Política

Governadores se articulam para questionar no STF a convocação para a CPI da Covid

O objetivo é questionar no Supremo a constitucionalidade da convocação para depor na CPI da Covid.   

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 28/05/2021 - 14:00 • Atualizado 16:01
Governadores se articulam para questionar no STF a convocação para a CPI da Covid
Governadores convocados para a CPI da Covid - Foto: Reprodução

Os governadores se articulam para irem em conjunto, e não isoladamente, ao STF questionar a constitucionalidade da convocação para depor na CPI da Covid.

Na quarta (26), a Comissão aprovou a convocação de nove governadores, e mais sete testemunhas para depor na CPI. Se o precedente for aberto, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e até ministros do STF poderão ser convocados no futuro.

O receio dos governadores é da apelação ao STF alimentar o discurso bolsonarista de que eles tem medo de investigação.

Dos convocados, sete são considerados governistas: Marcos Rocha (PSL-RO), Carlos Moisés (PSL-SC), Mauro Carlesse (PSL-TO), Wilson Lima (PSC-AM), Waldez Góes (PDT-AP), Ibanes Rocha (MDB-DF) e Antonio Denarium (Sem partido-RR).

 Wellington Dias (PT-PI) e Helder Barbalho (MDB-PA) fazem parte da oposição ao governo Bolsonaro.

O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel está fora do grupo. Não só porque não está mais no Palácio Guanabara como faz questão de depor para atacar Bolsonaro e o PGR Augusto Aras.

Se só sobrar Witzel, estará dado o maior tiro no pé da bancada bolsonarista na CPI da Covid.

O que Marcos Rocha receia na CPI

Caso Marcos Rocha vá à CPI da Covid, terá que depor sob juramento de falar somente a verdade. Lá, vai ser submetido à intenso interrogatório da ala governista que tenta a todo custo livrar Bolsonaro da responsabilidade de ter negligenciado a vacinação contra a Covid-19.

Outro fator é que o senador Marcos Rogério, apesar de não ter assumido até agora, é um claro pré-candidato ainda não oficial ao Governo de Rondônia. A convocação de Marcos Rocha seria como matar dois coelhos com uma só cajadada.

O governador também tem outras coisas que prefereria esquecer, ao invés de ser questionado:

  • A operação Dúctil da Polícia Federal realizada em junho de 2020 que apurou suposto desvio de R$ 21 milhões nas compras emergenciais de insumos contra a Covid-19;
  • A quase ausência de uma política de contenção do coronavírus. Lockdown passou longe de Rondônia;
  • A distribuição de “Kits Covid” de “tratamento precoce de coronavírus”. Medicamentos como Ivermectina, Azitromicina e Cloroquina distribuídos à população em várias ações preventivas realizadas pelo Governo na capital e interior. A OMS já havia condenado o uso destes medicamentos no tratamento da Covid;
  • Rondônia tem o pior índice de vacinação de primeira dose do país e o terceiro pior na segunda dose;
  • O estado tem o segundo maior índice de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes, segundo relatório produzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Controladoria Geral da União (CGU).