Polícia

Operação contra invasão e grilagem de terras públicas e privadas é deflagrada em RO

Nesta etapa da operação , os principais alvos eram os fornecedores de armamentos aos invasores. SAIBA AQUI DETALHES EXCLUSIVOS.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 23/08/2021 - 16:25 • Atualizado 21:27
Operação contra invasão e grilagem de terras públicas e privadas é deflagrada em RO
Munições apreendidas - Foto: PC/RO

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou nesta segunda-feira (23) a a operação Canaã (nomeada Paiol) realizada para combater invasões de terras privadas e unidades de conservação, além de crimes ambientais.

Foram cumpridas 27 medidas cautelares, sendo 14 mandados de prisão preventiva, 1 mandado de prisão domiciliar e 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Velho, Ji-Paraná, Seringueiras, São Miguel do Guaporé e Cacoal.  Armas e centenas de munições também foram apreendidas.

Nesta segunda fase da operação, a investigação teve como alvos integrantes que comercializavam armas e munições como fuzis, escopetas, pistolas, carabinas e submetralhadoras para abastecer o grupo criminoso.

O armamento era então disponibilizado ao braço armado da quadrilha que as utilizavam tanto para invadir as propriedades quanto para, após a invasão, garantir a posse mediante violência e evitar a reintegração dos possuidores ou poder público.

Durante a investigação, os policiais descobriram que o grupo de criminosos primeiro mapeava o local que seria o alvo da invasão e, usando armamento de alto calibre, invadia a propriedade.

Segundo a investigação, a terra então era repartida e vendida aos camponeses e investidores mediante pagamento de dinheiro, veículos e armas, sem contar que há promessa de legalização da posse após a tomada da terra.

Propriedades particulares de São Francisco do Guaporé, Machadinho d’Oeste, Porto Velho e Áreas de Proteção Ambiental eram os alvos principais dos suspeitos.

Armamento e munições apreendidas na operação Canaã – Foto: PC/RO

Informações extra-oficiais

Na entrevista coletiva de imprensa dada na manhã desta segunda-feira (23), por questões relativas à investigação, não foi esclarecido de onde vem o dinheiro para a compra deste armamento e o financiamento das invasões.

Extra-oficialmente o site Rondoniaja.com apurou com fontes que a organização criminosa tem o envolvimento de dois políticos muito conhecidos (um ex-governador e um deputado federal alinhado ao presidente), um advogado e empresários, que estão cooptando e financiando agricultores à invadir terras privadas e públicas para grilagem e extração ilegal de madeira, com a promessa de que as áreas griladas serão posteriormente legalizadas.

Na coletiva desta segunda-feira foi dito que outras operações devem ocorrer em breve.

A primeira parte da operação Canaã

Em 11 de junho deste ano, a Polícia Civil de Rondônia prendeu 17 pessoas durante a primeira parte da Operação Canaã. Outros 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Porto Velho, Ji-Paraná, Seringueiras, Mirante da Serra, São Miguel do Guaporé, todas em Rondônia e na cidade de Várzea Grande-MT.

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha invadiu terras particulares, principalmente na região de São Francisco do Guaporé.

O site Rondoniaja.com conversou com fontes ligadas ao Governo Federal que confirmaram a ligação do mesmo grupo com outra invasão, a da Floresta Nacional do Jacundá, no município de Candeias do Jamari, próximo à Porto Velho, capital de Rondônia.

O grupo invadiu a FLONA Jacundá, segundo as investigações que estão em curso, no dia 15 de fevereiro deste ano. São cerca de 300 invasores. O grupo seria chefiado por um advogado que também coordena invasões em outras Unidades de Conservação.

Os invasores, bem organizados, montaram um grupo no WhatsApp,  Jacundá, a Terra Prometida e também criaram um canal no Youtube, com vídeos chamando pessoas para invadir a área.

No Youtube, os vídeos foram retirados após o grupo ser exposto nacionalmente em duas reportagens, uma no jornal  O Globo e outro na Folha de São Paulo.

Jornalistas do O Globo que estiveram no local, relataram que o grupo se autodenomina simpatizante de Jair Bolsonaro e que invadiram na esperança de que o presidente legalize a grilagem.

No grupo de WhatsApp, o visitante que entrava por um link de convite, era recebido com a seguinte mensagem:

Jacundá, a Terra Prometida – Foto: WhatsApp