimpo ilegal de diamantes

A partir dessa apreensão, as investigações identificaram os principais integrantes do grupo criminoso, entre eles, um ex-coordenador regional da Funai em Cacoal/RO, que foi preso preventivamente na deflagração da operação.

Foram apreendidos documentos e materiais de interesse para investigação, ouro, além de alguns armas irregulares.

Os investigados responderão por associação criminosa, usurpação de bem da União, extração ilegal de minério sem autorização do órgão competente, dano em unidade de conservação e falsidade ideológica.

Reserva Roosevelt Mapa – Foto: Divulgação

O garimpo ilegal de diamantes

A Constituição de 1988 permite a mineração em terra indígena apenas se houver uma regulamentação específica para o tema. Atualmente, tramita em regime de urgência no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB), que pretende regulamentar a mineração em terra indígena.

Diferente de outras etnias da Amazônia, os Cinta Larga se declaram favoráveis à exploração mineral em suas terras, desde que a atividade seja exercida pelos próprios indígenas. Atualmente, todo o diamante extraído da Reserva Roosevelt é considerado ilegal.

Estima-se que o Kymberlito (rocha matriz) de diamantes no garimpo do Igarapé Laje, dentro da Reserva, seja um dos maiores do mundo. O garimpo ilegal de diamantes já foi motivo do massacre de 29 garimpeiros em 2004.

Existem suspeitas de que políticos e empresários de Rondônia mantém esquemas de compra e extração ilegal de diamantes dentro da Reserva. Por várias vezes a Polícia Federal prendeu contrabandistas estrangeiros de diamantes.

Em 2003, a Reserva Roosevelt chegou a ter 5.000 garimpeiros fazendo a extração ilegal das pedras.

Desde agosto de 2000 existe o garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena Roosevelt, que em determinado período contava até com pista ilegal de aeronaves dinamitada pela PF. A extração ilegal de pedras preciosas é feita no Igarapé Laje, afluente do Rio Roosevelt, dentro da Reserva que fica próxima a Espigão do Oeste, município distante 540 Km de Porto Velho. A jazida fica na exata divisa de Rondônia e Mato Grosso.