Política

Bolsonaro promove convite ao vírus em inauguração de ponte em RO

Além de circular o tempo todo sem máscara, o presidente Jair Bolsonaro estimulou aglomeração em todos os lugares que esteve em Rondônia e ainda fez mais uma ameaça velada de intervenção militar.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sábado, 08/05/2021 - 07:00 • Atualizado 15/06/2021 - 00:50
Bolsonaro promove convite ao vírus em inauguração de ponte em RO
Aglomeração de Bolsonaro na Ponte do Abunã - Foto: ac24horas

Jair Bolsonaro chegou no começo da manhã de sexta-feira (07) no Aeroporto Internacional Jorge Teixeira em Porto Velho e lá mesmo fez questão de ignorar as medidas sanitárias de uso de máscara recomendadas pelo Ministério da Saúde. No que foi acompanhado de perto pelo governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL) e uma multidão frenética.

Aglomeração em Candeias do Jamari

Após chegar em Porto Velho, Bolsonaro e comitiva almoçaram em Candeias do Jamari, pequeno município distante 20 km da capital. Após a refeição, mais uma vez, fez questão de caminhar sem máscara entre a multidão, no que sempre é imitado por aqueles que fazem questão de ignorar a letalidade do coronavírus.

Sem máscara na inauguração da ponte

Na Ponte do Abunã sobre o Rio Madeira, iniciada em 2014 por Dilma Rousseff  (PT) através de uma emenda da então senadora Fátima Cleide (PT),  Bolsonaro veio inaugurar os 15% que faltavam para concluir a obra e continuou o protocolo adotado por ele em todas as recentes inaugurações de obras, a maioria quase concluídas por governos anteriores e provocou nova aglomeração, mandando às favas o uso de máscara.

Aglomeração de Bolsonaro na Ponte do Abunã – Foto ac24horas

A comitiva

A Ponte de 1.517 metros, construída ao custo de 148 milhões de reais,  liga Rondônia ao Acre e possibilita também a ligação por terra com a Rodovia Interoceânica, onde escoa parte da produção brasileira ao Oceano Pacífico, pelo Porto do Peru, desde 2010 quando foi inaugurada na gestão de Lula (PT).

No palanque da inauguração da Ponte do Abunã, estavam vários políticos, entre eles o senador Marcos Rogério (DEM), o governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL) e o prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), vaiado pelos bolsonaristas presentes.

Dois apoiadores famosos de Bolsonaro se destacaram dos demais, o empresário Luciano Hang, conhecido como “Véio da Havan” e o ex-piloto de Fórmula 1, Nelson Piquet, ambos ovacionados pela multidão fascinada com o espetáculo. Piquet aproveitou o palanque para mais uma vez chamar a TV Globo de “Globolixo”. Não há informações até o momento se a dupla veio no avião presidencial.

As ameaças

Em pronunciamento, Bolsonaro repetiu o já conhecido discurso contra as medidas de contenção da Covid-19. Disse enfaticamente “o MEU exército jamais irá as ruas para mantê-los dentro de casa, a MINHA marinha, o MEU exército e a MINHA aeronáutica jogam dentro das quatro linhas da Constituição, se querem que nós ajamos desta maneira e tem razão, tem aqui aquele que fará cumprir a Constituição, não admitiremos quem queira jogar fora das quatro linhas da Constituição”. Claro que estas entidades pertencem ao Estado, que é impessoal.

A fala em tom ameaçador, na realidade, é uma afronta ao STF este sim, o verdadeiro guardião legal da Constituição que decidiu no começo de março deste ano autorizar que governadores e prefeitos adotem medidas de combate ao coronavírus como fechamento do comércio e proibição de circulação de pessoas. Rondônia, no momento, está na contramão deste tipo de medida, com restrições mínimas, quase inexistentes de contenção à Covid-19.

Não é a primeira vez que Bolsonaro faz ameaça velada de intervenção militar. Nas outras ocasiões elas aconteceram quando a Justiça fez um cerco ao redor da família e amigos do presidente por vários escândalos como as rachadinhas, entre outros. Agora é o próprio Jair Bolsonaro que está acuado pela CPI da Covid no Senado.

Através dela, pode ser instaurado um processo de impeachment, por negligência deliberada do Governo Federal no combate ao coronavírus. Um exemplo é as 11 vezes que o governo Bolsonaro recusou ofertas para compras de vacinas, o que poderia ter evitado as quase 420 mil mortes por Covid-19.

Alheio ao imenso panorama de tragédias que se transformou o País, por causa da falta de políticas públicas para conter a pandemia, Jair Bolsonaro, após a solenidade de inauguração fez um último ato de escárnio às leis. Montou em uma moto, com Luciano Hang de carona e dirigiu sem capacete pela Ponte do Abunã. Retrato do “novo” Brasil.

Bolsonaro e Luciano Hang na Ponte do Abunã – Foto: Redes sociais