Política

“Desfile de República de Bananas” – Exibição militar é ridicularizada pela imprensa estrangeira e redes sociais

O desfile militar visto como pressão para intimidar os poderes teve um efeito inverso, de chacota entre a imprensa e população.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 10/08/2021 - 20:47 • Atualizado 11/08/2021 - 15:10
“Desfile de República de Bananas” – Exibição militar é ridicularizada pela imprensa estrangeira e redes sociais
The Guardian manchete - Foto: Reprodução The Guardian

O tiro saiu pela culatra. A frase antiga, que remete ao tempo dos mosquetes do Brasil Colônia resume bem o desfile militar desta segunda-feira (10) em Brasília. Tudo saiu ao contrário do que a cúpula militar que ainda apoia Jair Bolsonaro (sem partido) e o próprio presidente esperavam.

A imprensa internacional ridicularizou a exibição. O jornal The Guardian, da Inglaterra, chamou-a de “desfile de República de Bananas” e fez a inevitável comparação com a China, onde uma poderosa exibição de força foi feita pelo presidente para marcar uma data cívica daquele país, enquanto que no Brasil, o desfile tinha um “sentido de absurdo.

O Guardian também chamou o evento de “fiasco”, citando a fraquíssima presença dos apoiadores de Jair Bolsonaro, numa clara demonstração do declínio que passa o atual presidente do Brasil.

Outros jornais internacionais ironizaram o desfile durar “apenas 10 minutos” e ter tanques que soltavam fumaça.

O Le Monde, jornal da França, ligou o desfile “inédito” nos 30 anos de democracia brasileira com as pesquisas eleitorais que prevêem uma ampla derrota de Jair Bolsonaro para Luis Inácio Lula da Silva. Na reportagem, o jornal francês cita que há o temor que se repita no Brasil a tentativa de golpe que Donald Trump fez nos EUA.

A agência alemã Reuters foi a mais incisiva, mostrando que “políticos de todo tipo classificaram o desfile como um ato de intimidação”.

Diplomatas estrangeiros, ouvidos pelo jornalista Jamil Chade, colunista do UOL, disseram que o ato deixa o Brasil ainda mais isolado internacionalmente e que “hoje, sair em uma foto com Bolsonaro é comprometedor para muitos líderes pelo mundo”.

Manchete do The Guardian – Foto: Reprodução The Guardian

O impacto entre os militares

O ex-ministro da Secretaria de Governo nos seis primeiros meses da gestão Bolsonaro, general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz foi ouvido pelo jornal O Globo. Na entrevista, o general, que se tornou um porta voz da ala descontente com Bolsonaro, disse o seguinte sobre o desfile que teve como pretexto um “convite da Marinha ao presidente para participar de uma operação militar”:

“Dizer que foi levar um convite é até uma infantilidade. É um ambiente que precisa ser respeitado, não se pode inventar uma coisa dessa em uma hora de uma votação importante, de um assunto que envolve muita disputa. É uma incompetência de avaliação ou proposital. É um desrespeito e quem sai perdendo são as Forças Armadas. É uma vergonha internacional. Não tem cabimento.”

General Santos Cruz -Foto: Divulgação

Para a também colunista do UOL, Juliana Dal Piva, militares do alto escalão, ouvidos pela jornalista, contaram que esses episódios fizeram com que, em alguns círculos, Braga Netto passasse a ser chamado de “Calabar”. Na época do Brasil Colônia, em área que hoje corresponde a Alagoas, o proprietário de terras Domingos Fernandes Calabar ficou conhecido na História por ter se aliado aos holandeses em oposição aos colonizadores portugueses em 1632. Por isso, popularmente, seu nome passou a ser associado à ideia de um “traidor”.

Walter Braga Netto (“Calabar”) – Foto: Divulgação

A ridicularização nas redes sociais

As redes sociais não perdoaram o exibicionismo de Jair Bolsonaro e o desfile de porte fraco. Abaixo estão alguns dos posts feitos sobre o tema, ridicularizando o evento criticado como uma forma de pressionar o Congresso a votar:

Post Esquadrilha da Fumaça – Foto: Reprodução Facebook

Post Tanque à Lenha – Foto: Reprodução WhatsApp

Post de Desenho – Foto: Reprodução WhatsApp

Post Charge – Foto: Reprodução WhatsApp