Política

Amigo militar de Bolsonaro ganha R$ 130 mil por mês em cargo na Petrobrás

O coronel reformado foi quem entregou à Bolsonaro relatório “fake” sobre mortes por Covid-19 elaborado pelo filho auditor do TCU.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

domingo, 22/08/2021 - 21:55 • Atualizado 23/08/2021 - 21:49
Amigo militar de Bolsonaro ganha R$ 130 mil por mês em cargo na Petrobrás
Coronel Ricardo Marques e Jair Bolsonaro - Foto: Colagem

Neste domingo (22), a coluna de Lauro Jardim do jornal O Globo divulgou que o coronel do exército reformado Ricardo Marques, nomeado por Jair Bolsonaro no cargo de Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, tem salário-base de R$ 70 mil mensais. Somados os benefícios variáveis, a renda dele chega a R$ 130 mil por mês.

O cargo extremamente bem remunerado não é ilegal, mas, é sinal de vale a pena ter amigo importante, no caso, o presidente da República. Ricardo e Jair Bolsonaro se conhecem da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formaram juntos na mesma turma.

Coincidência, ou não, Ricardo Marques é pai do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Marques.

Alexandre Marques e Ricardo Marques – Foto: Colagem

O relatório questionável

Para relembrar: o auditor Alexandre elaborou um relatório usado por Jair Bolsonaro no dia 7 de junho deste ano para declarar a apoiadores que “em torno de 50% dos óbitos por covid no ano passado não foram por Covid”.

Na ocasião, Bolsonaro ainda disse que a fonte dessa notícia, dada em “primeira mão”, segundo as palavras do próprio presidente, era o TCU.

No dia seguinte, a Corte divulgou um comunicado negando que era responsável por essas alegações.

Por causa deste relatório “fake”, Alexandre Marques está sendo investigado pelo TCU e também foi ouvido na CPI da Pandemia.

Já se sabe que a pessoa que entregou o relatório à Bolsonaro foi o pai dele, o coronel reformado Ricardo Marques, que mandou o documento feito pelo filho com estimativas não oficiais para o presidente, por WhatsApp.

O documento foi de grande valia para Bolsonaro questionar o número de óbitos pelo novo coronavírus no País e, como sempre, se eximir da responsabilidade pela péssima gestão frente à Pandemia, fato já comprovado pela CPI que investiga os desmandos do Governo Federal e do Ministério da Saúde no combate ao coronavírus.

E por falar na CPI, na terça-feira (17), Alexandre Marques foi ouvido pelos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid. Durante seu depoimento, o auditor do TCU disse que o documento apontando uma suposta subnotificação de mortes por covid-19 no Brasil foi apenas interno e não teve validade oficial na Corte de Contas.

“Em nenhum momento passou pela minha cabeça que ele [Ricardo Marques] compartilharia o arquivo com quem quer que fosse”, disse o auditor na CPI, que negou ter recebido qualquer vantagem para produzir o documento.

A julgar pelo salário de R$ 130 mil por mês, já é possível desconfiar quem realmente está recebendo vantagens para defender o presidente a qualquer custo, mesmo que seja através de um documento “fake”.

 

Com informações da Agência Estado, Isto É, O Globo e BBC