Polícia

Coronel investigada por corrupção assume comando de outra Cia PM

A Coronel PM foi afastada pela Justiça Militar do comando da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental por suspeita de corrupção e outros crimes.

Por Redação Rondônia Já

sexta-feira, 13/08/2021 - 00:45 • Atualizado 16:41
Coronel investigada por corrupção assume comando de outra Cia PM
Coronel Keyla assumiu comando de policiamento especializado de Belém - Foto: divulgação

Afastada por ordem da Justiça Militar do Pará, desde 26 de julho desse ano, do Comando de Polícia Ambiental (CPA) de Santarém, após se envolver em um escândalo de venda de vagas naquela corporação, a Coronel PM Andréa Keyla Leal Rocha foi premiada e acaba de assumir o comando de nova unidade da Polícia Militar, agora em Belém, capital do Pará, o que equivale a uma promoção, isto tudo no meio de um inquérito que investiga diversas irregularidades supostamente cometidas pela Coronel.

Por determinação do Comandante-Geral da PM, Coronel José Dilson Melo Júnior, que assinou portaria na quarta-feira (11), Keyla vai dirigir o Comando de Policiamento Especializado de Belém. Na mesma portaria, o Comandante-Geral exonerou a Coronel Keila do Comando de Policiamento Ambiental, em Belém, de onde ela havia saído, transferida para Santarém.

De acordo com o Promotor da Justiça Militar, Armando Brasil ”as investigações seguem em sigilo em razão da gravidade dos fatos e medidas cautelares judiciais serão produzidas durante as investigações.” Segundo a decisão, a Coronel Andréa Keyla, além de ter suas funções suspensas, está proibida de frequentar o CPA pelo prazo de 120 dias, por estar sendo investigada por supostos crimes dentro do Batalhão da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental (CIPAMb) de Santarém, o que parece não impedi-la de frequentar e comandar outras Companhias da PM.

A Coronel e o Sargento da Polícia Militar, Gildson dos Santos Soares, são investigados pelo Ministério Público pelos crimes de corrupção passiva, peculato, usurpação, excesso ou abuso de autoridade e ameaça, conforme matéria publicada no Rondônia Já.

A transferência foi publicada na tarde desta quarta-feira (11) no Boletim Geral da Policia Militar, conforme portaria:

Portaria assinada pelo Comandante Geral da PM do Pará

O caso

A Justiça Militar do Pará afastou do cargo, em 26 de julho, a coronel PM Andréa Keyla Leal Rocha, do Comando de Polícia Ambiental de Santarém e também decretou a prisão preventiva do sargento Gildson dos Santos Soares.

Coronel Keyla foi afastada do comando da 1ª Cipamb e sargento foi preso

Coronel Keyla foi afastada do comando da 1ª Cipamb e Sargento Gildson foi preso – Foto: divulgação

A acusação do MP contra ambos, após acolher denúncias de policiais militares, é de corrupção passiva, peculato, abuso de autoridade e ameaça. Eles também são acusados de venda de vagas, assédio moral e tortura.

O afastamento e a prisão foram determinados pelo juiz militar Lucas do Carmo de Jesus com determinação de cumprimento imediato. O sargento Gildson dos Santos Soares, inclusive, já estava preso pela morte de uma dona de casa e de tentativa de homicídio contra outras cinco pessoas, em junho de 2018. Já a coronel Andréa Keyla Leal Rocha está impedida de frequentar a Cipamb por 120 dias, de acordo com a decisão.

Segundo as investigações da 2ª Promotoria de Justiça Militar e 3ª Promotoria de Justiça de Santarém, o casal de militares mantinha “um suposto relacionamento amoroso”. As denúncias foram feitas por policiais militares da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental (Cipamb), no município de Santarém.

Ainda de acordo com os policiais, nos depoimentos prestados, “verifica-se que as transferências de militares do Batalhão Ambiental para outros Batalhões e vice-versa aconteceram com o intuito de que outros policiais militares, mediante pagamentos efetuados ao 2º sargento Gildson, pudessem vir a ocupar as vagas que teriam sido abertas com as transferências e para que o referido militar efetuasse a mudança nas escalas de serviço da 1ª Cipamb”.

Em um depoimento muito relevante para corroborar as denúncias formuladas pelos MPs, o cabo Elias Ferreira de Araújo Júnior afirmou que a coronel Keyla “costuma agir de forma muito autoritária e, para sustentar sua autoridade, bem como as ordens ilegais perpetradas, afirma em público para a Companhia que é amiga do Comandante Geral da PM (coronel Dilson Júnior)” e que, ainda, na Companhia “só fica quem ela quer, e quem ela não quer ela transfere”.

A “premiação” da Coronel, feita pelo Comandante Geral da PM do Pará mostra que a “amizade” entre ela e o militar é profunda e segue firme e forte, mesmo diante de um mar de denúncias de corrupção e irregularidades.