Política

Após ser desmentido por TCU, Bolsonaro volta atrás, mas, insiste na desinformação

Jair Bolsonaro voltou atrás sobre o que disse, mas, insiste em querer investigar estados por suspeita de supernotificação de mortes que o TCU afirmou não existir.

Marcelo Winter, com informações de O Globo

terça-feira, 08/06/2021 - 15:38 • Atualizado 09/06/2021 - 20:14
Após ser desmentido por TCU, Bolsonaro volta atrás, mas, insiste na desinformação
Jair Bolsonaro - Foto: Rafael Carvalho

Jair Bolsonaro admitiu nesta terça-feira(8) que errou ao afirmar que o Tribunal de Contas da União(TCU) havia informado que 50% das mortes atribuídas à Covid-19 no Brasil em 2020 não foram causadas pela doença.

O presidente admitiu o erro, mas, insistiu em afirmar que existe supernoticação da doença no Brasil, ou seja, casos registrados à mais do que a realidade, na mais absoluta contramão do que dizem os especialistas, que apontam subnotificação e também na direção contrária dos números oficiais, que mostram o Brasil indo para a casa do meio milhão de mortes por coronavírus.

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Bolsonaro disse que vai determinar uma investigação sobre isso, mesmo depois de ser desmentido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que publicou um post em redes sociais esclarecendo o equívoco do presidente.

Post do TCU no Twitter – Foto: Redes sociais

Além do post, o TCU também publicou uma nota no site do órgão, onde complementa:

“O TCU reforça que não é o autor de documento que circula na imprensa e nas redes sociais intitulado “Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid-19 no Brasil”

A publicação do post e da nota do TCU na segunda-feira(7) foi algumas horas após Bolsonaro dizer, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, que estava divulgado “em primeira mão” um suposto relatório do TCU que apontaria um número menor de mortos por Covid-19 do que o divulgado.

Nesta terça, Bolsonaro admitiu a gafe e disse que errou em falar em “tabela”, apesar de não ter usado esse termo na véspera, e afirmou que estava se referindo a um acórdão do TCU. No entanto, o acórdão mencionado,  cita somente a possibilidade de uma supernotificação, sem apresentar indícios concretos.

A fala de Bolsonaro, novamente para apoiadores em frente ao Alvorada, nesta terça-feira, foi a seguinte:

“O TCU está certo. Eu errei quando falei tabela. O certo é acórdão. O que acontece? Tem uma lei complementar do ano passado que diz que a distribuição de verbas do governo federal para estados leva-se em conta alguns critérios. O mais importante era a incidência de Covid. E o próprio TCU dizia o que? Que essa lei complementar poderia incentivar uma prática não desejável da supernotificação de Covid para aquele estado ter mais recurso”.

O acórdão citado por Bolsonaro, na realidade é uma orientação que faz parte de um processo de acompanhamento da gestão do governo federal durante a pandemia de Covid-19. No documento, o TCU comunica ao Ministério da Saúde o seguinte:

“Utilizar a incidência de Covid-19 como critério para transferência de recursos, com base em dados declarados pelas Secretarias Estaduais de Saúde, pode incentivar a supernotificação do número de casos da doença, devendo, na medida do possível, serem confirmados os dados apresentados pelos entes subnacionais”.

O acórdão, em nenhum momento afirma se isso chegou ou não a acontecer. Ou seja, mais uma vez, Bolsonaro cria uma fakenews com informações desviadas do contexto original.

Mesmo desmentido pelo TCU, Bolsonaro disse que o governo “vai para cima” de estados para investigar possíveis supernotificações. Essa investigação seria feita pela Controladoria-Geral da União (CGU), de acordo com o presidente. A frase completa está abaixo:

“Acho que agora está justificado o que foi falado ontem. A gente pode errar. E eu não tenho compromisso com o erro. Não tem problema nenhuma. Agora, nós vamos para cima agora, para exatamente apurar quais estados fizeram supernotificação em busca de mais dinheiro.”

Desde o início da pandemia de Covid-19, que já matou mais de 474 mil pessoas no Brasil, Bolsonaro já questionou diversas vezes os números de óbitos, mas nunca apresentou evidências.

Também não é a primeira vez que Jair Bolsonaro tenta terceirizar a culpa da péssima gestão no combate à Covid-19, buscando incriminar governadores e prefeitos pela própria incompetência, como está sendo provado pela CPI da Covid, no Senado.

Em outras ocasiões também ameaçou a utilização de órgãos de fiscalização, investigação e de repressão do Governo Federal para serem usados contra governos e prefeituras. Em alguns casos, a Polícia Federal, obedecendo à vontade do presidente, realizou operações contra governos que soaram como perseguição política, muito parecida com a que  a ditadura militar (1964/1985) fazia e que Jair Bolsonaro tanto admira.

Mortes por Covid-19 na Amazônia Legal

Desde o começo da pandemia, até segunda-feira(7) os nove estados que compõem a Amazônia Legal registraram um total de 61.235 mortes por coronavírus e 2.347.140 registros de casos da doença.