Polícia

Ex-candidata a vereadora morre após suspeita de ingestão de substância nociva dada por laboratório

Conforme prontuário, Eva foi levada ao hospital vomitando um líquido azulado, da mesma cor da substância Glistab.

Liebe Schmidt

quarta-feira, 21/07/2021 - 19:51 • Atualizado 22/07/2021 - 14:58
Ex-candidata a vereadora morre após suspeita de ingestão de substância nociva dada por laboratório
Há suspeita de Eva ter ingerido o anticoagulante Glistab - Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

A ex-candidata a vereadora, Eva Correia de Souza, faleceu após ingestão de um produto químico nocivo oferecido por um laboratório, durante realização de exame, na cidade de Vila Rica, Mato Grosso.

Um prontuário médico recebido pelo jornal matogrossense Olhar Direto, nesta quarta-feira (21), mostra que a vítima ingeriu um produto anticoagulante chamado Glistab, utilizado na testagem sanguínea para preservação da glicose. O filho de Eva, Gleidson Luiz, suspeita que o produto teria sido dado para a mãe no lugar de uma solução de glicose diluída em água, durante a realização de um exame no laboratório Citocenter. O fato aconteceu no sábado (17) e segue sendo investigado pela Polícia Judiciária Civil.

De acordo com a ficha técnica do produto, a ingestão é expressamente proibida pelo seu alto potencial nocivo para o corpo. O texto, desenvolvido pelo laboratório Labtest (um dos fabricantes da substância), relata que caso a ingestão ocorra e a pessoa ainda esteja consciente, é indicado a indução do vômito e a busca por atendimento médico.

Conforme o prontuário médico, a ex-candidata a vereadora deu entrada no hospital com um quadro de ansiedade e vomitando um líquido azulado, a mesma cor do Glistab, que é vendido diretamente para os laboratórios que trabalham com exames de testagem da glicose.

No prontuário é relatado, ainda, que Eva ingeriu metade do produto e por isso apresentou uma forte reação. Além do vômito e da ansiedade, a mulher apresentou uma crise convulsiva e teve de ser encaminhada à sala de emergência. Diversos procedimentos foram feitos para resguardar a vida da ex-candidata, mas a mulher veio a falecer após uma parada cardíaca.

A FAMÍLIA PEDE JUSTIÇA

Segundo Gleidson Luiz, o laboratório Citocenter não esclareceu o ocorrido desde o sábado (17), quando o óbito foi confirmado. Segundo o rapaz, sua mãe foi vítima de uma ação irresponsável protagonizada pelo estabelecimento. “A palavra que eu tenho para resumir isso é irresponsabilidade. O que a gente busca hoje é justiça. Estamos sentindo muita angústia, não queremos que outras pessoas sintam o que estamos sentindo hoje, nunca passei por nada parecido e é uma dor muito grande”, disse em entrevista ao jornal Olhar Direto.

Gleidson contou que a mãe havia se recuperado de Covid-19 há pouco mais de dois meses e estava feliz com a construção de uma nova casa. “Minha mãe estava em um momento de felicidade, ela ligava para a gente e falava como ela tava”, relatou o rapaz. Ele ainda revelou outras palavras da mãe: “Gleidson eu estou bem, tô muito feliz que vou construir a minha casa, do jeito que eu queria, do jeito que eu sempre sonhei”.

Durante a entrevista, o rapaz relatou que Eva nunca teve nenhum tipo de reação alérgica e que a mãe chegou a alertar a atendente que aquela substância não era o medicamento corrreto, no momento em que foi oferecida pelo laboratório. “Minha mãe ainda contou para o meu pai que alertou para a mulher que ia dar o medicamento de que aquele não era o frasco do medicamento que ela deveria ingerir. Quando meu pai chegou desesperado atrás dela, ela disse para ele que deram o remédio errado”, relatou.

Em áudio enviado pela vítima ao marido, horas antes do quadro se agravar, Eva relata que haviam dado a ela um medicamento errado e que estava se sentindo muito mal. “O laboratório me deu o remédio errado, estou passando mal. Eu quase morri aqui, vem aqui vocês, vem logo”, disse a vítima horas antes de morrer.

Todos os documentos que comprovam a ingestão do anticoagulante foram reunidos pela família e entregues à Polícia Judiciária Civil, que investiga o caso.

A reportagem do jornal Olhar Direto procurou os representantes do Laboratório Citocenter e até o fechamento desta matéria não obteve nenhum tipo de retorno. O espaço segue aberto para a empresa se manifestar.

Fonte: Olhar Direto