Política

Estados Unidos dá recado a Jair Bolsonaro: “Não mexa nas eleições”

O recado foi dado durante visita oficial ao Brasil do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos (EUA), Jake Sullivan.

Por Redação Rondônia Já

segunda-feira, 09/08/2021 - 04:03 • Atualizado 10/08/2021 - 15:12
Estados Unidos dá recado a Jair Bolsonaro: “Não mexa nas eleições”
Jair Bolsonaro e Jake Sullivan - Reprodução Embaixada EUA no Twitter

Quando o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos (EUA), Jake Sullivan, visitou o presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, na quinta-feira, ele trouxe uma mensagem de Washington: não mexa nas eleições.

Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou à Reuters que o governo Biden levantou preocupações sobre as alegações infundadas de Bolsonaro de fraude no sistema de votação totalmente eletrônico do Brasil e sua ameaça de não aceitar os resultados da eleição do próximo ano se o sistema não for alterado.

A natureza da mensagem de Sullivan foi noticiada pela primeira vez no jornal Folha de S.Paulo no sábado. Ele citou uma autoridade dos EUA dizendo que Sullivan enfatizou a importância de não minar a confiança no processo eleitoral do Brasil, especialmente considerando que nenhuma evidência de fraude foi apresentada nas eleições anteriores.

O motivo do recado

Bolsonaro protestou durante semanas contra as máquinas eletrônicas usadas no Brasil e pressionou pela adoção de recibos impressos que podem ser contados se houver contestação de qualquer resultado eleitoral. Ele não forneceu evidências de fraudes anteriores ou vulnerabilidades atuais.

O presidente atacou veementemente um juiz da Suprema Corte por duvidar publicamente de suas alegações infundadas e por dizer que o sistema poderia ser auditado.

Os críticos temem que Bolsonaro, assim como seu aliado ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteja semeando dúvidas caso perca as eleições do próximo ano.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil – Foto: Divulgação

A popularidade despencando

Com sua popularidade caindo em meio ao segundo maior número de mortos no COVID-19 do mundo, as pesquisas de opinião mostram que Bolsonaro está atrás do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, embora nenhum dos dois tenha anunciado oficialmente sua candidatura.

A delegação de Sullivan transmitiu a confiança dos EUA na capacidade das instituições brasileiras de realizar eleições justas e livres em 2022, disse a embaixada dos EUA em um comunicado, sem dar detalhes.

Sullivan também se encontrou com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o conselheiro de segurança presidencial Augusto Heleno, ambos generais aposentados e assessores próximos de Bolsonaro.

Em meio ao agravamento da crise, Bolsonaro ignorou os apelos – até mesmo de alguns de seus próprios aliados – para desistir de sua rivalidade com a Suprema Corte. Na sexta-feira, ele chamou um de seus juízes de “filho da puta” em meio a tensões crescentes sobre sua insistência de que as máquinas são vulneráveis ​​a fraudes.

Isso aconteceu um dia depois que um comitê do Congresso votou para arquivar uma emenda constitucional que teria adotado o sistema de votação híbrido buscado por Bolsonaro, onde as máquinas imprimem um recibo que poderia ser recontado.

A emenda será colocada à votação no plenário da Câmara na próxima semana, mas não se espera que reúna os três quintos dos votos necessários para ser aprovada.

Fonte: Anthony Boadle/Reuters