Polícia

Preso suspeito de desviar doações para compra de oxigênio destinado ao Amazonas

César Mirabel da Silva usava nome falso e chegou a ir à TV para pedir doações.

Por Redação Rondônia Já

sexta-feira, 23/07/2021 - 15:35 • Atualizado 16:37
Preso suspeito de desviar doações para compra de oxigênio destinado ao Amazonas
O suspeito chegou a ir até a TV para pedir doações - Foto: A crítica

César Mirabel da Silva, 33 anos, conhecido pelo nome fictício Júlio César Ferrezo, pois preso por suspeita de tentar desviar cerca de R$ 2 milhões que seriam destinados à compra de cilindros de oxigênio durante o pico da pandemia de Covid-19 no Amazonas. A prisão aconteceu na quinta-feira (22), de forma preventiva, sob acusação de estelionato.

De acordo com o delegado Guilherme Torres, titular da Deccor (Delegacia Especializada em Combate à Corrupção no Amazonas), as investigações descobriram que César tentou roubar cerca de R$ 2 milhões, tendo conseguido levar R$100 mil da ONG que ele mesmo fundou, sob um nome falso.

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“Ele estava desviando valores dessa ONG no auge da pandemia, usando um nome falso. Durante a pandemia, várias fundações se uniram para receberem doações, com o infrator fundando uma, que ficou bastante conhecida”, disse Torres. César Mirabel da Silva chegou a ir à TV para pedir doações.

O delegado explicou que o homem abriu uma nova conta bancária e fez anúncios nas redes sociais, onde pedia que as pessoas fizessem doações. Conversava com doadores pelo ‘direct’ do Instagram e se dizia tesoureiro da ONG. Porém, durante as investigações foi revelado que ele não constava nas listas das ONGs para recebimento de doações.

“Chegou a ser repassado mais de 400 mil reais, na época em que César mudou o padrão de vida e começou a ostentar muito nas redes sociais”, revelou Torres.

“Ele chegou a receber R$1.800.000 em sua conta, mas não conseguiu sacar o dinheiro pois não tinha o RG no qual abriu a conta, com o nome falso”, relatou o delegado. O banco realizou um bloqueio administrativo e César não conseguiu iniciar o procedimento do saque.

“Ao todo, em desvios, foram ao menos 100.000, mas desconfiamos que seja muito mais”, disse Torres.

Após a descoberta da fraude, César revelou o esquema. “Ao ser descoberto que Júlio César não existia, ele confirmou que houve o desvio”, finalizou.

Após os procedimentos cabíveis na delegacia especializada, o rapaz será indiciado por estelionato e levado para a Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde ficará à disposição da justiça.